TOEM – Um passeio fotográfico de final de verão

A Something We Made traz-nos um dos lançamentos mais adoráveis deste final de 2021.

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Como um sonho de verão, TOEM surge-nos numa época de mudança. Apesar de ainda sentirmos o calor dos meses mais quentes, o outono começa a instalar-se, as folhas mudam lentamente de cor e a brisa fria percorre as ruas, relembrando-nos de que estamos próximos do final do ano. Para trás ficam as férias, as aventuras de verão, de interregno, e os passeios por locais que nunca visitámos antes. É aqui que TOEM se insere, um jogo de exploração, puzzles e fotografia que nos leva numa viagem de crescimento através dos olhos de um jovem em busca do mítico TOEM.

A aventura começa como muitas outras. É uma demanda que já experienciaram nos mais variados formatos e que começa com um jovem protagonista a partir sozinho numa nova aventura. Como um rito de passagem, o nosso herói parte em busca de TOEM, um estranho monumento localizado algures nas montanhas frias do norte, mas antes de partir, a avó dá-lhe uma máquina fotográfica para, tal como ela décadas antes, registar a sua aventura. Entre a sua casa modesta, longe das cidades, e o monumento encontram-se quatro regiões que o nosso protagonista terá de visitar antes de chegar ao seu objetivo, ajudando todos aqueles que precisam através das mais variadas atividades.

TOEM constrói-se como um jogo de aventura e exploração onde todos os puzzles, que assumem vários formatos, alguns até surpreendentes – como a busca por monstros lendários -, são resolvidos através da lente da câmara fotográfica. A ação decorre numa perspetiva isométrica, com os cenários a dividirem-se por áreas pequenas, mas repletas de elementos para fotografarmos e registarmos enquanto procuramos uma solução para os vários problemas que assolam as alegres personagens que encontramos na nossa demanda. Como um bom samaritano, o nosso protagonista ajuda as pessoas em troca de carimbos que lhe permitem continuar a sua viagem, existindo ainda a possibilidade de retornar às zonas já exploradas para concluir a sua coleção fotográfica.

A definição de puzzle é um pouco inglória, pois TOEM constrói-se mais sobre a premissa de acontecimentos lógicos e da utilização da câmara, que podemos equipar com um tripé para tirarmos fotografias à distância, e da leitura dos cenários. Temos de compreender as tarefas necessárias para ativarmos um acontecimento específico que precisamos de fotografar, como esconder-nos num painel para apanhar um monstrinho em flagrante ou acordarmos uma personagem que dorme com a nossa buzina, mas nada de complicado ou stressante. TOEM move-se na sua simplicidade, utilizando a sua perspetiva isométrica para esconder alguns segredos e limitando a exploração a zonas bem definidas e interligadas, sempre com um humor inocente e um ambiente descontraído.

A captura de fotografias foi otimizada para casar melhor a exploração com a resolução dos pequenos momentos de quebra-cabeças, mas a alma de TOEM nunca é sacrificada pela sua simplicidade. O mundo da fotografia continua a ser o coração da jogabilidade, com a perspetiva a assumir uma visão na primeira pessoa sempre que ativamos a câmara, e mesmo sem opções de personalização, onde só estamos munidos por algumas melhorias e um zoom, a descoberta de novos animais ou elementos decorativos sobrepõem-se às exigências de um enquadramento perfeito. TOEM é descontraído, não é exigente e muito menos crítico das vossas habilidades, pedindo apenas que explorem o seu mundo e se divirtam.

No entanto, a captura de fotografias nem sempre é a mais intuitiva ou rápida e existem momentos em que não conseguimos apanhar perfeitamente os elementos que precisamos para continuarmos em frente. Mesmo com um foco automático, que podemos desativar, o jogo peca ao apresentar vários elementos num só espaço que condicionam a captura sem adicionarem necessariamente um desafio. Não é a dificuldade que está em causa, mas sim o ruído que às vezes encontramos em determinadas zonas dos seus cenários curtos. Os ambientes monocromáticos nunca interferem com a exploração e os modelos das personagens são suficientemente animados para se destacarem nos cenários, mas existe um cansaço que se instala ao longo da campanha curta. Penso que dependerá de jogador para jogador, mas é um problema associado a este estilo de arte.

Com a campanha concluída, deixamos para trás oficialmente o verão. Por ironia, escrevo esta análise no primeiro dia de outono, marcado por chuvas fortes e trovoada, onde já sentimos o aroma do tempo frio, ainda que o sol continue a sorrir. TOEM não é uma aventura tão emocional como o carinho que sentimos por estes episódios da infância, mas é impossível não associar os dois quando a idade não perdoa. Tal como Alba: A Wild Life Adventure nos encaminhou no início do verão, assim TOEM nos ajuda a conclui-lo e é uma escolha perfeita: um título marcado por mecânicas simples, uma estrutura fechada em zonas que só podem ser desbloqueadas ao concluirmos tarefas especificas e uma aventura sem urgências ou males maiores. Tal como uma aventura de verão.

Recomendado

Cópia para análise (PlayStation) cedida pela Popagenda.

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