Crítica – Irresistible

Irresistible tem um conceito ousado e inteligente, mas, se não fosse pelo seu elenco, seria um filme francamente mau.

Irresistible

Gary Zimmer (Steve Carell), estratega do Partido Democrata, pensa ter encontrado a forma de ganhar as eleições municipais numa pequena cidade conservadora do Wyoming após descobrir o vídeo onde um antigo coronel dos fuzileiros (Chris Cooper) apoia os trabalhadores locais que se encontram no país sem documentos. Para o impedir, o Partido Republicano envia Faith Brewster (Rose Byrne), também ela uma brilhante diretora de campanha. Os dois dão início a uma descontrolada corrida pela alma da pequena cidade.

Se alguém me perguntar o que removeria do planeta para o tornar um lugar melhor, a minha resposta seria sempre ou política ou religião. Ambos são necessários à sua maneira, mas tudo o que vejo são mentiras, corrupção, racismo, guerra, morte e muito mais. Sendo assim, não sou fã de filmes políticos, mesmo quando estes são feitos com o propósito de serem sátiras ou simplesmente um filme leve para as famílias desfrutarem. Dito isto, sempre gostei do talk show de Jon Stewart (realizador e argumentista) e Steve Carell é um daqueles atores que consegue sempre fazer-me rir independentemente do material. Portanto, decidi dar a este filme uma oportunidade…

Sinto-me muito dividido, mas provavelmente não devido ao que a maioria das pessoas partilharão umas com as outras. Ao viver em Portugal desde que nasci (um país europeu com um processo de eleição totalmente diferente) e tendo praticamente zero de interesse em política, tive algumas dificuldades em entender completamente a maneira de fazer campanha e de votar da América, algo que até é um dos pontos que o filme eventualmente faz: de que o sistema não é o mais correto. Ironicamente, uma das melhores partes está parcialmente relacionada com um dos meus maiores problemas. Os últimos 15 a 20 minutos desenvolvem uma ideia genuinamente inteligente, apesar de ser logicamente ridícula, mas fez-me desejar que todo o filme a tivesse explorado.

Desde o início do filme até ao começo destes últimos minutos, é uma comédia política bastante direta, sem nada de remotamente único ou inovador. A maioria das piadas não me fizeram sequer largar um sorriso e, quando o fiz, foi mais devido à prestação do ator do que à piada em si. Irresistible segue um ciclo formulaico de eventos, onde Democratas e Republicanos ficam constantemente um passo à frente uns dos outros com uma nova ação de campanha caída do céu. Honestamente, torna-se cansativo e aborrecido a partir de determinada altura.

Irresistible

É assim que os últimos minutos que abordo acima se relacionam com esta situação: gostava que o filme tivesse explorado esta ideia final em vez de guardá-la para um plot twist que está longe de ser arrebatador. Sim, é uma ideia totalmente irrealista no sentido em que é impossível que esta ocorresse sem que alguém estragasse tudo. No entanto, prefiro ter um filme com um conceito ilogicamente ousado, possuindo uma mensagem realmente impactante, do que salvar esta porção para ser o fim de uma sátira política cheesy, clichê, sem graça nem entretenimento razoável.

Honestamente, sem o elenco extraordinário, Irresistible teria sido um desastre total. Steve Carell, como esperado, carrega a obra para porto seguro. Sempre adorei os seus maneirismos e expressões, mesmo quando algumas pessoas os acham exagerados ou desnecessários. Não consigo não gostar das suas prestações. Captura perfeitamente a personalidade de “homem da capital”, alguém que não sabe como lidar com a hospitalidade da América Rural ou como falar com o povo de Deerlaken ou mesmo o que pedir num dos seus bares.

Chris Cooper também entrega um papel fenomenal como Jack Hastings, o candidato Democrata. A sua vontade em salvar a sua cidade e o seu amor por todos aqueles que vivem nela levam-no pelo caminho torto da política, mas sem nunca desistir daquilo em realmente acredita. Não quer mentir, não quer jogar como os outros jogam, apenas quer ser ele próprio. Mackenzie Davis regressa às suas boas performances (adorei-a em Terminator: Dark Fate, mas The Turning foi um erro terrível na sua carreira), ao interpretar a filha não-tão-inocente, Diana Hastings.

Finalmente, gosto de Rose Byrne, mas a relação da sua personagem com Gary Zimmer também é um dos meus maiores problemas com o filme. São o componente mais irritante de tudo. Extremamente clichê, nada engraçado e os diálogos tornam-se exageradamente improvisados. As bocas que vão trocando um com o outro durante minutos a fio desequilibram constantemente o tom. Este tipo de relação tóxica-mas-sexy já foi representada tantas vezes que começa a ser incrivelmente azucrinante. Jon Stewart claramente precisa de algumas notas de forma a que, no seu próximo projeto, consiga distinguir uma longa-metragem de um sketch de um talk show.

Irresistible tem um conceito ousado e inteligente que, apesar de ser irrealisticamente absurda, carrega uma mensagem impactante que adorava ter visto explorada a um nível mais detalhado e não apenas nos últimos quinze minutos. Este filme de Jon Stewart está no seu melhor quando faz pequenas piadas subtis sobre temas importantes da vida real, como racismo, imigração, violência de armas, corrupção política e muito mais, mostrando aos espetadores como certas pessoas estupidamente reagem em determinadas situações.

No entanto, se não fosse por um Steve Carell fantástico e um elenco excecional, o filme teria sido uma autêntica catástrofe. Com uma narrativa formulaica sem humor efetivo nem caraterização única, Irresistible tem dificuldades em ser remotamente divertido. Também apresenta uma relação tão clichê e irritante entre duas personagens que me fez revirar os olhos e suspirar com demasiada frequência. Uma comédia que raramente me faz rir de uma atividade que odeio profundamente… Não funcionou comigo, mas se gostam deste subgénero, força!

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