Análise – Ys VIII: Lacrimosa of Dana

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Com o sucesso crescente da Nintendo Switch, o número de produtoras e estúdios dispostos em investir na consola híbrida tem vindo a aumentar considerável. Estamos perante uma nova busca por ouro, onde títulos independentes, como Hollow Knight, singram sem grandes problemas, e RPG outrora obscuros, como The Lost Child, ganham nova vida. No caso de Ys VIII: Lacrimosa of Dana, este talvez seja o recomeço que a série tanto precisava.

Para um RPG de ação em mundo aberto, Ys VIII não chega à Switch de paraquedas. Consigo traz uma das séries icónicas, ainda que pouco conhecidas, do género, e uma estreia muito positiva no PC e nas consolas da Sony, fora a tradução pouco convincente que apresentou durante o lançamento. No que toca à competição, Xenoblade Chronicles 2 talvez seja o único capaz de servir de comparação para a ilha de Seiren, palco das aventuras de Adol Christin, o nosso protagonista, e de Dogi, o seu fiel companheiro de viagem. Mas ao contrário do exclusivo da Nintendo, Ys VIII foca-se completamente na ação e na exploração, algo que lhe dá um charme inegável.

Após um ataque inesperado, Adol e companhia vêem-se presos em Seiren, uma ilha amaldiçoada conhecida por naufragar todos os navios que se aproximem das suas correntes, e sem plano de fuga. Com uma fauna e flora hostis e prontos para eliminar o destemido aventureiro, os sobreviventes têm de se unir, explorar a ilha em busca de mantimentos e encontrar uma saída. Como Ys VIII é um RPG japonês, é óbvio que Adol terá de salvar, uma vez mais, o mundo, algo que já deve ser mundano nos seus mais de 20 anos de experiência.

Esta aposta na exploração e na sobrevivência é um dos elementos de destaque de Ys VIII e algo que raramente encontramos no género. A ideia de estarmos presos numa ilha hostil, sem saída e onde o nosso objetivo passa, primeiro, por garantir a segurança do nosso acampamento e dos sobreviventes do naufrágio, em vez de estarmos constantemente a enfrentar vilões descartáveis, é incrivelmente bem implementada nesta aventura extensa. É um cenário diferente, muito atraente, cujo tom se torna até mais sério devido às implicações desta sobrevivência e da inexistência de um escape. Se Ys VIII tivesse a coragem de manter este fio narrativo do princípio ao fim, esta seria uma das campanhas mais interessantes dos últimos anos, mas parece que as produções japonesas têm de manter a sua quota de clichés desnecessários ou não existiriam jogos.

Ao contrário da história e da progressão da campanha, a jogabilidade mantém-se impecavelmente sólida e divertida ao longo das dezenas de horas de jogo. Os elementos apresentados em Ys Seven – que chegará em breve ao Steam -, como a utilização de uma equipa de três elementos, estão presentes aqui, mas mais profundos e mecanicamente satisfatórios. Os combates são rápidos e implacáveis, mas nunca fáceis, existindo ainda a necessidade (quase) constante de parar e melhorar as nossas personagens para enfrentarmos uma nova área ainda por explorar. Cada personagem tem à sua disposição várias habilidades que são imprescindíveis para cada combate, todas elas únicas e acessíveis, e existe ainda um poder especial que pode ser utilizado quando a barra de magia está no máximo e que proporciona um ataque mais destrutivo do que todos os outros.

Com a utilização de três personagens em simultâneo, e que podemos alternar a qualquer momento, o combate assume uma estrutura de papel-pedra-tesoura que nos obriga a usar uma equipa variada. Adol, por exemplo, é excelente a atacar animais terrenos, mas péssimo com inimigos que possuam uma armadura. É necessário explorar as fraquezas de cada monstro para efetuarmos ataques mais poderosos, com as habilidades a adicionarem um bónus se forem utilizadas para darmos o golpe final aos adversários e recolhermos mais recursos necessários para continuarmos a melhorar os nossos equipamentos.

O sistema de combate implementa ainda táticas mais defensivas, como o desvio perfeito, onde evitamos um ataque no último momento, e a proteção perfeita, uma defesa efetuada antes de sofrermos um golpe, com ambas a abrandarem o tempo e a darem aos jogadores a possibilidade de saírem de uma situação mais complicada. Isto tudo acontece através de combates rápidos, sem pausas, e, ainda assim, totalmente compreensíveis e nada confusos desde o seu primeiro segundo até ao último. Todos os elementos do combate estão em perfeita união, algo surpreendente para um jogo deste género.

É certo que existe aqui uma certa repetição inevitável na jogabilidade, não fosse este um RPG bastante extenso, mas Ys VIII faz de tudo para manter a sua campanha variada e envolvente. A exploração é um dos pontos de destaque e é através do reconhecimento da ilha que encontramos novos recursos essenciais para o nosso acampamento. Ys VIII eleva a progressão da campanha ao adicionar uma mecânica de crafting que nos dá a possibilidade de melhorarmos as armas e equipamentos das personagens, cozinhar novos alimentos, confecionar medicamentos e criar novos itens. A Falcom fez o seu trabalho de casa e deu-nos uma experiência muito completa.

Infelizmente, Ys VIII chega à Nintendo Switch com uma redução bastante visível na qualidade gráfica. É certo que estamos a falar de um jogo que foi originalmente concebido para a PlayStation Vita, mas sentimos aqui alguns dos problemas que assolam este tipo de conversões para a Switch. A baixa resolução é o primeiro problema a ficar visível assim que chegamos a Seiren, com os cenários a não conseguirem manter uma profundidade constante, como se o mundo de Ys VIII estivesse ligeiramente desfocado. A expansividade dos cenários fica, assim, limitada pela resolução, algo que prejudica o nosso envolvimento na fantástica direção de arte – que, apesar de ser muito consistente, não consegue ocultar os problemas desta versão portátil.

Demoraram mais de 20 anos, mas Ys chegou finalmente à ribalta. Lacrimosa of Dana é um excelente RPG de ação com um inteligente foco na sobrevivência que infelizmente não consegue manter até à sua conclusão. A versão Switch tem os seus problemas, nomeadamente na resolução, mas, quando a vemos em movimento, sem quebras de frames e com uma performance sólida, compreendemos como a sua qualidade não foi prejudica. Ys VIII é essencial para todos os fãs do género.

Ys VIII: Lacrimosa of Dana está disponivel para Nintendo Switch, PlayStation 4, PS Vita e PC.

Este jogo foi cedido para análise pela NIS America.


 

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