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Crítica – “Stranger Things 3”

É 1985 em Hawkins, Indiana, e o Verão está a chegar. Férias, novo shopping na cidade e o gang de Hawkins a entrar na idade adulta. Romances florescem e complicam a dinâmica do grupo, logo vão ter que descobrir como crescer sem se separarem. Enquanto isso, o perigo aproxima-se. Quando a cidade é ameaçada por inimigos antigos e novos, Eleven (Millie Bobby Brown) e os seus amigos são lembrados de que o mal nunca acaba… evolui. Agora, terão que se unir para sobreviver e lembrar que a amizade é sempre mais forte do que o medo.

Stranger Things apareceu pela primeira vez nas nossas vidas em 2016 com a sua primeira temporada fenomenal na Netflix, seguida de uma temporada menos impressionante, mas ainda bastante entretida. Assim, estava muito entusiasmado para a terceira aventura com um dos melhores (se não o melhor) elenco jovem de sempre. As performances nesta série são inacreditáveis, ainda mais quando se considera a idade da maioria dos miúdos (14-17). Millie Bobby Brown tem 15 anos! Quinze!

Estranhamente, a série só será elegível para Emmys no próximo ano, mas se Millie não for nomeada e ganhar, sinceramente não sei o que ela precisa de fazer mais. A facilidade que Millie tem em mostrar emoção e entregar aquelas expressões subtis que apenas os melhores atores conseguem alcançar depois de anos de experiência… Vai quebrar o recorde dos Óscares da atriz mais jovem de sempre a ganhar Melhor Atriz /Melhor Atriz Secundária. Está destinado a acontecer.

Comecei com ela porque, na última temporada, entreguei a “coroa de destaque” a Noah Schnapp (Will Byers), que também oferece um excelente desempenho, mesmo que a sua personagem tenha menos para fazer desta vez (semelhante à temporada de estreia). De todos os jovens atores, Millie está muito à frente dos seus colegas, acabando por indiretamente diminuir o desempenho de Sadie Sink (Max).

Ambas têm respostas emocionais completamente diferentes a eventos igualmente dolorosos. Não que Sadie não seja capaz de transmitir os seus sentimentos (gostei mais dela e da sua personagem nesta temporada), mas passar de uma Eleven a mostrar 200% da sua emoção para qualquer outra personagem irá sempre parecer que o outro ator/atriz não está ao seu nível (verdade seja dita, não estão).

Para além de Millie, o outro destaque tem de ir para David Harbour como Jim Hopper. Esta pode ser a temporada mais engraçada até agora, bem como a mais emocionalmente poderosa. Ambas as descrições devem-se ao arco de Hopper e à prestação digna de prémios de Harbour. Ele é hilariante, feliz, triste, zangado, bêbado, frustrado, orgulhoso…

O seu arco é, sem dúvida, aquele que serve como pilar para a estrutura desta temporada. Sem ele, esta não estaria perto da qualidade que possui. A química entre Harbour e Winona Ryder (Joyce Byers) é palpável e isso é mais do que suficiente para passar uns bons momentos. No entanto, os Duffer Brothers merecem muito mérito. A escrita é das melhores que experienciei nos últimos anos.

Todos odiavam Steve Harrington (Joe Keery) na primeira temporada, mas o seu desenvolvimento teve um tratamento tão fantástico que agora todos o adoram. O mesmo acontece com Billy Hargrove (Dacre Montgomery). Odiei-o na temporada passada devido à forma clichê e preguiçosa como foi escrito. Agora, mesmo que a sua backstory não seja propriamente inovadora, ele é, definitivamente, visto como uma personagem mais interessante, o que prova que Stranger Things não consegue ter uma única personagem má (principal ou secundária, pelo menos). Max também recebe um guião melhor e o seu tempo de ecrã com Eleven ajudou a personagem a tornar-se mais cativante. No entanto, como está o gang principal?!

