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Análise – Huntdown

Um excelente jogo de ação, inspirado por clássicos dos anos 80, que nos coloca no papel de um caçador de prémios em luta contra os gangues que procuram destruir a sua cidade.

Depois de Streets of Rage 4 e Ion Fury, estamos de regresso às ruas sujas da nostalgia com Huntdown. Tal como a antiga franquia da SEGA, que nos surpreendeu pela positiva, o título da Easy Trigger consegue adaptar e revitalizar o formato side scroller com sensibilidades da geração dos 32 bits, desde os seus gráficos 2D, repletos de sprites, até à aposta na ação e na violência quase cartoonesca com que se delicia.

Huntdown caiu que nem um meteorito nas nossas consolas. A sua revelação foi inesperada, mas o trailer, lançado recentemente, já antevia o tipo de experiência que viria a proporcionar-nos. Inspirado por filmes da década de 80, tanto nas suas narrativas exageradas, como na própria estética visual – cheio de luzes néon e cores frias –, Huntdown mantém também um estilo próximo do Grindhouse, onde a violência é a palavra de ordem. A estória, como seria de esperar, segue os mesmos modelos, munida de clichés e de um humor mordaz, e coloca-nos sob o controlo de três mercenários – Anna Conda, John Sawyer e Mow Man – que procuram limpar a cidade dos gangues que a assolam.

A campanha está recheada de níveis e há muito para descobrir em Huntdown. Com uma perspetiva 2D, apresenta-nos uma viagem frenética por bairros destruídos, repletos de lixo, drogas e álcool, à medida que enfrentamos criminosos que chegam de todas as direções. Os níveis são, na maioria, curtos, divididos por várias fases – com um sistema simpático de checkpoints – culminando sempre numa batalha contra os bosses. Até chegarmos aos nossos alvos, que se encontram espalhados por três zonas principais, descobriremos ainda muitos colecionáveis escondidos, armas secundárias e uma dificuldade crescente que promete desafiar até os fãs do género.

Na sua génese, Huntdown é muito simples, mantendo o seu lado mais clássico e familiar. Os níveis apresentam algumas sequências de plataformas, mas o foco está na ação visceral e na utilização e gestão das armas face às hordas de inimigos. A nível de mecânicas, Huntdown mantém essa aposta, mas tenta injetar alguma estratégia no seu sistema de combate, permitindo a utilização de cobertura, como caixas e veículos – que podem ser destruídos –, e a possibilidade de nos escondermos em determinadas partes dos cenários, evitando assim quaisquer ataques. Esta aposta na cobertura é essencial, não existem dúvidas, mas acho que há um pequeno desequilíbrio entre a ação rápida e fluída do sistema de combate e esta mecânica mais estratégica. A ideia de parar o progresso é contraproducente, mas, com treino e experiência, acredito que seja possível terminar qualquer nível sem parar para respirar.

O design é detalhado, de fácil leitura, e há uma aposta na repetição que lhe dá uma maior longevidade, com cada nível a apresentar três tipos de avaliação: número de inimigos mortos, descoberta dos colecionáveis e um bónus se não perderem uma vida. Como os níveis são, na sua maioria, curtos, cria-se uma maior vontade em regressar e em melhorar o nosso tempo, tal como a nossa eficácia em combate. Esta longevidade é enaltecida pela presença de uma seleção de níveis, que facilita o regresso aos capítulos já terminados.

Aliado a um estilo visual muito marcante e nostálgico, com as cores e iluminação a relembrarem títulos como RoboCop Versus The Terminator, Huntdown é uma explosão de cor e efeitos sonoros. Os inimigos podem sair de qualquer parte dos cenários, há sempre algo a arder ou a rebentar à nossa volta, e cria-se uma sensação de caos controlado à medida que limpamos as ruas dos gangues; especialmente quando jogamos com um amigo. O detalhe nos cenários é um dos pontos altos, seja nos prédios repletos de grafitis ou na tela de fundo, que realça a selva de betão em que nos encontramos e lhe dá uma maior profundidade. Este elementos são realçados pela banda sonora, composta maioritariamente por sintetizadores, com algumas músicas a demonstrarem claras influências no trabalho de Brad Fiedel (Exterminador Implacável).

Não há muito a apontar a Huntdown que possa ser considerado como negativo. Tanto as personagens principais, como os bosses, apresentam traços e mecânicas que lhes dão mais personalidade e traços unidos; sejam mecânicos ou puramente visuais. Cada batalha é diferente da anterior e há uma verdadeira tensão quando chegamos a um dos líderes dos gangues. Talvez possamos dizer que os níveis, antes destas batalhas explosivas, acabam por perder a sua surpresa rapidamente, não oferecendo muito espaço para a exploração. Podemos também dizer que os inimigos se tornam cansativos, com armaduras que absorvem mais dano e que prejudicam o ritmo da campanha. Mas no final do dia, nada disso irá estragar a vossa experiência com Huntdown. E isso é que importa.

Se adoram jogos de ação e side scrollers repletos de violência, gangues e futuros distópicos, então Huntdown é para vocês. A ação é rápida, muito desafiante e apresenta várias armas e segredos para descobrirem à medida que eliminam tudo o que se atravessa no vosso caminho. É impiedoso, barulhento, cheio de cenários destrutivos e de uma banda sonora composta por sintetizadores que enaltecem o seu ritmo frenético. No fundo, é mais uma bela aposta independente para estes tempos tão estranhos.

Nota: Muito Bom

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Swipe Right.

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