Potion Permit

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Abram a vossa própria clínica e ajudem os vossos amigos neste descontraído jogo de gestão e aventura.

Perdido entre as exigências dos títulos de gestão e a experiência assente na repetição dos simuladores e jogos de sobrevivência, Potion Permit encontrou um nicho que funciona muito bem para o tipo de jogo que procura ser. Entre Harvest Moon, Stardew Valley e My Time at Portia, o título da MassHive Media foca-se numa aventura descontraída, mais preocupada em contar a simples história de Moonberry e dos seus habitantes, do ponto de vista de um químico que acaba de se mudar para a pacata aldeia à beira-mar. A exploração, a recolha de recursos e a criação de poções, que nos relembram a série Atelier, constroem uma experiência que procura suavizar as exigências desta mescla de géneros ao dar aos jogadores uma maior liberdade de abordagens e uma proximidade às personagens que complementam este mundo de química e magia.

Potion Permit destaca-se pelo seu foco na elaboração de remédios e medicamentos, com o nosso – ou nossa – protagonista a recolher ingredientes para conseguir desbloquear novas receitas e criar as poções que ajudarão a aldeia de Moonberry. Fora desta mecânica, Potion Permit poderá ser mais familiar para os que seguem este género, com a ação a focar-se na já mencionada Moonberry, uma aldeia pequena que é composta por vários pontos de interesse e um leque colorido de personagens, que podemos conhecer, travar amizade e até criar laços amorosos. Estas personagens têm rotinas e horários, o que significa que a aventura é regida por limites de tempo, no sentido em que terão de gerir o vosso dia se quiserem, por exemplo, realizar um dos part-time – que consomem sempre duas horas da vossa rotina -, falar com as personagens, aceitar pedidos e tarefas secundárias ou simplesmente conviver com os vossos novos vizinhos.

A socialização é uma das colunas de Potion Permit ao definir o tom e ambiência desta aventura por um mundo entre o natural e o científico. Ao travarmos amizade com os habitantes da aldeia, não estamos apenas a criar laços virtuais com as personagens, mas a desbloquear novos itens, missões e sequência de história que seriam impossíveis de aceder de outra forma. Potion Permit procura, na minha opinião, criar este ambiente de vizinhança, de descontração e boa disposição, onde a história clássica do estranho, que conquista lentamente a comunidade, é exponenciada pela jogabilidade, colocando a personagem principal como o novo químico – ou médico – da aldeia. Uma figura basilar que, aos poucos, conquistar o seu lugar como membro de uma comunidade anteriormente fechada e muito reticente à sua presença devido a problemas passados.

Existem várias atividades para descobrirmos em Moonberry, quase sempre aliadas à progressão da campanha. Se a pesca e os jogos de azar já são presenças garantidas em títulos desta natureza, tal como nos RPG, Potion Permit adiciona uma camada pessoal através do relacionamento entre personagens, que culmina no crescimento da aldeia, da nossa clínica – que podemos melhorar e decorar – e na presença de lojas que nos permitem evoluir o nosso equipamento. Com estas melhorias, a exploração e a recolha de itens evoluem satisfatoriamente ao longo da campanha, permitindo-nos recolher lenha, pedras ou qualquer outro ingrediente mais depressa e de forma mais eficaz, sem necessitarmos de gastar tanta energia nestas tarefas mundanas – que são regidas, como sempre, por uma barra de stamina. Como a progressão da campanha é feita através de obstáculos, que fecham certas zonas do mapa até desbloquearmos o evento narrativo necessário ou recolhermos os itens para eliminar as barreiras, é importante conhecer o mundo à nossa volta e desbloquear melhores equipamentos. O meu problema com este sistema é que Potion Permit é um pouco injusto com o número de materiais necessários para a aquisição de itens ou a construção de ferramentas, algo que demonstra o quanto a campanha acaba por não estar assim tão equilibrada no que toca à sua progressão.

Potion Permit procura criar um ambiente de vizinhança, de descontração e boa disposição, onde a história clássica do estranho, que conquista lentamente a comunidade, é exponenciada pela jogabilidade.

Por fim, temos a criação das poções e a gestão da clinica. Se Stardew Valley coloca-vos a gerir uma quinta, os seus animais e os campos de cultivo, já Potion Permit foca-se na mistura de ingredientes e na recuperação dos pacientes. Depois de recolherem os materiais necessários, têm à vossa disposição um caldeirão onde podem misturar tudo e criar uma nova poção. A mistura é simplificada, ainda mais do que o sistema utilizado pela série Atelier, com cada receita a apresentar um simples puzzle, onde temos de encaixar peças para ocupar os espaços vazios. A dificuldade surge nas formas das peças, que variam de ingrediente para ingrediente, e no limite de peças que podemos utilizar em cada poção. Não interessa o tipo de material que utilizam, como na série Atelier, mas sim o formato da sua peça, como se fosse um Tetris simplificado onde o objetivo é ocupar espaço e não eliminar as peças. Mas é um sistema acessível e existem momentos onde terão de repensar as peças que estão a utilizar ou até mesmo ir à procura de materiais que vos permitem encontrar as formas que necessitam, mas é mesmo muito imediato e intuitivo.

Com a poção pronta resta aplica-la nos nossos pacientes. Na clínica, temos várias camas disponíveis para as personagens adoentadas. Quando o alarme toca, já sabemos o que nos espera e basta deslocar-nos até à clínica para começarmos o nosso diagnóstico, que começa com a descrição dos sintomas. Com uma lupa, procuramos a origem destes sintomas e depois passamos para o diagnóstico, que assume o formato de um jogo de ritmo – com a pontuação a definir a satisfação do nosso paciente com o nosso tratamento. Depois é só aplicar as poções, remédios, pomadas à zona afetada e os pacientes estão recuperados. Claro que a dificuldade vai aumentando e obriga a uma maior gestão ao longo da campanha, mas Potion Permit é muito acessível no que toca ao desafio da sua jogabilidade.

Apesar de não fascinar, Potion Permit destaca-se por ser uma experiência sólida com uma aposta de nicho dentro do género de gestão e aventura. Os desafios podiam ser mais variados, o sistema de amizade podia ser mais desenvolvido e não tão simplificado – requerendo apenas que falem com as personagens, ofereçam presente e completem missões -, e a recolha de itens podia ser menos automática e ausente de barreiras constantes, mas é um jogo ideal para uma tarde descontraída.

Cópia para análise (PlayStation 5) cedida pela Best Visiton PR.

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