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Crítica – “Captain Marvel”, o Revenge of the 90’s da MCU

A história segue Carol Danvers (Brie Larson) e como ela se torna numa das mais poderosas heroínas do universo enquanto a Terra está no meio de uma guerra galática entre duas raças alienígenas. A ação decorre durante os anos 90, tornando Captain Marvel numa nova aventura, explorando uma época inédita na história do “Marvel Cinematic Universe” (MCU).

Iria sempre ser um grande risco tentar introduzir uma personagem tão importante e poderosa como Carol Danvers no final da “Phase Three”. Não só ela surge do nada (foi raramente mencionada em filmes anteriores ou mesmo não mencionada de todo antes de Infinity War),como é o último filme antes do climático fim de uma era, Avengers: Endgame. É esta heroína quem vai levar os restantes heróis à vitória contra Thanos, o vilão que derrotou por conta própria praticamente todos os super-heróis conhecidos até aquele momento.

Assim, apesar de não se esperar uma excelente história repleta de ação fenomenal, também se esperava mais do que apenas um filme de origem simples como se este pertencesse à “Phase One”.

Infelizmente, isso é exatamente o que foi criado. É tudo apenas razoável.

Não há nenhuma cena de luta excecional, mas a maioria é decente. Não há nenhum encanto visual, mas não parece mal. O potencial das personagens parece desperdiçado, mas funcionam para a história. Tudo é frustrantemente equilibrado, o que é algo de se louvar em muitos outros filmes, mas já não estamos em 2008, até porque a Marvel não está a começar o seu universo cinemático. Está é quase a terminar um arco inteiro, envolvendo mais de 20 películas!

Vamos diretos à protagonista: Brie Larson. A Marvel raramente erra nos seus elencos e, sendo Larson uma vencedora de Óscar, o seu talento é inegável. Tem tudo o que precisa para entregar consistentemente um desempenho acima da média, por isso, existe alguma surpresa por ela não ter conseguido destacar-se num filme tão ameno.

O filme não é mau, de todo. No entanto, uma atriz do calibre de Brie Larson devia conseguir elevar, pelo menos, a sua própria personagem, mas acaba por ser como os restantes colegas: apenas boa o suficiente. A sua prestação poderá ter sido limitada por indicações erradas por parte dos realizadores ou pelas suas próprias decisões, mas o potencial está lá. Certamente que os irmãos Russo irão escrever um arco muito mais entusiasmante para a personagem em Endgame.

Os dois melhores atributos de todo o filme são, sem qualquer dúvida, a relação de amizade que Carol e Nick Fury (Samuel L. Jackson) desenvolvem e a inovadora tecnologia CGI que permite rejuvenescer os atores. Em relação ao argumento, as interações entre estas personagens são tão cativantes e cheias de humor que os problemas de ritmo do primeiro ato gradualmente começam a desaparecer. O passado de Carol é frequentemente abordado com flashes rápidos e demasiada exposição barata, logo, é uma lufada de ar fresco ter SLJ e Larson a “brincarem” um com o outro. Apesar disso, a tecnologia de rejuvenescimento usada é absolutamente surpreendente.

Em relação às personagens, Anna Boden e Ryan Fleck deviam ter feito muito melhor. Tanto desperdício de potencial num momento tão crucial da MCU. Carol Danvers tem uma excelente história, mas a maneira como esta foi explorada diminui o seu impacto. Mesmo assim, como Capitão Marvel, ela é, de facto, uma mulher badass.

Existem algumas sequências de ação bem realizadas, especialmente no início, mas, à medida que o filme lentamente progride na sua história, estas mesmas cenas vão tendo um nível mais desleixado, com demasiados cortes e com fundos demasiado escuros. Jude Law (Yon-Rogg) é fantástico como sempre, e Ben Mendelsohn é brilhante como Talos. Ambas as personagens têm histórias interessantes que se completam de forma eficiente, algo que não pode ser dito dos outros “vilões” da Marvel (se bem que, verdade seja dita, têm melhorado ultimamente).

Tecnicamente, parece faltar algum tipo de estilo ao aspeto visual. Olhando para Black Panther, Captain America ou Guardians of the Galaxy, cada filme tem uma estética visual que pertence às suas próprias histórias. Já Captain Marvel não parece possuir o seu próprio estilo.

Honestamente, com outros realizadores, este filme poderia ter sido muito melhor. Boden e Fleck já provaram que são bons filmmakers, mas talvez ainda não estivessem prontos para liderar um blockbuster deste tamanho. Dito isto, a banda sonora dos anos 90 é espetacular e bastante adequada ao período do filme. Existem alguns momentos onde os efeitos especiais sobre os poderes de Carol Danvers são verdadeiramente magníficos, mas, no fim, parece mais um filme saído da “Phase One” do que o filme número 21 da MCU.

Também as sequências de ação necessitavam de melhor edição e mais coreografia (encontramo-nos na “Phase Three” e, em 2019, devemos ter o direito de realmente ver o que está a acontecer), mas o maior “problema” é como a história obedece cegamente à fórmula de filme de origem de super-heróis. Não é exatamente uma falha, mas esperava-se mais. Muito mais.

Apesar de tudo, Captain Marvel atinge os requisitos mínimos: apresentar aos fãs uma nova superheroína que vai ser extremamente importante na eventual derrota de Thanos.

No final, não há uma cena de luta memorável, um momento emocionalmente esmagador ou até mesmo uma cena verdadeiramente arrepiante ou épica. Não nos deixa com água na boca para Avengers: Endgame, mas também não nos deixa menos entusiasmados. É apenas… “Okay”. Não há nada errado com isso, mas também não há nada de extraordinário.

Captain Marvel já se encontra em exibição.

Nota: 

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