OIOAI no Musicbox – A banda regressou quase 10 anos depois

Já estava na hora de matar a saudade” – devem ter pensado os fãs dos OIOAI, que, no sábado, dia 3 de março, apresentaram o terceiro álbum, X, lançado oficialmente no dia 23 de fevereiro, com a distância de nove anos do disco Pela primeira vez (EMI, 2009). O concerto contou com a reunião de João Neto (guitarra), Pedro Puppe (voz e guitarra), Bernardo Barata (baixo) e João Pinheiro (bateria), aos quais foi adicionado João Gil (teclado e guitarra das bandas Diabo na Cruz e You Can’t Win, Charlie Brown). Tendo em conta a afluência, este último disco era mesmo esperado e, para a celebração deste regresso, foi escolhido o Musicbox, em Lisboa.

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A setlist consistiu essencialmente em faixas incluídas no novo trabalho (cujo artwork foi projetado no palco), e de onde foram extraídos os dois singles que abriram o concerto. O primeiro, “Ele melhora”, foi lançado em estreia em setembro de 2017 e trata-se de uma faixa estilo indie pop com uns sons de synth guitar de estilo Hammond (orgão), artifício frequentemente utilizado no último album, que bem se harmoniza com a voz principal de Puppe e as segundas vozes da banda.

O segundo single “Pintar o Mar”, com um som rock alternativo, recorda vagamente os Arcade Fire e aborda a questão das explorações de gás e petróleo na Costa Vicentina que provocaram manifestações em defesa do mar e do território. O refrão é claro: “Não vou deixar pintar o mar de preto”, uma clara alusão sobre a importância de preservar o ambiente.

Após um início quente, os OIOAI introduzem “A voz que eu oiço”. Entretanto, o Musibox começa a encher e passamos de uma bateria eletrónica às sonoridades lo-fi da faixa experimental “Verde”. Até aqui, o estilo de X pertence ao rock alternativo que, no caso de “Um Homem”, oscila com a atmosfera post-rock sobre a temática da instabilidade da condição humana à mercê das adversidades, assim como “Não sei” é uma reflexão sobre as expetativas que conseguimos (ou não) realizar (“Não sei se procurava o que eu encontrei”).

Depois de uma breve interrupção por razões técnicas, chega a introdução de harmónica de “Estão Iguais”: um encontro entre velhos amigos, memórias de adolescência e da casa dos pais. O mesmo concerto parece celebrar este “regresso a casa” da banda, paradigma de um novo encontro.

Através dos ritmos acelerados de “Vulcão” chegamos ao sound noise de “Terra Deserta” (uma das minhas favoritas), e a “Sozinho”, que me lembra (não sei bem porquê) os “primeiros” Radiohead, com a participação de Tiago Bettencourt. O disco é também influenciado por músicos portugueses, como Sérgio Godinho e Jorge Palma, e bandas como Ornatos Violeta e Xutos & Pontapés.

E foram os Xutos, banda com a qual os OIOAI colaboraram em 2008 na realização do tema “Pertencer”, que faz parte do álbum UPA – Unidos para Ajudar, que mereceram o destaque por parte dos membros da banda. Aquele álbum contou com a participação de vários artistas portugueses a favor da Associação Encontrar-se, que luta contra a discriminação das pessoas que sofrem de doenças mentais. “Pertencer” é uma faixa que reflete sobre o isolamento e a exclusão social, reconhecida aqui de modo unânime por todos os fãs.

Estamos na fase final e, por isso, é tempo de mexer um pouco mais. “Ponto Fraco”, do segundo álbum, faz lembrar os Franz Ferdinand e os Editors e dá a última carga ao público lotado junto ao palco, seguindo-se “Deves estar a chegar”, do primeiro OIOAI (EMI, 2006), que faz dançar pelo ritmo quase folk.

O concerto acaba aqui. Ou ainda não. Após uma rápida pausa, há espaço para o punk rock de “Que se foda” e para um medley de composições antigas, entre as quais as enérgicas “Trinta Pés” e “Jardim das Estátuas”.

Assim como o novo álbum, o regresso da banda portuguesa foi bom e esperamos que esta reunião possa perdurar e, sobretudo, que não tenhamos de esperar quase dez anos por um próximo disco: seria uma pena ter de correr atrás do passado mais uma vez. Welcome back, OIOAI.


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