Chefs on Fire Cascais: Um feliz adeus ao Verão com lenha, fogo e música

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O Chefs on Fire 2026 trouxe fogo, fumaça e música a Cascais, numa celebração gastronómica marcada pela diversidade de conceitos.

O festival Chefs on Fire regressou para a sua oitava edição nos dias 19 e 20 de setembro, transformando o Parque Marechal Carmona, em Cascais, no local de acolhimento de uma gastronomia de novos e alguns já famosos jovens autores, num evento no meio da natureza com muita lenha e fumaça.

Reunindo mais de 40 chefs consagrados, estrelas Michelin, Sóis do Guia Repsol e novos talentos, o evento integrou objetivos de valorização do produto de origem, contando com o apoio de marcas parceiras e uma app própria para gerir mapas, horários e experiências em tempo real. Entre acordes musicais transversais a várias épocas e gostos e aromas intensos, o público passeou por um recinto arborizado e estrategicamente organizado para celebrar a partilha à volta da fogueira, dir-se-ia que para nos despedirmos do verão em grande estilo.

Os organizadores desta edição pensaram o evento como expansão do maior festival de gastronomia no fogo da Europa, que este ano contou com a Madeira como primeira região convidada – representada pelos chefs Octávio Freitas (Desarma) e Filipe Janeiro (Gazebo) – e com a Extremadura espanhola, a marcar presença internacional através do chef Mario Clemente (Alberca).

Com o patrocínio e apoio de diversas marcas de renome como Makro, Papa Figos, Škoda, Pepsi, Estrella Damm, Nescafé, Guia Repsol, Primor, Jack Daniel’s e Lillet, o recinto no Parque Marechal Carmona foi disposto de forma fluida entre zonas temáticas, como o Prado, a Quinta, o Bosque, a Praia e o Palácio, interligando o arvoredo, as bancas de fogo lento e os palcos.

No que respeita aos participantes e menus completos recolhidos dos cartazes e do alinhamento oficial, a oferta distribuiu-se por dois dias de intensa criação culinária que encheram as medidas aos entusiastas da alta cozinha descomplicada. No dia 19 de setembro, data em que visitámos o festival, as fogueiras trouxeram propostas marcantes… e foram muitas!

Preparem-se: a Kafta de borrego com húmus de grão, salada de funcho e iogurte grego de Tiago Bonito (Éon), o Cachaço com verdes, molho do próprio e berbigão de José Lopes (Bon Bon), e o Cupim com abóbora na brasa e mostarda da Rising Star Lizandra Almeida (Pils).

A estes juntaram-se a tradicional Sandes da matança de Filipe Ramalho (Páteo Real), o Cabrito com batata e cinza assinado por Vasco Coelho Santos e Inês Azevedo (Lamina), a Sandocha de atum com tomate e alface de Zé Paulo Rocha (O Velho Eurico), e o Pregado com torricado de miso de alho negro e poejo de Elísio Bernardes (Sea Me).

O alinhamento deste primeiro dia incluiu ainda os Sames de bacalhau com grão de João Rodrigues (Grupo Monda), o Lírio fumado com salmorejo, melancia e verdes na brasa de Pedro Pena Bastos (Broto), o Peixe português na cinza com salada de beringela e pêra de Gil Fernandes (Fortaleza do Guincho), e o Brioche com tomate, figo e pistachio de Rui Lima Santos (Deselegante).

Completaram o quadro do dia 19 o Gozleme de espinafres e taleggio com romesco de Ana Leão (Corrupio), os Tacos de espargos e avelãs com salada verde de João Saloio (Mãe), a Pizza na chapa com kimchi, burrata, mel e chilli com cebolinho de Miguel Laffan (Gabbro), a Honey toast croissant com citrinos caramelizados, frozen yogurt, granizado de melancia assada e gel de mão de buddha de Verónica Dias (Brites), e a criação dedicada à batata por Lara Figueiredo (MACAM).

