Entre a reestruturação e a expansão, Gleba explica como adapta fermentação natural à escala do Lidl sem comprometer qualidade do produto.
A Gleba e o Lidl formalizaram em junho, ainda antes do verão, uma parceria que colocou três pães de fermentação natural da marca de padaria artesanal à venda em permanência na secção de padaria de mais de 290 lojas Lidl em todo o país. Os produtos, identificados com o símbolo da Gleba, são produzidos com massa mãe viva e cereais 100% locais moídos em mós de pedra, e chegam às lojas através de uma cadeia logística de frio, sendo cozidos no local em várias fornadas diárias.
Foram selecionados três artigos para lançar a parceria, todos com base em oferta portuguesa: Pão Massa Mãe (Sêmea de Trigo, rústico), Cacetinho Massa Mãe (pão urbano e versátil) e Lanche Misto (recriação de um clássico nacional).
A colaboração nasceu da convergência entre a missão da Gleba – fazer regressar o “pão de verdade” às mesas portuguesas – e o propósito do Lidl de oferecer qualidade ao preço mais acessível, apoiando a produção local. Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, o CEO da Gleba, Diogo Amorim, refere que o objetivo central é a “democratização da qualidade do pão artesanal em Portugal”, mostrando que a qualidade não tem de ser exclusiva e tornando o pão de fermentação natural acessível a mais famílias, independentemente da região onde vivam.
A Gleba assegura a qualidade através do uso de cereais locais moídos internamente e da sua massa mãe viva, mantendo os princípios originais do projeto. Já o Lidl implementou um controlo de qualidade rigoroso, com logística de frio que preserva as características da massa até à cozedura nas lojas. A receita e o processo produtivo são supervisionados e aprovados integralmente pela Gleba, enquanto a produção em grande volume é assegurada por um fornecedor do Lidl, a Panike.
Um dos principais desafios foi adaptar processos artesanais, como a fermentação natural, à escala de uma insígnia como o Lidl, sem comprometer a qualidade. Segundo Diogo Amorim, foi necessário encontrar soluções que respondessem ao volume pretendido mantendo os mesmos princípios da Gleba, equilíbrio alcançado através de trabalho próximo entre as equipas das duas marcas.
A reação dos consumidores tem sido “fantástica”, disse o responsável, que vê nesta aliança um passo importante para garantir acesso ao pão da Gleba de norte a sul do país. A parceria é apresentada como de longa duração, com a Gleba atenta às necessidades dos clientes e à possibilidade de desenvolver mais produtos no futuro.
E quanto ao Processo Especial de Revitalização (PER)?
Como se sabe, a empresa encontra-se num Processo Especial de Revitalização (PER), aprovado em março de 2026 com o acordo de mais de 90% dos credores, que prolongou o prazo da dívida. O CEO sublinha na mesma entrevista que esta parceria com o Lidl não é um resgate à empresa, mas sim uma iniciativa focada na “democratização” de um artigo artesanal, fortalecendo a Gleba como selo de qualidade que agora chega a muito mais pessoas.
Diogo Amorim afirma ainda que nunca foi objetivo vender e “deixar cair a empresa”, garantindo que o foco esteve sempre em construir um projeto sólido e de longo prazo, mesmo em momentos difíceis.
E uma coisa é certa: mesmo que, e pelo menos a curto prazo, novas lojas não estejam na calha, a Gleba continua constantemente a fazer chegar novos produtos ao mercado.
