A venda de garrafas de plástico vai acabar em estádios e festivais devido ao sistema de depósito e reembolso. Bebidas passam a ser servidas em copos reutilizáveis.
A venda de garrafas de plástico em estádios de futebol, salas de espetáculos e recintos de festivais deverá ser progressivamente eliminada em Portugal, no contexto da implementação do sistema de depósito e reembolso de embalagens, avança o Jornal de Notícias (acesso pago). Em causa estão limitações operacionais associadas às regras de segurança destes espaços, onde as bebidas são frequentemente comercializadas sem tampa, impedindo a devolução das embalagens nas máquinas automáticas e a consequente recuperação da caução de 0,10€.
O sistema de depósito e reembolso, recentemente lançado, atribui um valor monetário às garrafas de plástico e latas até três litros, incentivando a sua devolução e reciclagem. No entanto, a exigência de que as embalagens sejam entregues completas tem criado dificuldades em locais onde a remoção da tampa é obrigatória, como acontece em eventos desportivos e culturais.
Perante este cenário, a solução mais imediata passa pela substituição das garrafas por copos reutilizáveis. As bebidas passam assim a ser servidas diretamente nestes recipientes, mediante o pagamento de um valor adicional que pode ser devolvido ao consumidor no momento da entrega do copo no final do evento.
A utilização de copos reutilizáveis já é uma prática corrente em alguns dos principais estádios portugueses, como o Estádio da Luz e o Estádio do Dragão, sobretudo no caso de refrigerantes. O modelo, que inclui um sistema de caução, tem também sido aplicado em concertos e festivais, sendo agora equacionada a sua extensão a outras bebidas, incluindo a água.
De acordo com a entidade responsável pelo sistema de depósito e reembolso em Portugal, a infraestrutura encontra-se atualmente em funcionamento em todo o território, estando prevista a expansão da rede para cerca de três mil máquinas automáticas até agosto. A expectativa passa também por uma redução significativa dos custos de limpeza urbana, associada à diminuição do abandono de embalagens.
Apesar dos avanços, persistem desafios na adaptação do sistema a diferentes contextos de consumo. Entre as alternativas em análise estão a reconfiguração das máquinas para aceitar garrafas sem tampa, a criação de pontos de devolução manual e a instalação de contentores específicos para doação de embalagens. Estão em curso contactos entre a entidade gestora do sistema e organizadores de eventos, incluindo a Liga Portugal, enquanto a definição das regras compete à Direção-Geral das Atividades Económicas e à Agência Portuguesa do Ambiente.
