Análise – Ys IX: Monstrum Nox (PlayStation 4)

Adol está de regresso ao PC e consola nesta sequela há muito aguardada da série RPG clássica.

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É com uma enorme alegria que vejo a pequena, mas crescente popularidade da série Ys no ocidente. As aventuras de Adol e Dogi foram marcando esporadicamente presença fora do Japão, mas sinto que é a primeira vez que recebemos tantos títulos da saga em tão pouco tempo, seja no PC ou nas consolas desta e da geração anterior. Apesar de não ser a melhor ou a mais profunda série RPG de ação, Ys tem um charme incontornável, clássico e nostálgico que se mune de mecânicas clássicas, mas sempre com um toque muito personalizado e Ys IX: Monstrum Nox não é diferente.

Desta vez, Adol, o aventureiro de cabelo escarlate, viaja até à cidade-prisão de Balduq onde se vê enclausurado misteriosamente. No centro da cidade, ergue-se uma enorme fortaleza, transformada em prisão, onde prisioneiros desaparecem e um número assustador de monstros parece nascer das suas catacumbas. Para descobrir o que se passa em Balduq, Adol é obrigado a fugir da prisão e a aceitar o seu destino como Monstrum, um dos escolhidos para lutar contra os Lemure, seres demoníacos que ameaçam destruir o mundo. Mas qual será a ligação entre a prisão de Balduq e os Monstrum? Essa é a resposta que terão de encontrar ao longo da campanha à medida que exploram esta nova cidade e conhecem os vários companheiros de equipa, que complementam não só a narrativa, como o sistema de combate.

Como seria de esperar, Monstrum Nox não vive da sua estória, mas o mistério é suficientemente alimentado para nos manter envolvidos do princípio ao fim, aproveitando o final de cada capítulo para apresentar mais uma revelação inesperada. Infelizmente, os clichés não tardam a revelar a sua verdadeira natureza e a demonstrar como a narrativa é, de facto, muito rudimentar, mas as personagens de Monstrum Nox complementam esta falha com as suas personalidades coloridas. Nem todas são eficazes, como é o caso de Adol, que continua a ser um protagonista mudo, mas cria-se, como nos títulos anteriores, uma ideia de camaradagem que dá ao elenco uma maior profundidade narrativa.

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O foco está, como sempre, no sistema de combate e na exploração de um mundo suficientemente vasto para nos agarrar durante dezenas de horas. Vamos ao primeiro. Tal como em Ys VIII: Lacrimosa of Dana, a nova sequela traz-nos um sistema de batalha rápido, intuitivo e muito básico que se resume a um golpe rápido e a quatro habilidades especiais, que podem equipar, alterar e melhorar ao longo da campanha. Não existem combinações complexas ou o equilíbrio entre ataques rápidos e pesados: em Ys só têm de combinar os golpes normais com as habilidades. No entanto, isso não significa que não existe alguma variedade e estratégia dentro dos combates. O sistema de pedra-papel-tesoura está de regresso, o que significa que têm de alternar entre personagens para derrotarem inimigos que são fracos a ataques rápidos, a força ou a golpes à distância. Existem melhorias ou alterações significativas desde o título anterior? Não, mas Monstrum Nox é mais fluído e frenético que as suas prequelas, o que combina perfeitamente com a troca rápida de personagens.

Os sistemas de desvio e defesa perfeita estão também de regresso e, arrisco-me a dizer, melhor que nunca. A sua funcionalidade mantém-se inalterada, com o jogador a necessitar de se desviar ou defender no momento certo para abrandar o tempo ou aumentar o seu poder de ataque, respetivamente, durante um combate. Em Monstrum Nox, senti que estes dois sistemas são muito mais fáceis de utilizar e dei comigo a utilizá-los várias vezes em combate, algo que não aconteceu em Memories of Celceta ou o já mencionado Lacrimosa of Dana. Talvez seja a fluidez deste novo sistema de combate que dá ao jogo uma melhor leitura de frames, facilitando assim a experiência de combate. No entanto, as suas funcionalidades não são inovadoras, ainda que representem uma porção importante do que agora associo às mecânicas de ação da série.

A evolução por níveis, a aposta em equipamentos e a criação de itens também voltam a marcar presença em Monstrum Nox e funcionam tal como se recordam. Ao longo das várias masmorras, irão encontrar inimigos e ganhar pontos de experiência à medida que recolhem recursos preciosos que vos permitem criar novas armas, itens de cura ou até mesmo pratos gastronómicos que melhoram temporariamente a vossa força ou evoluem permanentemente os níveis das vossas personagens. Para ajudar, terão sempre várias missões secundárias espalhadas por Balduq que vos darão acesso a mais itens e a novas habilidades, criando-se, assim, a mesma estrutura viciante, ainda que assente na repetição que vimos nos títulos anteriores.

