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Crítica – Exterminador Implacável: Destino Sombrio

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Linda Hamilton (Sarah Connor) e Arnold Schwarzenegger (T-800) regressam ao grande ecrã na pele das suas icónicas personagens em Exterminador Implacável: Destino Sombrio. Este filme, realizado por Tim Miller (Deadpool) e produzido pelos visionários cineastas James Cameron e David Ellison, conta também com Mackenzie Davis (Grace), Natalia Reyes (Dani Ramos), Gabriel Luna (Rev-9) e Diego Boneta para contar a história após os eventos de Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento.

No que toca à franchise Exterminador Implacável, partilho da mesma opinião que a grande maioria das pessoas. O original de 1984 tornou-se um clássico de culto e é um dos filmes de ficção científica/ação mais influentes de sempre. T2 é uma das raras sequelas a um filme tão amado que realmente supera o seu antecessor, mantendo-se ainda hoje como o filme número um da saga, em relação tanto à sua qualidade como em termos de entretenimento.

James Cameron deixou a franchise e, de repente, foi tudo pelo esgoto. Enquanto que Exterminador Implacável 3: Ascensão das Máquinas ainda é tolerável, A Salvação é terrível e o “famoso” reboot, Genisys, não conseguiu mudar a história da saga de forma convincente.

Logo, obviamente, apesar do regresso de Cameron à produção, as minhas expetativas eram moderadamente baixas (honestamente e não querendo ofender nenhum leitor, qualquer outro tipo de expetativa é algo irrealista e significa ceder ao fanboy-ismo que um blockbuster destes provoca).

Dito isto, Destino Sombrio é o melhor filme da saga pós-T2… o que não vale muito. Os dois últimos filmes têm grandes elencos (basta referir Christian Bale e Emilia Clarke), mas os seus guiões são desconcertantemente maus.

Desta vez, o elenco tem uma química incrível e as suas personagens possuem um diálogo melhor construído, mas com um custo associado. Os últimos três filmes contêm histórias que não são tão cativantes ou divertidas (ou mesmo racionais) como as das duas primeiras películas. Destino Sombrio tem um argumento muito melhor, mas novamente tudo com um custo. Que custo é este? Basicamente, repetem exatamente os mesmos pedaços de história do primeiro Exterminador Implacável.

Existe uma linha extremamente fina entre prestar homenagem a um filme e copiá-lo descaradamente. Os argumentistas de Tim Miller percorrem essa linha, tropeçando para ambos os lados várias vezes ao longo do caminho. Algumas cenas são, de facto, pormenores maravilhosos referentes às duas primeiras parcelas da saga, mas muitos outros momentos (demasiados, para ser honesto) são praticamente uma versão copy-paste ou de um ponto de enredo importante ou de um arco de personagem pertencentes a um desses filmes.

Esta é a razão por detrás de algum “ódio” de críticos e fãs um pouco por todo o mundo. Hoje em dia, as pessoas são mais rigorosas com este tipo de “homenagens” e a linha previamente mencionada está a ficar cada vez mais fina.

Outra razão para as opiniões negativas é a sequência de abertura. Não se preocupem, não a vou spoilar. Simplesmente tomam uma decisão narrativa repentina e surpreendente que retira um pouco do impacto emocional de T2, pelo menos sem primeiro esclarecer as razões pelas quais assim decidiram.

Dito isto, dei ao filme a oportunidade de desenvolver a sua ideia, mas este não o fez. Apenas “segue viagem” e nunca regressa a este momento inicial. Tendo isso em mente, entendo qualquer pessoa que tenha decidido odiar o filme imediatamente após a primeira cena. Realmente, não oferecem qualquer justificação para além de “bem, precisamos de uma história”.

O argumento de Destino Sombrio é emocionalmente convincente e também se encontra repleto de sequências de ação bem realizadas (na sua maioria), mas assemelha-se muito ao enredo original de 1984. Existe até uma fala direta de Sarah Connor afirmando que uma personagem em particular é o equivalente ao seu filho, John.

Esta exposição desnecessária e preguiçosa não é tão utilizada como antecipava, mas quando ocorre, é quase como se tivessem escolhido os piores momentos possíveis para a colocar. No entanto, não posso negar que me diverti com o filme.

Com um guião muito melhor do que os últimos filmes, o elenco foi capaz de não só brilhar em algumas cenas, como a sua química incrível permitiu momentos excecionais. Ver Linda Hamilton interpretar Sarah Connor mais uma vez é uma delícia para os meus olhos e Arnold Schwarzenegger é um badass impressionante com um guião hilariante. Estes dois são fenomenais!

No entanto, Mackenzie Davis rouba os holofotes como a militar “melhorada”, Grace, especialmente em relação às cenas de ação. Não acredito que Natalia Reyes tenha oferecido aquilo que a sua personagem precisava, até porque é a protagonista, mas é capaz de se aguentar. Gostei de Gabriel Luna a retratar o Terminator Rev-9, mas desejava que tivesse um pouco mais de tempo de ecrã para além de toda a ação.

Tim Miller traz o seu talento enquanto realizador de Deadpool e aplica as suas técnicas de ação para entregar um monte de sequências dignas de entretenimento puro. A equipa de efeitos visuais fornece um CGI impecável, mas há um ou outro take com speed bursts que deveriam ter recebido um melhor tratamento.

Resumindo, Exterminador Implacável: Destino Sombrio é o melhor filme da saga pós-O Dia do Julgamento, mas, mesmo assim, nem sequer chega aos calcanhares deste último. Possui um elenco fantástico, com Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger a regressarem aos seus papéis icónicos respetivos, mas Mackenzie Davis rouba-lhes a atenção com alguns momentos espetaculares e uma grande atuação. Natalia Reyes, como protagonista, está desapontantemente “okay”.

Apesar da ação ser bem realizada e o argumento bem escrito, tudo é criado à custa de replicar essencialmente o enredo do original de 1984. Algumas homenagens são notáveis, mas é tão idêntico em termos de história que remove qualquer expetativa de surpresa, revelando uma severa falta de criatividade.

Além disso, uma decisão narrativa questionável na sequência de abertura remove algum impacto emocional de T2, prejudicando o melhor filme da saga e um dos melhores filmes de ficção científica/ação de sempre. Não o recomendo propriamente, mas se são fãs da saga, vejam no cinema… com expetativas moderadas.

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