Asha Sharma e Matt Booty assinaram um comunicado conjunto dirigido à equipa interna da Xbox com novos objetivos para a marca e a definição de quatro pilares que vão guiar a divisão.
A Xbox celebra este ano ao seu 25º ano, com mais de 500 milhões de jogadores em todo o mundo, mas também com um acumular de problemas que, agora, a sua nova liderança decidiu confrontar de forma mais direta. Com isso em mente, a nova CEO Asha Sharma e o diretor de conteúdo Matt Booty tornaram pública esta semana uma extensa comunicação interna dirigida aos trabalhadores da divisão de jogos da Microsoft, na qual traçaram uma estratégia para os próximos anos com a promessa de uma transparência pouco habitual na indústria dos jogos.
O diagnóstico feito à Xbox que apresentam é claro e autocrítico. Sharma e Booty reconhecem que as novidades para consola têm chegado com menos frequência do que os jogadores esperariam, que a presença da Xbox no PC está aquém do necessário, que os preços dos serviços como o Game Pass têm dificultado a adesão de novos jogadores, e que outros elementos como as funcionalidades de pesquisa, descoberta, vida social e personalização continuam demasiado fragmentadas. Estas análises estendem-se ao feedback pedido pelas editoras e criadores, que reclamam melhores ferramentas, mais dados analíticos e uma plataforma que os ajude a crescer mais depressa. E aos jogadores que “estão frustrados” – admitem diretamente os dois responsáveis, sem reservas.
Em teoria, a resposta que Sharma e Booty propõem assenta numa plataforma global que liga jogadores e criadores em todo o mundo, com a consola no centro das atenções e a cloud a estender essa experiência para qualquer outro dispositivo. A promessa é que os jogos, progresso, amigos e identidade de cada jogador o acompanhem independentemente do contexto em que jogue, seja na consola, no PC, no telemóvel ou via cloud. Afirmam ainda que a nova Xbox (a futura geração) deverá ser acessível, pessoal e aberta, com preços flexíveis e uma experiência que se adapta a cada utilizador, incluindo recomendações personalizadas e ligação às pessoas certas. Claro que tudo isto são desejos e teremos que esperar por futuros anúncios e detalhes para comprovar se a missão é cumprida, no entanto, esta semana já houve um pequeno sinal nessa direção, com a descida de preço do Xbox Game Pass Ultimate, que passou dos 26,99€ para os 20,99€ mensais.
A nova métrica do sucesso da divisão passa a ser o número de jogadores ativos diários, substituindo indicadores mais tradicionais como as vendas de consolas ou de jogos. Em torno desse objetivo, Sharma e Booty definem quatro prioridades. No hardware, o foco está em estabilizar a geração atual de consolas, desenvolver o Project Helix como proposta de topo capaz de correr jogos de consola e de PC num único equipamento, e fortalecer o ecossistema de acessórios. No conteúdo, a Microsoft quer expandir as suas franquias mais duradouras, reforçar parcerias com editoras externas, entrar nos mercados da China e em mercados emergentes, e apostar crescentemente em audiências que jogam em dispositivos móveis, com propriedades intelectuais como o Minecraft, o Elder Scrolls e o Sea of Thieves identificadas como exemplos a elevar. A nível de experiência, o objetivo passa por resolver os problemas mais básicos da plataforma e remodelar completamente os sistemas de descoberta, vida social e personalização. E no que toca a serviços, a Microsoft procura reforçar a diferenciação do Xbox Game Pass, tornar a cloud mais nativa e viável em televisores e dispositivos de baixo custo, e recorrendo a aquisições estratégicas onde o crescimento orgânico for demasiado lento.
O comunicado pode ser lido na integra no Xbox Wire, resta agora esperar por futuros anúncios, que sejam, de preferência, positivos para todos.
