Arcane: Act 3 – Uma gloriosa injeção de Hype

O terceiro ato de Arcane remata com muitas emoções e uma excelente direção a primeira temporada daquela que é, inequivocamente, a melhor série de animação de que há memória.

- Publicidade -

Depois de um primeiro ato emocionalmente desgastante, mas apaixonante o suficiente para nos agarrar à adaptação animada de League of Legends, Arcane trouxe-nos um explosivo segundo ato que mexeu rapidamente as peças para um desfecho arrebatador e focado naquilo que realmente interessa: a história das duas irmãs Vi e Jinx e como Runeterra ficará para sempre marcada pelos seus conflitos.

Se era difícil explicar o que foi testemunhado na estreia de Arcane, é impossível descrever a montanha russa de emoções e a forma como a série remata aquilo que parece ser apenas o ínicio. De um lado, sim, temos a história das duas personagens centrais, com Vi em busca da sua irmã e na tentativa de a trazer de volta à Terra com a pouca inocência que lhe resta, ao mesmo tempo que Jinx resiste à espiral de emoções que a arrasta para a escuridão. Por outro lado, temos no terceiro ato as portas de Piltover a abrirem a um mundo maior, com piscadelas e olhos a conflitos para lá da rivalidade da Cidade do Progresso e do submundo de Zaun.

O terceiro ato de Arcane continua a dar-nos uma história entre o bem e o mal contada através de diferentes narrativas isoladas e com preparações para histórias e conflitos que poderão ser desenvolvidos numa futura temporada. Mas mais uma vez, a Fortiche e a Riot Games continuam a apimentar este universo com mais personagens e revelações que, mais do que nunca, são agora objetivamente fan-service para todo o público, independentemente se já conheciam League of Legends ou não. E esta é uma das grandes qualidades da série, ao manter o público emocionalmente investido na jornada de Vi, Jinx, Caitlyn, Jayce, Viktor ou Mel, entre outros, a um ponto de começarmos investidos a torcer pelas suas convicções ou ficarmos traídos pelas suas ações e decisões. Pequenas referências e aparições têm agora um peso diferente, mais marcante, tornando cada episódio tão especial como o último.

Assistir a Arcane, episódio após episódio, é uma escalada de emoções e expectativas. Como é que será a ação no episódio seguinte? Qual será o momento dramático? Será que consegue ser tão emocional como no passado? Estes foram desafios pesados, especialmente quando nos lembramos do cliffhanger do primeiro ato. Felizmente, Arcane encontrou uma consistência e um loop, com o terceiro ato a oferecer-nos o melhor para o fim, baseando-se muito no registo dos episódios anteriores, com uma introdução misteriosa, desenvolvimento de personagens, um piscar de olho à construção do mundo e, claro, a sequências de ação arrebatadoramente incríveis.

Ao longo do terceiro ato perdi a conta das vezes que me torci na cadeira, levantei os braços e tive que colocar urgentemente algumas cenas para trás só para reviver as cenas de ação, normalmente acompanhadas com uma banda sonora fantástica – Brutais injeções de Hype. Sempre distintas umas das outras, com um tom muito contextualizado ao que a narrativa pede, e com provavelmente a melhor animação de combates que já vi em televisão e cinema. Escusado será dizer que sim, os nossos Champions (e agora eu posso dizer isto apesar de nunca ter jogado LoL) têm mais do que uma oportunidade de se confrontarem e usarem as suas habilidades da forma mais espetacular possível.

Mas Arcane não vive só da ação. Vive da interação e do drama emocional e esta é aquela parte inglória que não posso desenvolver muito sem entrar em spoilers agressivos. Mais uma vez, é importante ter presente que Arcane não revoluciona no departamento narrativo nem é propriamente a segunda vinda de Cristo, mas faz tudo simplesmente muito bem, nomeadamente na escrita e no desenvolvimento das personagens de uma forma tão eficaz que é impossível não chegar ao fim desta temporada emocionalmente desgastado e esfomeado por mais. Arcane é assim, perfeito.

Felizmente, este parece não ser o fim de Arcane, do seu mundo e das suas personagens, mas isso será algo que vocês terão que descobrir como e porquê. Algo que já podem fazer, com os nove episódios de Arcane disponíveis na Netflix.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

Crítica – House of Gucci

Um filme que é uma demonstração de estilo, de ideias, mas com uma estrutura clássica que podia ser mais original e menos dependente de atalhos.

Crítica – Ghostbusters: Afterlife

Este é um filme divertido, uma aventura para miúdos e graúdos e um retorno à velha forma dos Caça-Fantasmas.

Crítica – Tick, Tick… Boom!

Com música memorável, viciante e de "primeira classe" interpretada por atores talentosos, Lin-Manuel Miranda apresenta uma das melhores obras musicais do século.

Crítica – Tre piani (Três Andares)

Tre piani prometia mais, mas tem pouco para oferecer.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Inaugurado primeiro Espaço Cidadão numa unidade de saúde

Algo que vem facilitar ainda mais a vida aos cidadãos.

Clockwork Aquario – Uma nova oportunidade para este clássico perdido

Anteriormente cancelado, o título da Westone regressa à vida graças à conversão da Inin Games.

Crítica – Resident Evil: Welcome to Raccoon City

Infelizmente, ainda não foi desta que surgiu um filme genuinamente bom de uma adaptação de Resident Evil para o grande ecrã.