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NOS Alive 2018 | Arctic Monkeys – Onde é que está o rock?

Quando foram anunciados para o NOS Alive, muitos ficaram radiantes por saber que tinham mais uma oportunidade para ver os Arctic Monkeys, eles que já foram felizes nos concertos que deram por cá. Porém, aquele que podia ter sido um grandioso concerto, foi simplesmente aborrecido.

Aquando do lançamento de AM, em 2013, Alex Turner e companhia já davam sinais de que iriam mudar de pele. Apesar de ser um álbum excelente, faixas como “Why’d You Only Call Me When You’re High” e “I Wanna Be Yours” deixavam antever uma mudança na sonoridade. E foi com Tranquility Base Hotel & Casino, que surgiu cinco anos depois, que isso ficou comprovado. O pior é que, ao vivo, tudo se torna mais morno.

“Onde está o barulho?” foi, certamente, uma das questões que passou pela cabeça de muitos festivaleiros quando o concerto já ia a meio. Nota-se que a banda de Alex Turner já não se identifica muito com os sucessos do passado; Tranquility Base Hotel & Casino deixou as guitarras de lado e apostou em canções pouco ou nada amigas de contexto festivaleiro, sendo mais indicadas para um momento de convívio entre amigos.

Minutos depois de terem entrado em palco, a banda arrancou com o mais recente single “Four Out Of Five”, um dos melhores momentos do último disco, mas que peca por se arrastar demasiado nos seus 5:12 minutos de duração.

Logo de seguida “Brianstorm”, que se pedia explosiva, mas alguma coisa não estava bem. Seguiram-se “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”, “Teddy Picker” e, até, “505”, que costumava encerrar concertos apoteóticos mas que, agora, aparece entre as primeiras 10 músicas tocadas.

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Finalmente percebia-se: as músicas estavam a ser tocadas a um ritmo mais lento e os próprios arranjos tinham sido alterados, aqui e ali, para que, provavelmente, soassem o mais parecidas possível aos temas do último álbum. Não há mal nenhum nisto; o problema é que retira aquele fator diferenciador, aquela energia e irreverência que os macacos do ártico conseguiam nos seus espetáculos ao vivo.

Ainda que os fãs fossem registando momentos de mais ou menos euforia – “505”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?” e “Do I Wanna Know?” entre os destaques –, a verdade é que o concerto em si foi bastante morno. Se eles ainda sabem fazer barulho, não foi certamente no NOS Alive que o demonstraram.

Não se pode, porém, dizer que esta lentidão não assente bem. Necessitam é do contexto ideal, e, no âmbito festivaleiro, a coisa simplesmente não funciona. Num teatro, com lugares sentados, onde Alex Turner pudesse ir falando com o público, talvez a experiência fosse outra.

Nesta sua nova fase de artista, e aos 32 anos de idade, o outrora miúdo de Sheffield quer ser uma persona que ainda não está preparado para o ser. Vimo-lo como um puto rebelde com o seu garage rock que movia multidões, e, na verdade, é essa a pele que lhe assenta que nem uma luva. Ao querer vestir a pele de crooner – bem ao estilo de um Nick Cave – mostra o quão ainda não está preparado para o ser.

Chegávamos a “I Bet You Look Good on the Dancefloor” e Alex Turner mostrava precisamente o quão farto está do passado. “Se esta canção significava pouco quando foi escrita, hoje significa ainda menos”. E isto não caiu nada bem.

Já regressados para um encore – pouco pedido, diga-se – ainda ouve tempo para “Star Treatment”, “Arabella” e “R U Mine?”, a fechar um concerto que podia ter sido muito mais do que foi.

Fica a questão: afinal, quem são, em 2018, os Arctic Monkeys?


 

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