Análise – Razer Raiju Ultimate

Chegou-me às mãos aquele que poderá ser um dos meus comandos favoritos para a PlayStation 4, o Razer Raiju Ultimate.

Dedicado aos jogadores mais exigentes, o Razer Raiju Ultimate é uma solução completa e personalizável para os utilizadores da consola nipónica que necessitam de atalhos e da precisão extra que o DualShock 4 tradicional não oferece. Lançado em 2018, o Razer Raiju Ultimate é o atual comando topo de gama da Razer. É o mais avançado e aprimorado e agarra em alguns dos elementos dos comandos passados e da variante da Xbox One, o Razer Wolverine. Mas apesar de tudo isto, será que é perfeito? Vamos descobrir.

A nova linha Raiju, onde se inclui o modelo Tournament e o Mobile, é mais moderna e ergonómica que a anterior. Isto é, tem um aspeto mais arredondado e simpático, sendo menos parecido com um “batarang”. Encorpado e sólido, é um comando que se aproxima mais da linha de comandos da Xbox, mas com o seu volume bem aproveitado. Todo ele é revestido por uma película aborrachada, com a parte traseira a revelar os materiais mais plastificados e as pegas com um padrão que cria o grip necessário para as nossas mãos. Na parte inferior, vamos encontrar um painel de controlo que deixa de ser destacado e fica embutido no próprio comando, com os seus botões também incorporados no corpo, onde pressionamos a borracha para os ativar.

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E por falar em botões, o Raiju Ultimate não tem falta deles. Tal como outros comandos do género, temos uma série de botões de atalho altamente personalizáveis. Neste caso, quatro botões programáveis, duas patilhas traseiras e dois shoulder buttons extra na zona superior, perto dos gatilhos. Para este modelo Ultimate, ao contrário do anterior, a Razer optou por tornar estes shoulder buttons como parte do comando, não sendo possível destacá-los. Mas dada a sua forma, são possíveis de ignorar, e o comando até conta com um botão de desativação para o efeito, evitando toques acidentais durante jogos onde não se queiram usar.

Outra função já tradicional no segmento está relacionada com os interruptores dos gatilhos, que regressam para dar a oportunidade aos jogadores de tiros de dispararem mais depressa ao ativarem apenas metade da viagem que o dedo faz ao disparar. Na parte frontal, vamos também contar com outras funções premium, com a possibilidade de trocar de d-pad, entre dois à escolha e de joysticks, com quatro formatos diferentes à escolha do utilizador.

Podemos dizer que temos aqui um modelo bastante completo e com materiais de construção bastante bons. A possibilidade de alterarmos os tipos de joystick e de d-pad, assim como a personalização dos botões, são um must-have para quem gosta de experiências personalizáveis e para quem joga jogos de vários géneros. Pode-se, portanto, alterar entre atalhos, dependendo se estamos a jogar um RPG, um FPS ou um jogo de corridas, onde determinadas ações são facilitadas através dos gatilhos e botões extra.

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Num jogo de corridas, é possível usar o joystick esquerdo inteiramente para mover a câmara do carro, enquanto o polegar não se levanta para clicar nos botões frontais, podendo usar os restantes dedos na parte traseira. O mesmo aplica-se a um jogo de tiros, onde podemos ter total liberdade de movimento e do ponto de vista, ao mesmo tempo que carregamos as armas e ativamos ações secundárias. Tudo isto requer habituação, mas são opções que tornam a experiência de jogo orgânica e mais imersiva.

O novo formato do comando torna-o, também, mais ergonómico que os anteriores, e neste caso mais do que o DualShock. Com maior volume, ajusta-se facilmente às nossas mãos, especialmente para quem tem as mãos grandes. Os botões são altamente clicáveis e, apesar de mais pequenos, são muito mais satisfatórios de se usar. Pode-se dizer que, quando se fala numa experiência tradicional, o Raiju Ultimate é, sem dúvida alguma, um comando fantástico e a minha preferência pessoal. Mas quando entramos no mundo da personalização mais a fundo e na possível versatilidade, as coisas tornam-se complicadas.

