Crítica – John Wick 3

por Manuel São Bento

Neste terceiro filme do franchise cheio de ação e adrenalina, o super-assassino John Wick (Keanu Reeves) regressa em fuga e com a cabeça a prémio pelo valor de 14 milhões de dólares. Por este motivo, tem um exército de assassinos de caça ao homem no seu rasto que querem conseguir a recompensa a todo o custo. Depois de matar um membro da High Table dentro do terreno do Continental, John Wick é excomungado e luta para sair com vida da cidade de Nova Iorque, mas os homens e mulheres mais implacáveis do mundo esperam por ele em cada virar de esquina.

John Wick (2014) é um dos melhores filmes desse ano e uma das melhores películas de ação de sempre. Por outro lado, John Wick: Chapter 2 (2017) é um pouco mais atrapalhado e confuso sobre a sua história e como traz o seu protagonista de volta ao jogo, mas as sequências de combate intenso elevam o filme impressionantemente. E são precisamente as cenas de ação mind-blowing, brutais, sangrentas, extraordinariamente longas e incrivelmente coreografadas que fazem John Wick uma das personagens mais badass da história do cinema.

A Academia tem procurado algo novo para tornar os Óscares mais populares e a criação de novas categorias tem sido a sua ideia número um. Bem, nada se encaixa melhor no espetáculo do que Best Stunt Work. Obviamente, sagas como esta ou Mission: Impossible tornar-se-iam grandes sucessos nesta cerimónia de prémios. Estas duas franchises são inegavelmente as mais importantes e cruciais para a sobrevivência de ação autêntica. O que vemos, é o que é.

Hoje em dia, os espetadores já têm os seus olhos pré-definidos para reconhecer tudo como CGI ou algum tipo de efeito visual. É, no mínimo, triste, que a maioria da audiência não vá perceber o quão fenomenais estes filmes são e o quanto os membros do elenco e da equipa técnica trabalham que nem loucos para oferecer ao público sequências genuinamente reais. Sim, são algo exageradas. Sim, CGI e efeitos visuais ainda são aplicados, mas apenas para pequenos detalhes como balas, sangue, quedas ou arremesso de facas, que nunca distraem (muito pelo contrário, contribuem para a experiência). E sim, exige que o público suspenda os seus conhecimentos fundamentais de física em alguns momentos particulares.

No entanto, lá está: se se encontram entusiasmados para assistir a um terceiro filme de uma saga, são claramente fãs. Sabem do que se trata e qual é o tom predominante deste mundo.

John Wick estabeleceu-se em 2014 como uma história simples de vingança pura e um filme de ação inacreditavelmente realista, o mais próximo que alguma vez teremos a um conto de origem de um assassino. John Wick: Chapter 2 explorou profundamente a instituição que governa estes assassinos e todas as regras pelas quais eles se regem. É um pouco mais desorganizado do que o primeiro, mas continua a ser uma explosão de entretenimento.

Parabellum tem o melhor de ambos. Contém a melhor ação coreografada já vista no grande ecrã e alguns dos movimentos de câmera mais impressionantes que já testemunhei. Além disso, a narrativa faz mais sentido e as decisões das personagens são logicamente ou emocionalmente justificáveis, ao contrário do segundo filme. A produção sonora é poderosa e a cinematografia juntamente com a cenografia dão um ambiente fantástico.

Mas o ritmo podia ter sido melhor controlado. As transições entre as longas sequências de ação e as respetivas pausas para mover a história para a frente nem sempre são suaves. Alguns pedaços de comédia que não pertencem realmente a esta saga foram adicionados e enquanto alguns até funcionam, outros provam que este género não se encaixa neste mundo.

Para além disto, não há muito a reclamar. O elenco é absolutamente impecável. Keanu Reeves está na luta com Tom Cruise pelo troféu de “maior estrela de ação” atual. Enquanto Cruise coloca a sua vida mais em risco, realizando acrobacias especialmente perigosas, Keanu tem a resiliência e agilidade de um animal, proporcionando-nos com momentos de luta a alta velocidade e muitíssimo complexas de se realizarem. Já Halle Berry (Sofia) é uma excelente surpresa! Quem diria que (ainda) é capaz de se mover como ela se mexe neste filme. As coreografias que executa são excecionais.

Laurence Fishburne (Bowery King), Ian McShane (Winston) e Lance Reddick (Charon) também têm os seus momentos para brilhar, mas os cães de Sofia são fatalmente fofos e acabam por roubar o espetáculo.

Em relação às sequências de ação, são todas bastante memoráveis. Desde um throwback à sala de espelhos de Chapter 2 a uma cena de perseguição surpreendentemente fluída pelas ruas de Nova Iorque, tudo o que Chad Stahelski e a sua equipa talentosa atiram para o ecrã é simplesmente perfeito.

O ato final assemelha-se até a uma experiência de um videojogo. Imaginem vários níveis, cada um deles com o seu boss respetivo, mas o final boss no topo deles todos… Como, por exemplo, em Legend of Zelda: Ocarina Of Time, quando Link tem que eliminar inimigos em cada andar, com o fim de mover-se até chegar a Ganondorf. Analogia sem sentido? Talvez, mas o último ato desencadeou isto na minha memória. Resumindo, há toneladas de ação inovativa e bastante variada para todos os gostos.

John Wick: Chapter 3 – Parabellum tem tudo o que os fãs desta saga desejam: sequências de luta poderosas, sangrentas, longas, barulhentas e brilhantemente coreografadas, acompanhadas por uma história decente que explora ainda mais o mundo dos assassinos. Chad Stahelski é um filmmaker fenomenal, que sabe como um filme de ação deve ser filmado. Não há edição desleixada ou cortes rápidos. Apenas extensas cenas de um take, cheias de trabalho físico de um elenco incrível. Keanu Reeves é uma das maiores estrelas de ação de sempre e Halle Berry surpreende com as suas habilidades físicas.

Com um melhor controlo do seu ritmo e tom (e um pouco menos desafiante dos fundamentalismos da física), poderia ter sido facilmente o melhor filme de ação do século. Terá de se ficar por “um dos melhores”.

Nota:

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