O fogo continuou a arder no dia 20 de setembro, com a Costela em fogo de chão com polenta de milho e vinagrete de ananás de Angélica Salvador (In Diferente), o Prato de casarecce com salsicha, brócolos e pangrattato de Nelson Soares (Sult), e a Espetada de língua e pancetta com iogurte e salada de João Magalhães (Bar Alimentar). O programa dominical destacou também o Cachaço de porco alentejano com batata fumada e tomate coração de boi de Afonso Dantas (A Cozinha do Paço), os Corações de galinha de Michele Marques (Mercearia do Gadanha), o Porco crocante com salada de batata de Miguel Peres (Pigmeu), e o Suzuki sumibiyaki com cotovelinhos, fumé e aromáticos de Paulo Alves (Praia no Parque).

A lista prosseguiu com o Peixe nacional com vichyssoise, cogumelos e tutano de Ricardo Costa (The Yeatman), o Yaki ika com beurre blanc de ouriço de Tiago Penão (Kappo), a Iwashi yaki sando de Fagner Buzinhani (Gojuu), o Shawarma de polvo com salada de tomate, garum e la-yu de Louise Bourrat (Mammarua), e a Cavala grelhada com molho de pimento vermelho assado e funcho em pickle de Matias Natuche (Barbela).

Fecharam este lote o Xerém fumado com cogumelos e raízes de Pedro Lemos (Pedro Lemos), a Courgete com manteiga fumada em brasa, ervas verdes esmagadas e piripiri do Rising Star Petter Nyström (Familjen), o Ramen de pão velho de Diogo Formiga (Encanto), a Banana grelhada com creme de especiarias e kulfi de coco de Filipe Manhita (Fortaleza do Guincho), e a Alheira doce de Nathalie Inês (Sála).

A estas propostas somaram-se ainda as participações especiais femininas com grandes marcas – a sobremesa de Juliana Penteado com a Škoda, a massa de Noélia Jerónimo com a Milaneza e os gelados de Marlene Vieira com manteiga Primor -, bem como uma zona de street food reforçada pelos Bites com projetos como Street Smash, Lupita, Arandu, Pop Bar, Little Moons Mochi, Gunpowder, Queijaria, doBeco, A Basqa, Pap’Açorda, Aquanostra, Selllva, Entreposto e O Lisboeta.

De resto, escusado será dizer que não provámos tudo isto – afinal, a gula tem limites e o estômago também. Entre tantas brasas e tachos, experimentámos o Cabrito com batata e cinza assinado por Vasco Coelho Santos e Inês Azevedo (Lamina), os Sames de bacalhau com grão de João Rodrigues (Grupo Monda) e os dois melhores na nossa opinião, que foram a Kafta de borrego, húmus de grão, salada de funcho e iogurte grego de Tiago Bonito, e a Tosta de camarão Black Tiger na brasa com salada de funcho (do espaço Gunpowder nos Bites).

Convém dizer que o bilhete para o Chefs on Fire Cascais custava 90€ com a inclusão de cinco pratos à escolha e duas bebidas. Logicamente aproveitámos tudo isto, e ainda tivemos direito aos “bites”, duas inconfundíveis sobremesas que nos foram simpaticamente oferecidas: a criação com molho verde do Terra & Fogo/Cascais Food Lab e a deliciosa sobremesa com pera da Škoda (assinada pela chef Juliana Penteado), que fecharam a experiência com chave de ouro.

O ambiente musical esteve à altura do fogo, com concertos marcantes de Silk Nobre, AGIR & Paulo de Carvalho e Bateu Matou, no primeiro dia, culminando no domingo com o formato Mesa que juntou Carolina Deslandes e amigos numa animada jam session, além de um set do DJ Xinobi.

Contudo, nem tudo foram rosas neste balanço final de estação: o evento encerrou o verão em grande, é certo, mas fê-lo sob o peso da habitual exorbitância nos preços dos bilhetes e consumos, acompanhada por porções de pratos diminutas que deixavam qualquer apetite a pedir mais substância.

Felizmente, essa frugalidade foi largamente contrabalançada pela fantástica diversidade de conceitos na zona dos bites, pelas bebidas incluídas e pelas duas inconfundíveis sobremesas oferecidas que fecharam a experiência com chave de ouro.

Oxalá a chama se repita para o ano com a mesma fasquia… e ainda mais generosidade à mesa.

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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