Crítica – Lightyear

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Lightyear está longe de ser mais um filme incrivelmente memorável da Pixar, mas não deixa de ser uma aventura cheia de entretenimento, mensagens inspiradoras e animação deslumbrante.

Como alguém que ainda não teve a oportunidade de ver Toy Story 4, fiz questão de perguntar a colegas como é que Lightyear se ligava aos restantes filmes da saga. A verdade é que não existe qualquer tipo de conexão explícita a nenhuma das obras anteriores, logo qualquer espetador pode entrar no cinema sem preocupações de se poder vir a sentir perdido com a narrativa. Apesar de alguma confusão com a interpretação da premissa devido às sempre caóticas redes sociais, não há nada que enganar: dentro do universo Toy Story, existe um filme sobre a história de origem de Buzz Lightyear, astronauta fictício que inspirou a criação do boneco de mesmo nome que Andy comprou depois de assistir precisamente a essa obra. Lightyear é esse filme e merece, de facto, ser visto em família.

Obviamente, sou um dos milhões de fãs desta saga de animação, mas claramente não possuo um laço tão forte com a mesma como muitos outros espetadores. Dito isto, é muito fácil desfrutar deste spin-off de Angus MacLane, cineasta que teve participação creativa em praticamente todos os filmes da Pixar desde 1998, mas que só agora assume o cargo de realizador naquela que é a sua estreia absoluta nessa posição em longas-metragens. Com a ajuda do argumentista Jason Headley (Onward), ambos criam uma história com entretenimento suficiente para conquistar a vasta maioria do público, para além de possuir sequências de ação carregadas de energia e tensão.

O tempo de execução curto mas eficiente permite uma aventura com ritmo rápido, repleta de humor e muita diversão. Lightyear segue a fórmula Pixar no que toca às mensagens inspiracionais, abordando vários temas importantes com desenvolvimentos fundamentais para o crescimento saudável e positivo dos espetadores mais jovens, mas sem esquecer os elementos mais adultos das famílias. Aprender a confiar nos amigos que nos rodeiam, saber pedir ajuda sem vergonha nem complexos de inferioridade, aceitar que errar faz parte da vida e reconhecer que o presente merece sempre ser vivido são algumas das conclusões mais bonitas aos vários arcos de personagem.

lightyear echo boomer 3

É possível criticar qualquer obra cinematográfica, mas nunca ninguém poderá acusar a Pixar de não transmitir mensagens positivas para a sua audiência, independentemente da opinião sobre o filme em si. Lightyear também possui animação genuinamente deslumbrante. Todos reconhecem os visuais encantadores do estúdio, mas desta vez, a cinematografia eleva seriamente a beleza da animação 3D devido a vários planos memoráveis iluminados por planetas ou luas. A banda sonora de Michael Giacchino também oferece alguns momentos que poderão induzir algumas lágrimas em espetadores mais sensíveis, ao mesmo tempo que aumenta os níveis de adrenalina e entusiasmo durante a ação cativante.

O elenco de voz é fantástico de início ao fim, mas Chris Evans surpreende bastante ao interpretar de forma soberba Buzz Lightyear. O ator consegue transmitir as emoções necessárias apenas com a sua voz de capitão – cargo que aparentemente nasceu para representar brilhantemente -, mas a personagem segue um arco algo semelhante ao dos filmes principais da saga. Apesar de todas as personagens serem bastante relacionáveis, Lightyear realmente parece um spin-off e não uma obra com um propósito especial e duradouro como outros filmes do estúdio. Infelizmente, não consegue ser mais do que uma pequena aventura secundária que não adiciona muito à personagem nem ao próprio universo em que se baseia.

Um dos “truques” do repertório da Pixar é a utilização de montagens de vida que demonstram a evolução ao longo do tempo de um local, personagem, família, entre outros. Habitualmente, é nesta altura que se usam os lenços, mas apesar da execução de tal sequência não ter quaisquer problemas em Lightyear, a mesma ocorre demasiado cedo. A ligação com as personagens não chega a um ponto de proximidade emocional tão forte que provoque qualquer reação mais dramática, para além de já não ser propriamente uma técnica surpreendente. Também não é, de todo, uma cena vazia de sentimentos.

O único problema pessoal sério com Lightyear encontra-se relacionado com o twist do terceiro ato. Para além de ser totalmente desnecessário, é uma revelação formulaica copiada de centenas de outras obras sci-fi e, honestamente, demasiado complexa para o público mais jovem. Velocidade da luz, viagens no espaço, extra-terrestres, naves espaciais, escudos laser, robôs e tantos outros componentes clássicos do género já enchem o ecrã, mas o twist traz todo um outro nível de complexidade que poderá confundir imensas crianças. Até para adultos, é um momento que requer meter o cérebro a funcionar e algumas perguntas são deixadas com respostas ambíguas. O problema não está tanto na sua complexidade, mas mais na sua falta de necessidade.

lightyear echo boomer 2

Lightyear pode não ser o melhor filme que o estúdio alguma vez criou, mas introduz uma nova personagem que será, sem dúvidas, o elemento mais elogiado de toda a obra. O gato robótico Sox não possui uma única cena que não seja verdadeiramente hilariante. Seja pelo que diz ou por o que faz, Sox vai rebentar com as vendas de brinquedos este ano. Peter Sohn oferece a sua voz excecional e cria ele próprio os sons robóticos que vão deixar qualquer espetador a chorar de tanto rir. É daquelas personagens que convencerão muitos cinéfilos a pagar um segundo bilhete só para soltarem umas boas gargalhadas novamente.

Para terminar, deixo apenas este parágrafo sobre a “polémica” que devia ser tudo menos isso. Há alguns anos atrás, Hollywood não sabia como normalizar tudo aquilo que devia ser normalizado. Personagens eram obrigadas a expressar explicitamente as suas preferências sexuais e outras reagiam sempre com ar de surpresa. Essa fase já passou, mas algumas mentalidades nunca vão mudar. A presença da família LGBT em Lightyear é utilizada exatamente da mesma forma que qualquer outra família. A sua importância narrativa e tempo de ecrã é tão insignificante como uma família heterosexual – basta substituir um dos elementos da família pelo sexo oposto e nada muda – mas o impacto cultural positivo que se ganha com esta normalização é vital para um futuro de maior respeito e compreensão.

Lightyear está longe de ser mais um filme incrivelmente memorável da Pixar, mas não deixa de ser uma aventura cheia de entretenimento, mensagens inspiradoras e animação deslumbrante. Angus MacLane não foge das fórmulas conhecidas do estúdio, entregando uma narrativa sem grandes desvios do caminho mais previsível e seguro.

Tirando um twist desnecessário e demasiado complexo para o público-alvo no terceiro ato, Buzz Lightyear e companhia levam os espetadores pelo espaço numa jornada audiovisual bastante imersiva. O elenco de voz é extraordinário, principalmente Chris Evans – nasceu para interpretar capitães – e Peter Sohn – constantemente hilariante enquanto o gato robótico Sox, o novo brinquedo mais popular da Disney.

Recomendo e merece ser visto no cinema!

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