Bem, Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) passa menos tempo com os seus amigos originais, mas a sua aventura com Steve, Erica Sinclair (Priah Ferguson), e Robin Buckley (Maya Hawke), a nova adição à série que é, também, a melhor surpresa da temporada, é também muito divertida, mesmo que esteja conetada a um dos meus problemas (mais sobre isso em breve). Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), Will, Eleven e Max têm um subplot romântico que surpreendentemente apreciei, principalmente devido à forma realista e sincera com que os creadores escreveram. Obviamente, a comédia é sempre uma obrigação dentro deste grupo e não fiquei desapontado, tendo soltado mais do que apenas uma ou duas gargalhadas ao longo dos episódios.

Finalmente, Charlie Heaton (Jonathan Byers) e Natalia Dyer (Nancy Wheeler) também têm a sua própria jornada inspiradora, a que mais aborda como as pessoas tinham que viver na década de 80. Lidar com discriminação, injustiças no local de trabalho e diferentes estilos de vida são colocados em perspetiva sempre através de diálogo e/ou eventos não forçados.

Adoro a estrutura desta temporada, na medida em que cada grupo de personagens tem a sua própria aventura secundária para, no final, todos se reunirem para derrotar o mal que cerca Hawkins. Nunca me senti aborrecido ou menos envolvido numa história. A segunda temporada teve aquele episódio horrível com Kali (Linnea Berthelson) e alguns episódios pareceram arrastar-se. Esta, por sua vez, não só tem o tempo de execução perfeito para cada episódio, mas a história que estes cobrem é constantemente cativante.

Claro, senti-me sempre mais entretido quando Eleven e Hopper estavam no ecrã, logo os seus subplots tornaram-se os meus favoritos. No entanto, não retiram nada das outras histórias ou personagens. A prova número um será o melhor final da série. É difícil segurar as lágrimas durante os últimos momentos, especialmente se os leitores passaram pela mesma situação (que 99% das pessoas definitivamente tiveram que lidar com, a menos que tenham tido, literalmente, zero amigos ao crescer).

Tecnicamente, a série prova que não é necessário um grande orçamento para proporcionar prazer visual. Desde o guarda-roupa apropriado à banda sonora viciante com aquele estilo dos anos 80, tudo está “no ponto”, com imensos efeitos práticos a serem aplicados. O CGI sobre os monstros e tudo o que vem com eles são convincentes o suficiente e as sequências de ação são, na maioria, bem filmadas. A edição torna-se um pouco desleixada perto dos episódios finais, mas nada de muito grave.

O meu principal e único problema com esta temporada está, curiosamente, relacionado com o enredo principal. A história que coneta todas as secundárias e os grupos de personagens que tenho elogiado tanto. Além de ser muito parecida com a última temporada (monstro vem, possui pessoas e sabem o resto), é pior em relação ao “como” e “porquê” de os monstros voltarem. Há toda uma história envolvendo russos, bases secretas e códigos, que são demasiado cheesy e over-the-top, atingindo um nível absurdo que até afetou algumas cenas de ação “a la Fast and Furious. É incomum o enredo principal ser tão clichê e desinteressante como é, enquanto as histórias laterais são impressionantemente boas.

No final, Stranger Things oferece mais uma temporada fantástica. A primeira continua a segurar o primeiro lugar, mas esta é muito superior à anterior. Mais uma vez, as personagens são o que faz desta série um enorme sucesso. Mesmo separando-as em grupos diferentes, a química fenomenal do elenco permanece intacta. Millie Bobby Brown recupera a sua coroa do destaque da segunda temporada, Noah Schnapp, garantindo inúmeras nomeações e, esperemos, algumas vitórias, devido a uma exibição perfeita do seu alcance emocional. David Harbour vem logo atrás dela e depois vem o resto do elenco, um dos melhores de sempre a aparecer num ecrã de TV.

Os Duffer Brothers são argumentistas magistrais, apresentando guiões de personagens extremamente desenvolvidos, bem como histórias secundárias engraçadas, emocionantes e divertidas. Apesar de um enredo principal menos forte, Stranger Things termina esta temporada com o melhor final de toda a série. Se não estiveram a chorar durante os últimos 10 minutos… Não sei. Mal posso esperar pela próxima temporada, se bem que ficaria mais do que satisfeito vê-la terminar, de vez, agora.

Podem (re)ver todas as temporadas de Stranger Things na Netflix.

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