Crítica – Train to Busan

Se são fãs de cinema, não importa o género, Train to Busan é visualização obrigatória!

Train to Busan
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Sinopse: “Um angustiante horror-thriller zombie que segue um grupo de passageiros aterrorizados que lutam contra um surto viral em todo o país, enquanto estão presos numa viagem de comboio repleta de suspeitas e de sangue até Busan, uma cidade que conseguiu segurar o ataque zombie… Pelo menos é o que todos esperam.”

“Apocalipse zombie” está longe de ser um subgénero inovador. A saga The Walking Dead é, sem dúvida, a mais popular do mundo no que toca a retratar este futuro sobrenatural. World War Z e a duologia Zombieland desempenham o mesmo papel no reino dos filmes. No entanto, todas estas obras não conseguem alcançar as expetativas que vêm com uma história construída num período como este. Quando as pessoas perguntam “qual é o melhor filme de apocalipse zombie de sempre?”, não existe uma resposta clara e irrefutável… simplesmente porque não há um filme excecional, impressionante ou praticamente perfeito. Bem, pelo menos não até 2016, ano de lançamento do melhor filme do género, Train to Busan.

Sinto imensa pena por todos aqueles que se recusam a assistir a filmes estrangeiros por qualquer razão. Uma língua diferente e/ou a exibição de legendas não deviam ser suficientes para convencer os espetadores a ignorar tantas obras fantásticas pelo mundo fora. Se alguém se atreve a descrever-se como “fã de zombies” e ainda não testemunhou Train to Busan, então “fã” está longe de ser a palavra certa. Isto é cinema sul-coreano no seu melhor. Todos estão 200% comprometidos com o seu papel, seja um stunt man ou um dos protagonistas. Sang-ho Yeon apresenta uma história com tremendo suspense, intensa, épica e, acima de tudo, desoladora, com a ajuda de um argumento fenomenal escrito por Joo-Suk Park.

Quando o único aspeto “negativo” que consigo encontrar está relacionado com ações específicas e “talvez não-tão-lógicas” executadas por algumas personagens, sei que estou a ser demasiado minuncioso com um filme quase perfeito. Tenho imensas dificuldades em encontrar um único problema sério com o filme inteiro. Na minha opinião, a razão pela qual o mesmo funciona tão bem é, em grande parte, devido ao guião de Joo-Suk Park.

Normalmente, as pessoas pensam sempre nos zombies primeiro: como se parecem? Como agem? Correm descontroladamente ou passeiam lentamente? Que novos atributos ou habilidades têm estes zombies que sejam diferente do que vimos até agora? Como começou o vírus? Existe uma cura? É certo que os zombies parecem incríveis e Yeon Sang-ho é capaz de criar sequências de ação impressionantes carregadas com intensidade máxima e tensão extrema. A nível de entretenimento: qualidade de primeira linha.

Train to Busan

No entanto, a ação só tem o impacto que tem devido ao vínculo emocional que o espetador partilha com as personagens humanas (não infetadas). Estas são tratadas e desenvolvidas de uma maneira notável. Existem facilmente cinco a seis personagens com as quais o espetador acaba por importar-se. Habitualmente, pelo menos metade deste grupo é dispensável neste tipo de filmes porque algumas personagens não mostram sinais de inteligência ou são apenas idiotas. Em Train to Busan, todas as personagens possuem traços agradáveis, além de estarem diretamente ligadas umas às outras (pai e filha, casal jovem grávido). As cenas de ação são filmadas de forma incrível, mas é a aura emocional circundante que ultimamente as eleva.

