Crítica – Thunder Force

Thunder Force é mais uma peça de storytelling sem sentido e absurda de Ben Falcone, caraterizada por um humor insuportavelmente seco e forçado, para além de uma história facilmente esquecível.

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Sinopse: “Num mundo em que os supervilões são comuns, duas amigas de infância reencontram-se quando uma delas elabora um tratamento que lhes confere poderes para protegerem a sua cidade.”

Ben Falcone e Melissa McCarthy, marido e mulher, têm feito filmes juntos desde que o primeiro começou a sua carreira cinematográfica. Literalmente, todos os filmes realizados, escritos e/ou produzidos por Falcone contam com a famosa atriz no papel principal, todos explorando subgéneros de comédia. Desde romance (Superintelligence) a crime (The Happytime Murders), sem esquecer uma viagem de carro (Tammy), chega a altura de Thunder Force, um mergulho no círculo altamente rentável de super-heróis. No entanto, não acredito que o verdadeiro objetivo do casal seja entregar um filme globalmente apreciado. Na verdade, defendo firmemente que o propósito é fornecer a obra de storytelling mais absurda possível, esperando que os espectadores a considerem divertida o suficiente.

Realizadores, argumentistas, atores e todos os outros membros da equipa técnica… uma grande maioria aspira entregar uma obra-prima nunca antes vista. Um filme reconhecido por todos como “excelente cinema”. Algo digno de muitos Óscares, Globos de Ouro e muito mais. Películas como Thunder Force não são feitas para receber estas nomeações normais, mas, em vez disso, para tentarem estar presentes nos Razzies – tanto Falcone quanto McCarthy têm sido bastante bem sucedidos nesta tarefa. Ao passo que a atriz tem vindo constantemente a mostrar que o seu talento inegável seria melhor utilizado noutros filmes – como Can You Ever Forgive Me? e Bridesmaids -, o argumentista-realizador continua a montar filmes terrivelmente aborrecidos.

Sendo completamente honesto, o primeiro ato de Thunder Force é surpreendentemente decente. O setup da narrativa principal é bastante interessante e o pico de comédia é alcançado durante a primeira meia hora. O problema é que este pico não oferece mais do que um par de risos ocasionalmente. Desde o início do segundo ato até ao último segundo, Falcone não consegue entregar gargalhadas genuínas. O tom encontra-se ridiculamente desequilibrado, com praticamente todas as cenas a serem uma tentativa forçada de humor, mesmo quando o momento em si não o requer. Piadas incrivelmente falhadas – e uma em particular bem nojenta – são repetidas ao longo do filme, o que acaba por arrastar um tempo de execução já esticado.

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O enredo de super-heróis é tão genérico e previsível como esperado de um filme que não se esforça minimamente para tentar fazer algo remotamente diferente daquilo que os espectadores viram nas últimas duas décadas. Os VFX parecem que vieram de um estúdio amador como se a Netflix nem se tivesse importado com o seu próprio produto. Relativamente à história, não existe sequer uma forma adequada de analisar um argumento tão… tolo. Num momento, parece estar a levar uma cena específica a sério, mas, alguns minutos depois, está tudo de volta ao ambiente irritantemente parvo. Não me interpretem mal: se existe um tipo de humor que adoro é comédia absurda, mas esta necessita de ser feita corretamente, com as pessoas e a história certas.

No fim, costumo ter mão leve em filmes como este. Thunder Force é simplesmente mais uma adição à lista interminável de “filmes esquecíveis”, o que não é algo que realmente me incomoda. É exatamente o que todos esperam que seja, o que pode funcionar como um elogio, se os leitores assim pretenderem. O aspeto mais frustrante de tudo isto é assistir McCarthy e Octavia Spencer – duas atrizes fantásticas com cinco nomeações conjuntas para Óscar, incluindo uma vitória para a segunda em The Help – a trabalhar em projetos sem significado algum como este. Pede a famosa pergunta: porquê?

Thunder Force é mais uma peça de storytelling sem sentido e absurda de Ben Falcone, caraterizada por um humor insuportavelmente seco e forçado, para além de uma história facilmente esquecível. Um filme que verifica todos os requisitos para ser um forte candidato aos Razzies, algo bastante familiar para o argumentista-realizador e sua esposa, Melissa McCarthy, que continua fazendo favores.

Apesar de um primeiro ato admitidamente decente, o resto da “obra” vê o seu valor de entretenimento descer pela ladeira abaixo. Honestamente, não sei o que é pior: testemunhar McCarthy e Octavia Spencer a desperdiçarem o seu talento excecional em filmes ilógicos ou ver grandes estúdios continuarem a dar oportunidades a cineastas que não têm nada de significante a transmitir enquanto que vozes necessárias e importantes permanecem desesperadamente à espera de uma chance.

O melhor elogio que posso oferecer a este produto da Netflix é que não engana ninguém: é precisamente aquilo que os espectadores antecipam, seja isso bom ou horrível.

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