Crítica – Last Christmas

Kate (Emilia Clarke) percorre Londres num amontoado de más decisões acompanhadas do tilintar dos sinos nos seus sapatos, outra consequência irritante do seu trabalho como elfo numa loja de Natal aberta o ano todo. Tom (Henry Golding) parece bom demais para ser verdade quando entra na sua vida e consegue ver através das muitas barreiras que Kate tem. Enquanto Londres se transforma na época mais maravilhosa do ano, nada parece funcionar para os dois. Mas às vezes é preciso deixar a neve cair, ouvir o seu coração… e ter fé.

Não sou o maior fã de comédias românticas puras (as chamadas rom-coms). Não creio que adore absolutamente um filme deste género e, se adorar, provavelmente não pertence exclusivamente à lista de rom-coms (podem ser musicais, dramas, etc). Na maioria das vezes, aprecio-os o suficiente para passar um bom tempo. Muito raramente, sinto-me totalmente dececionado ou com um sentimento de ódio em relação a algum. Paul Feig entregou um par de comédias hilariantes durante a sua carreira (Bridesmaids, Spy), e o subvalorizado/despercebido A Simple Favor, o qual gostei bastante.

Com Emma Thompson (Adelia) a utilizar dois chapéus, o de atriz secundária e o de argumentista, e com Emilia Clarke e Henry Golding como protagonistas, Last Christmas foi-se tornando mais e mais cativante na sua semana de estreia, deixando-me genuinamente entusiasmado para a sua sessão.

Este filme de Natal cai no meio. Não posso afirmar que “gosto” assim tanto, mas deixei a sala de cinema feliz e razoavelmente entretido. Surpreendentemente, possui um tom dramático bem no seu fundo, mas este nunca é explorado totalmente, mantendo o ambiente alegre e festivo durante a maior parte do seu tempo de execução. Clarke e Golding partilham uma química incrível e as suas cenas são muito românticas, doces e emocionais.

No entanto, é mais do mesmo. Last Christmas não traz nada de novo, uma vez que segue os mesmos clichês que todas as outras rom-coms seguem.

Last Christmas

A única decisão ousada e diferente na história é um plot twist que levanta demasiadas questões lógicas. Em vez de carregar um impacto emocionalmente poderoso, oferece simplesmente um choque inicial que desvanece a partir do momento em que se começa realmente a pensar no mesmo. Mesmo assim, louvo esta escolha de storytelling. Nunca é fácil construir um twist, mas a verdade é que, se Emma Thompson e Bryony Kimmings não arriscassem, não teria passado toda a viagem de volta para casa a pensar sobre o filme. Provavelmente, teria-me esquecido do mesmo assim que entrei no carro. Por isso, ficam os parabéns por tentarem algo diferente, mesmo que não tenha funcionado assim tão bem para mim.

Apesar do que o último parágrafo explica, Thompson compensa ao brilhar como a mãe de Kate. Sem quaisquer tropeços aqui. É hilariante e tem algumas das falas mais engraçadas de toda a película. Michelle Yeoh (Santa) também tem um par de momentos divertidos, mas a sua história secundária parece demasiado forçada. Emilia Clarke incorpora a “falta de jeito” e esquisitice da sua personagem sem problemas. Se estão familiarizados com as entrevistas de Clarke e a sua figura pública, então perceberão que Kate é basicamente o reflexo exagerado de Clarke.

Apesar da sua falta de sorte, não deixa de ser encantadora e uma boa pessoa que teve de ultrapassar um evento traumático que mudou a sua vida (onde já vi isto?). Golding é glamoroso e perfeito como esperado, especialmente porque a sua personagem precisava exatamente desses atributos.

A relação entre os dois cresce de uma forma não tão realista e, apesar desta poder ser justificada pelo twist do último ato, outros pontos do enredo não são. O meu problema principal com Last Christmas está realmente relacionado com os últimos 20 minutos. Em adição ao twist, todos os subplots são fechados como se nada tivesse acontecido. Desde uma situação familiar particular que toca no tema da orientação sexual a todo o romance de Yeoh, todos são resolvidos fora do ecrã ou com demasiada facilidade.

Last Christmas

É uma montanha-russa de boas e más decisões no argumento. Contém um par de descidas e curvas apertadas excitantes, mas a maior parte é uma viagem lenta, sem momentos verdadeiramente entusiasmantes ou magníficos.

Last Christmas tenta ser o próximo clássico de Natal, mas fica aquém do seu objetivo. Com um elenco fantástico, incluindo dois protagonistas charmosos e emocionalmente convincentes como Emilia Clarke e Henry Golding, Paul Feig entrega um filme alegre e festivo, mas recheado com clichês e um twist que não funciona muito bem. Emma Thompson brilha enquanto personagem, mas tem algumas falhas ao co-escrever o argumento com Bryony Kimmings, mostrando dificuldades significativas em atar todos os fios soltos deixados pelas histórias secundárias.

Apesar dos seus problemas de storytelling, recomendo Last Christmas a todos aqueles que adoram filmes sazonais (especialmente, de Natal) com uma mensagem bonita, alguns momentos divertidos e uma banda sonora repleta com as nossas canções favoritas de George Michael.

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