Infelizmente, o Raiju Ultimate não é tão user friendly quanto aparenta, especialmente pela forma como se liga aos dispositivos. Com três opções de ligação, pode ser ligado via cabo ou via Bluetooth à PlayStation 4 e via Bluetooth ao PC. Ligar à PlayStation 4 é fácil, mas estranho. Requer uma combinação de teclas e um segundo comando já registado na consola, para poder sincronizar e aceitar e registar o comando. Depois desta ação, o comando fica pronto a usar, com os seus perfis por defeito.

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A utilização com a consola pode ser feita também via cabo e tem as suas vantagens. Além de podermos carregar a sua bateria, estamos livres de problemas de latência e temos acesso ao áudio através da ficha de 3.5mm. Sem fios, a experiência é mais libertadora, mas, infelizmente, perdemos o acesso ao áudio incorporado, uma estranha decisão que acredito que seja para dar mais tempo de vida à sua fantástica bateria que só me pediu carga ao fim de uma semana. E também para evitar perdas de sinal por enviar apenas o input do comando.

Um pormenor estranho na experiência com a PlayStation foram as vezes que o comando deixava de ser reconhecido, mesmo aparecendo como registado na consola, que obrigava a um novo processo de sincronização, apagando o registo anterior. Sem razão aparente, era como se o comando perdesse a memória.

A personalização dos comandos é feita através da aplicação Raiju, também utilizada para o Raiju Tournament, disponível para Android e iOS. É através do modo Bluetooth para PC que esta ligação é feita aos dispositivos móveis, e é importante que se siga muito bem os passos no ecrã. De todas as vezes que foi necessário alterar algo no perfil, o comando raramente era reconhecido à primeira. Felizmente, depois desta barreira, é extremamente simples e muito intuitivo de alterar perfis, modificar as ações dos botões e até escolher as cores e padrões do sistema de iluminação Razer Chroma, que aparece em volta do track pad do comando.

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Menos positiva ainda é a experiência no PC, o que revela que este comando está mesmo pensado apenas para jogadores da PlayStation 4. Por defeito, o Razer Raiju Ultimate não é compatível com o Windows 10 PC. Com comando ou via Bluetooth, que aqui se revela super fácil de ligar, nenhum dos jogos testados, quer sejam títulos do Windows 10, Epic Games Store, Steam ou GOG, funcionou com o comando. Com a ligação por cabo, aqui a Razer não instala logo softwares e é automaticamente reconhecido pelos PCs, com as capacidades áudio a ficarem ativas e funcionais. Mas comandos nos jogos, nada.

Após alguma “investigação”, ou pesquisa, vá, pela página de suporte da Razer, foi possível encontrar uma solução: a instalação de um driver dedicado que transforma o Raiju Ultimate de forma a que o PC o reconheça como um comando Xbox e com quase todas as funcionalidades. Os botões extra funcionam como pretendido, com os diferentes perfis criados e com o botão de Home da PlayStation a servir de botão da Game Bar do Windows. Só mesmo a vibração é que não fica ativa.

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O Razer Raiju Ultimate utiliza uma porta micro-usb para se ligar à consola USB. Tecnicamente, isto permite que seja usado com qualquer cabo quando é necessário, isto é, se couber na ranhura que a Razer optou por colocar no comando, tal como nos outros modelos, obedecendo a uma forma que só o cabo que vem na caixa é que encaixa. É uma medida que garante que o comando não se desliga com facilidade do cabo, mas que limita a utilização de outros cabos compatíveis.

Em suma, o Razer Raiju Ultimate não é perfeito. É um excelente comando cheio de pequenas falhas chatas para quem procura algo all-in-one. Contudo, na sua promessa é exímio. Um comando para a PlayStation 4 que permite personalização e afinação dependendo da necessidade do utilizador. Por 199€, é difícil de o recomendar ao jogador comum. E na verdade, como puderam ler, há muita coisa que podia funcionar melhor. Ainda assim, é uma excelente alternativa ao DualShock tradicional.

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