Crítica – Enola Holmes 2

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Enola Holmes 2 mantém os níveis de diversão leve e aventureira do original, superando-o devido a uma narrativa principal muito mais coesa e intrigante, para além de ter um ritmo mais controlado.

Todos os géneros de cinema possuem obras cujo propósito não passa por mais do que entreter os espetadores com ingredientes básicos. Seja uma rom-com genérica com um elenco charmoso ou um filme de ação focado numa missão recheada de momentos de alta adrenalina, defendo que não existem quaisquer problemas em desfrutar de histórias simples numa tarde sem planos. Isto para referir que as expetativas pessoais para Enola Holmes 2 eram precisamente as mesmas que para o original, pelo que fiquei surpreendido pela sequela conseguir ultrapassar o seu antecessor em vários aspetos.

Um dos problemas com Enola Holmes (2020) encontrava-se na narrativa principal. A partir do momento em que a premissa consiste em seguir um detetive da família Holmes a tentar resolver um caso, é apenas natural esperar por um mistério com várias reviravoltas, enredos e revelações chocantes. O primeiro filme desilude em parte nesse aspeto ao focar-se mais num romance pouco interessante, para além de não conseguir causar qualquer tipo de surpresa, visto ser extremamente previsível durante todo o tempo de execução.

Felizmente, Jack Thorne conseguiu escrever um argumento muito mais intrigante e misterioso nesta segunda tentativa. Com todo o elenco de volta e algumas adições bem-vindas, Enola Holmes 2 apresenta uma história mais complexa e com várias camadas que se interconetam de maneira muito satisfatória. Os twists presentes têm impacto suficiente para apanhar alguns espetadores desprevenidos, mas mesmo que não deixem nenhum queixo no chão, são bem executados e nos momentos certos – o ritmo geral é muito melhor controlado, sendo que as duas horas passam rapidamente.

Harry Bradbeer mantém o estilo visual único do original que encaixa que nem uma luva neste mundo. Desde os desenhos no ecrã para colocar o público na mente da protagonista às quebras de quarta parede esclarecedoras e divertidas da mesma, Enola Holmes 2 possui uma produção audiovisual de agradar a todos os tipos de cinéfilos. Pode ser algo controverso escrever isto, mas é uma obra perfeita para o streaming. Uma visualização recheada de entretenimento leve que provoca sorrisos ao mesmo tempo que deixa muitos a coçarem a cabeça.

enola holmes 2 echo boomer 2

O elenco é, em grande parte, a razão por detrás do sucesso destes filmes. Millie Bobby Brown nasceu para representar Enola e continua a sua evolução extraordinária enquanto atriz e produtora, demonstrando uma versatilidade tremenda na interpretação de cenas dramáticas, românticas e cómicas. A minha aposta pessoal de que será a mais jovem de sempre a ganhar o Óscar de Melhor Atriz ainda está de pé. A sua química com os restantes atores em Enola Holmes 2 é fantástica, em especial com Henry Cavill – o ator possui muito mais tempo de ecrã como Sherlock desta vez, gerando vários prós e contras.

Por um lado, qualquer filme beneficia com Cavill no ecrã, logo quanto mais o holofote estiver virado para o ator, melhor… exceto quando a história não é sobre a sua personagem. Enola Holmes 2 baseia-se parcialmente num movimento verídico de alta importância para os direitos das mulheres, sendo que toda a obra se foca numa mensagem de afirmação e independência femininos. Thorne constrói um enredo geral interessante à volta deste tema, mas Sherlock toma as rédeas da narrativa demasiadas vezes.

Desde salvar Enola múltiplas vezes até cenas onde demonstra a sua inteligência superior – resolve pistas em meros segundos enquanto que Enola demora horas -, Sherlock possui demasiado impacto narrativo para uma história que está longe de ser sobre ele. Mesmo a introdução de personagens clássicas da saga sobressai mais como uma tentativa de chamar a atenção de fãs da franchise do que propriamente apresentar possíveis novos casos/sequelas para Enola. Dito isto, Enola Holmes 2 também guarda momentos onde Enola impressiona Sherlock, logo a balança equilibra ligeiramente.

Enola Holmes 2 mantém os níveis de diversão leve e aventureira do original, superando-o devido a uma narrativa principal muito mais coesa e intrigante, para além de ter um ritmo melhor controlado. Os vários enredos misturam-se eficientemente e o estilo visual distinto de Harry Bradbeer continua a ser um destaque. Millie Bobby Brown brilha enquanto Enola, assim como Henry Cavill enquanto Sherlock – este último até em demasia, roubando por vezes os holofotes da história parcialmente baseada num evento verídico com grande impacto na evolução dos direitos das mulheres. Ótima sessão de fim‑de‑semana!

Enola Holmes 2 está disponível na Netflix.

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