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Mas, afinal, o que há de novo em Monstrum Nox? Na verdade, muito e ao mesmo tempo pouco. O grande destaque vai para o novo sistema de movimentação, uma novidade que, à primeira vista, parecia ser apenas cosmética, mas que mudou por completo o level design horizontal da série e injetou-lhe uma muito necessária verticalidade que permitiu à equipa expandir os cenários com uma maior profundidade e detalhe. Os novos poderes dão a Adol a possibilidade de efetuar um duplo salto, saltar entre pontos específicos do mapa, escalar qualquer parede do cenário como se fosse um gato e planar pelo ar, entre outros. As possibilidades de exploração são incríveis e a verticalidade dos níveis, especialmente das masmorras, faz com que exista uma maior criatividade na busca por colecionáveis. Um baú secreto pode estar escondido em qualquer parte do mapa e a possibilidade de escalar as paredes dá-nos também a sensação de estarmos num jogo de plataformas, ainda que muito simplificado e sem profundidade.

A cidade de Balduq ganha assim vida, ainda que só a nível mecânico. Os novos poderes permitem-nos andar pelos telhados, saltar rapidamente entre pontos do mapa e cortar alguma da deslocação chata e incomodativa do jogo, justificando desta forma o tamanho surpreendente da cidade. Existem várias zonas, todas elas com vários caminhos e rotas adicionais, e é muito mais fácil e divertido de nos movimentarmos. No entanto, caso sintam que estas novas opções não são suficientes, têm a opção de fast-travel sempre disponível e que interliga alguns dos pontos mais importantes da cidade de Balduq. Ys IX é, sem qualquer dúvida, o título da série onde me vi mais motivado a encontrar colecionáveis e baús pelos cenários, um feito que não é, de todo, descartável.

O salto rápido marca presença nos combates e permite-nos aproximar rapidamente dos inimigos, mas existem poucos momentos onde senti que era uma habilidade essencial para o sistema de combate de Ys IX, à exceção dos confrontos com os bosses e mini-bosses – que apresentam pontos fracos. Já o escalar e o duplo salto são completamente descartáveis em combate, relegados unicamente à exploração, visto que os cenários são extensos e expansivos o suficiente para justificarem a escalada de parede, a não ser que queiram escapar de um confronto – e mesmo assim, não são eficazes, visto que só escalamos em linha reta. Uma oportunidade perdida para dar alguma profundidade aos combates e destacar ainda mais Ys IX dos seus antecessores, mas fica a nota que irão desbloquear mais habilidades desta natureza à medida que avançam na campanha e descobrem novos membros da equipa.

Existem ainda novidades que são, infelizmente, reaproveitadas de outros jogos, ainda que com funcionalidades ligeiramente diferentes. Ao contrário das batalhas de defesa de Lacrimosa of Dana, em Ys IX temos os Monstrum Nox, sequências de combate, também por ondas de inimigos, onde temos de defender Aprilis para obtermos a maior pontuação possível (com o máximo de uma classificação de S). Estas sequências são acionadas através de batalhas contra os Lemures fora das masmorras, com vários pontos de luz a ficarem espalhados pela cidade após o primeiro capítulo. Ao derrotarem estas criaturas, têm acesso a pontos de Nox e, quando atingem os 100 pontos, são transportados para um novo combate. Estes pontos podem também ser utilizados para adquirirem itens especiais e desbloquear novas zonas da cidade, que estão restritas no início, criando assim uma progressão limitada por combates monótonos.

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E são, sublinho, monótonos e não aprecio que estejam tão embrenhados na progressão da campanha. Os combates são rápidos, mas nunca são interessantes após a primeira vez que enfrentam os mesmos grupos de inimigos. É aliciante, admito, ter o maior número de pontos para comprar itens mais poderosos e raros, mas torna-se cansativo andar sempre pelas mesmas zonas da cidade à procura de combates que pouco ou nada nos desafiam. Esta sensação de cansaço é enaltecida pelos cenários básicos, monocromáticos e sem detalhe da cidade de Balduq, um claro retrocesso a nível artístico em comparação aos títulos anteriores. Se temos uma evolução no movimento e opções de deslocação de Adol, por outro lado, temos uma cidade que nos relembra dos tempos da PS3, ainda que as personagens adicionem alguma cor ao jogo. Espero que Ys X represente o salto visual que os fãs tanto querem.

Ys IX: Monstrum Nox é, assim, o título mais inovador e seguro da série. Algumas das suas mecânicas são, de facto, estreias para esta saga de ação, mas muitos dos seus sistemas, como as batalhas de hordas e a gestão de um negócio/estabelecimento, são retirados dos títulos anteriores, como Lacrimosa of Dana e a sua aposta na manutenção do campo de sobreviventes.

Dois passos à frente e outro atrás, assim é esta nova aventura de Adol que, no entanto, nunca deixa de ser divertida e até viciante quando conseguimos contornar os seus elementos mais repetitivos. Quando estamos em combate, com a música energética de Hayato Sonoda, Takahiro Unisuga, Yukihiro Jindo e Mitsuo Singae, e as várias habilidades das personagens, ou a explorar a cidade com mecânicas que permitem escalar qualquer edifício, percebemos a magia desta série clássica.

Só faltou um algum primor para ser imperdível, mas é recomendado aos fãs.

Nota: Muito Bom

Disponível para: PC, PlayStation 4 e Nintendo Switch
Jogado na PlayStation 4
Cópia para análise cedida pela NIS America.

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