NOS Alive 2018 | Nine Inch Nails – Uma hora de fúria constante

O horário a que tocavam podia não ser o mais indicado – assistir a um concerto dos Nine Inch Nails em pleno dia não faz muito sentido -, mas a banda de Trent Reznor deu um espetáculo a rasgar e para mais tarde recordar.

Inseridos antes de uns simpáticos Snow Patrol e de uns aborrecidos Arctic Monkeys, os NiN poderiam muito bem ter sido um dos cabeças de cartaz. Têm esse estatuto, na verdade. E, mesmo não o sendo, mostraram que o mereciam sem quaisquer dúvidas, apresentando um set esmagador e que faria corar de inveja muitas bandas jovens que por aí andam.

Do nada, sem qualquer aviso, começamos a ouvir a bateria de “Wish”, para, logo de seguida, chegar toda a banda em palco. Trent Reznor, do alto dos seus 53 anos, estava ali com toda a força e pronto a despachar as suas cartadas. Furioso como o tão bem conhecemos, conquista facilmente a audiência, mesmo que estes não fossem os maiores fãs da banda.

Não foi, porém, um concerto para toda gente. Muitos festivaleiros devem ter ficado, no mínimo, chocados, com a agressividade no som dos americamos. Mas se uns ficaram sem palavras, outros curiosidades chegaram a casa e foram ouvir mais temas no Spotify.

E não é para menos. Afinal, é um som muito caraterístico, este rock industrial cheio de escuridão até mais não, com laivos de Joy Division e Depeche Mode, e dançável q.b., que até pode custar a entrar no ouvido, mas que depois fica na cabeça.

À medida que o concerto ia decorrendo, notava-se a excelente forma da banda, ainda que, aqui e ali, tenha andado algo afastada do palco. Mas não pareceu, uma vez que o fulgor era tanto que só estavam ali para tocar e pouco dados a conversas.

Logo ao terceiro tema gritava Reznor “Let´s Go Pigs!” para, logo de seguida, ouvirmos a icónica “March of the Pigs”. Já do novo álbum Bad Witch escutámos “Shit Mirror” e “God Break Down the Door”, mostrando que, após todos estes anos, continuam a conseguir marcar a diferença.

Seguidamente tivemos a brilhante “Closer”, um clássico de 1994, que meteu toda a gente a entoar o célebre verso “I wanna fuck you like an animal” e, assim que terminou, começou logo “Copy of A”. São temas icónicos que definem uma carreira, ainda que este último tema faça parte de Hesitation Marks, lançado em 2013.

Houve ainda tempo para uma cover de “I’m Afraid of Americans”, de David Bowie, e, claro, de “Head Like a Hole”. Para o final, a calmaria depois da tempestade sonora com “Hurt”, qual mais, a encerrar um concerto com chave de ouro e que colocou milhares de festivaleiros a entoar o refrão do tema. E não é qualquer um que consegue colocar em silêncio um festival onde os presentes falam pelos cotovelos.

Um concerto fortíssimo, intenso e com uma excelente interpretação por parte de Trent Reznor e seus companheiros, que pecou apenas por curto. Pede-se com urgência um concerto em nome próprio.

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