Eddie Vedder na Altice Arena – O regresso para junto dos seus

Não foi um concerto esgotado, mas esteve lá quase, até porque a produção tinha libertado uns quantos bilhetes à última da hora. Mas isso não impediu, de forma alguma, que a noite da passada quinta-feira, dia 20 de junho, não ficasse na memória dos milhares de fãs de Eddie Vedder que se encontravam na Altice Arena. E por muitos anos, esperamos nós.

Foi o terceiro espetáculo do vocalista dos Pearl Jam a solo no nosso país, sendo o primeiro em nome próprio, isto é, sem estar inserido num contexto de festival. E desenganem-se aqueles que pensavam que iam ver algo parecido com Pearl Jam. Não.

Os concertos a solo de Eddie Vedder são totalmente diferentes. E aparenta ser um homem simples. Bastam-lhe alguns adereços de palco, as suas guitarras e uma garrafa de vinho. A fórmula parece bastante básica, mas funciona de forma impecável. Esta “outra pele” assenta que nem uma luva a Vedder, que, assim, se mostra mais próximo, falador e, quiçá, descontraído, dos seus amigos.

Antecedido em palco por um quarteto de cordas, que deu início à iminente entrada de Eddie Vedder com uma versão de “Alive”, o frontman dos Pearl Jam chegou, disse “let’s go” e deu início ao concerto com “Far Behind”, canção que compôs para o filme O Lado Selvagem. Logo depois, “Just Breathe”, tema que foi cantado em coro, pois claro.

Como é apanágio cada vez que passa pelo nosso país, Vedder lá trazia as habituais cábulas para se dirigir, num português que vai ficando aprimorado com o tempo, ao público que enchia a Altice Arena.

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Eddie Vedder na Altice Arena – Créditos: Tiago Cortez / Everything Is New

“Boa noite”, disse Vedder, numa sala já iluminada. “É a 11ª vez que estou em Portugal e a quarta em cinco anos. Vocês sabem como eu gosto de cá estar. Ainda falo muito mal português, mas é muito difícil e vocês são espertos”, disse ao mesmo tempo que ia recebendo ora palmas, ora gargalhadas do público pela aparente dificuldade com palavras mais específicas.

À medida que o concerto ia decorrendo, e que Eddie Vedder ia partilhando confidências, notámos que o público, mesmo tendo em conta que estávamos perante uma espécie de espetáculo em acústico (que muito ganhou com a adição do Red Limo String Quartet em alguns temas) tem um carinho especial por Vedder, coisa rara de se ver.

Ao nosso lado, um colega da área dizia: “Não conheço nenhuma outra banda ou artista que tenha este impacto no público como tem o Eddie Vedder”. Se pararmos para pensar um bocadinho, é, de facto, bem verdade. Um espetáculo sem a habitual banda dá logo outro ambiente, e, muitas das vezes, acaba por ficar algo demasiado “frágil”, mas, no caso de Eddie Vedder, acaba por ganhar uma outra dimensão. É como se esta fosse a sua sala de estar, digamos assim, onde nós, amigos de longa data, assistimos às suas performances e celebramos com ele.




Estes concertos a solo acabam por ser uma celebração da sua vida e música com quem segue com cuidado a sua carreira. E este, em especial, acabou por contar com um bocadinho de tudo: houve uma prenda de aniversário para uma jovem que celebrava anos naquele dia e que se encontrava a assistir ao concerto com o seu pai (e que teve direito aos parabéns cantados), houve dedicatórias e, até, distribuição de copos de vinhos para alguns elementos do público. Alguém poderá dizer que existem muitos concertos assim por aí?

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Eddie Vedder na Altice Arena – Créditos: Tiago Cortez / Everything Is New

Ora variando pelas diferentes guitarras, ora pelo ukelele, Eddie Vedder mostrou estar em plena forma. Voz no ponto, capaz de agigantar qualquer um e encher facilmente a Altice Arena, a felicidade com que o artista demonstrava por estar ali, junto dos seus, chegava a ser palpável.

Contrariamente aos espetáculos recentes que tinha dado, Vedder acabou por pensar num alinhamento mais personalizado para os portugueses. Deixando de lado várias das versões que tocou nos outros países, o vocalista aproveitou para tocar músicas que ainda não tinha apresentado nesta tour, casos de “I’m Open”, “Off He Goes” (ambas dos Pearl Jam) ou de “Satellite”, “Long Nights”, “I’m So Tired” (dos Fugazi) e, claro, “Imagine” (já no encore), do malogrado John Lennon, onde Vedder pediu que toca a gente sacasse dos telemóveis e ligasse a lanterna para que alguém filmasse e enviasse para aqueles fora da Altice Arena. “Vai dar um momento giro”, gracejou.

Pelo meio, claro, temas incontornáveis, cantados pelas milhares de pessoas ali presentes, que várias vezes se levantaram dos seus assentos: “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, “I Am Mine”, “Wishlist”, “Driftin’, “Black”, “Better Man”, “Porch”, “Jeremy” (sim, houve mesmo muito de Pearl Jam) ou as muito apreciadas “Society” (cover de Jerry Hanna) ou “Hard Sun” (cover de Indio), neste caso a terminar um segundo encore.

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Eddie Vedder na Altice Arena – Créditos: Tiago Cortez / Everything Is New

Contando com Glen Hansard (que deu um espetáculo do caraças em 30 minutos de concerto) e com os Red Limo String Quartet nuns quantos temas, o último, claro, teria de ser “Rockin’ in the Free World”, do icónico Neil Young.

Terminavam, assim, duas horas de um belíssimo concerto, que se espere que fique na retina de muitos dos presentes naquela noite. Afinal, se muitos dos presentes ali acompanharam a estreia dos Pearl Jam em 1996 no extinto Dramático de Cascais, outros tantos não quiseram faltar a esta estreia de Eddie Vedder num concerto em nome próprio, logo na maior sala de espetáculos do país.

Numa próxima, esperemos que Eddie Vedder dê um concerto de estádio. Deve ser ainda mais impressionante.

Fotos de: Tiago Cortez/Everything Is New

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