É realmente uma história emocionalmente devastadora. O espetador é colocado em dezenas de situações que requerem as escolhas mais difíceis por parte das personagens principais. O dilema genérico “salvo a pessoa com quem me importo mais ou todos os outros?” é levado a um outro nível com diálogos excecionais, repletos com uma quantidade excruciante de suspense, deixando-me com lágrimas no canto do olho por mais do que apenas um par de vezes. Todas as personagens têm um arco bonito e convincente. O protagonista principal, Seok-woo (Gong Yoo), passa de uma personagem desprezível, que não me importaria de ver morta nos primeiros 15 a 20 minutos, para um pai adorável que só quer o melhor para a sua filha, protegendo-a a todo o custo durante o apocalipse.

O filme está rodeado por comentários sociais inteligentes que ainda têm imenso impacto hoje em dia (ainda mais durante a pandemia global atual). Yon-suk (Kim Eui-sung) representa tudo o que há de errado com a nossa sociedade. Um homem egoísta que pensa que é mais importante do que todos os outros devido à sua classe e cujo trabalho é mais significativo do que a sua própria família ou amigos, quanto mais estranhos num comboio. Também trabalha como um “alerta” para o nosso protagonista, como uma versão “e se” do futuro de Seok-woo se este continuar a concentrar-se apenas no seu trabalho. Outra personagem de grande relevância é Sang-hwa (Ma Dong-seok), um futuro pai que acaba por proteger a filha de Seok-woo quando este não pode. A sua coragem e altruísmo fazem dele um favorito instantâneo do público.

Tecnicamente, é um filme perfeito. Desde a maquilhagem espetacular dos zombies ao stunt work de deixar o queixo caído, tudo relacionado com a ação serve como evidência para provar que o cinema sul-coreano filma ação mil vezes melhor do que Hollywood convencional. O nível de intensidade chega a ser absurdo. O trabalho de câmara de Lee Hyung-deok é deslumbrante, movendo-se pelo comboio sem tropeços, permitindo ao espetador ver e entender tudo. Auxiliado por uma edição excelente (Yang Jin-mo) e uma banda sonora fenomenal (Jang Young-gyu), Yeon Sang-ho gera tensão e suspense de uma maneira que faz com que todas as sequências de ação sejam overwhelming, poderosas e até épicas.

Train to Busan

Train to Busan tem uma duração que fica perto da marca das duas horas, cujo tempo de execução a voar. O primeiro ato constrói na perfeição as bases do apocalipse com um build-up surpreendentemente subtil do caos exponencialmente crescente. De seguida, o surto no comboio que ocupa a maior parte da duração do filme. Durante este período, tudo acontece. Desde as sequências de ação de fazer roer as unhas até aos momentos emocionalmente poderosos das decisões de personagens que tornam este filme tão chocante. Finalmente, um terceiro ato que me deixou esgotado, completamente drenado de emoções, sem saber exatamente como me sentir depois que de tudo terminar. Apesar de algumas sequências terem sido executadas exclusivamente da maneira que foram para oferecer um momento emocionalmente climático, tudo o resto parece muitíssimo realista.

Train to Busan é, sem quaisquer dúvidas, o melhor filme de apocalipse zombie de sempre, pelo menos até à data desta opinião. O subgénero encontra no filme impressionante de Yeon Sang-ho a obra-prima que merece. Desde o build-up excecionalmente subtil até ao ato final emocionalmente devastador, passando pela representação mais vívida, tensa e repleta com suspense extremo de um surto zombie alguma vez colocado num ecrã, o argumento de Park Joo-suk é a razão pela qual este filme tem tanto sucesso.

É uma história desoladora com personagens tremendamente bem desenvolvidas, rodeadas por um comentário social poderosamente ressonante, ainda mais nos dias de hoje. Relativamente à ação, é cinema sul-coreano no seu melhor: intensidade máxima, trabalho de câmara fenomenal, edição perfeita, banda sonora arrepiante, um comprometimento único de todos os envolvidos e uma equipa fantástica de stunts. Hollywood devia aprender com filmes como este.

Não consigo encontrar uma única falha. Deixou-me emocionalmente drenado. Se são fãs de cinema, não importa o género, Train to Busan é visualização obrigatória!

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