Space Moth: Lunar Edition – Uma experiência psicadélica

A nova edição de Space Moth traz-nos uma aventura mais marcante a nível visual e com um enorme foco na dificuldade.

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Na sua descrição, a 1CC Games define-se como uma produtora mais focada na jogabilidade. “Apenas Jogabilidade, Sempre” é a frase que conseguimos ler quando visitamos o seu site oficial e basta olhar para o seu catálogo para percebermos que este posicionamento não é inocente. A produtora londrina tem-se focado nos jogos de ação espaciais, nos tradicionais shoot’em up, injetando-lhes uma estética nostálgica, capaz de nos transportar para a era da Atari e dos salões de jogos, que procura ser tão refrescante, como familiar. E se Star Hunter DX, que analisámos este ano, não conseguiu destacar-se pela positiva, apostando em padrões aleatórios e em combates caóticos, já Space Moth: Lunar Edition jorra harmonia, talento e desafio.

Space Moth não é propriamente uma estreia para a 1CC Games. Aliás, trata-se do relançamento de um dos seus primeiros títulos, agora remisturado e lançado com gráficos, visuais e um desempenho mais apurados. Não conheci a versão original, mas pelo que pude averiguar, os alicerces são os mesmos. A Lunar Edition vai a fundo na sua estética retro, nas cores fortes, nas luzes néon e estridentes, onde o seu mundo de insetos e psicotrópicos é elevado ao máximo. Existe aqui uma experiência visual que me marcou pela positiva, seja pelos seus modelos grandes e bem definidos, ou pelo equilíbrio na cor dos inimigos, da nossa traça e dos projéteis que enchem o ecrã sem nunca prejudicar a leitura do mesmo. Às vezes não precisamos de grandes voos, de modelos ultra realistas ou de cenários animados e ostensivos, mas sim de personalidade e é isso que Space Moth: Lunar Edition nos traz.

Com cinco níveis, que culminam, como sempre, numa batalha contra bosses gigantescos, Space Moth não perde tempo em surpreender-nos. Apesar de se banhar numa deliciosa simplicidade mecânica, a 1CC Games conseguiu reinventar algumas bases arquetipais do género para criar uma experiência tão acessível, como desafiante. Ao contrário dos seus iguais, Space Moth não aposta na melhoria das suas armas ou num leque de habilidades que podemos trocar ao longo da campanha, mas sim em dois tipos de disparo. O primeiro, e mais tradicional, é um ataque rápido que envolve uma grande parte do ecrã. Este ataque é perfeito para contra-atacar e mantermo-nos em movimento, e é a ponte para uma das mecânicas principais do jogo: o soul drain. Ao dispararmos rapidamente, colocamos os inimigos num estado de fragilidade onde podemos colecionar mais pontos se os eliminarmos com o segundo tipo de ataque: o laser concentrado.

O ataque rápido é menos poderoso, como seria de esperar, mas tem outra vantagem. Ao eliminarmos mais inimigos, temos a possibilidade de ativar um escudo que não só bloqueia todos os projéteis, como aumenta a percentagem de dano do nosso ataque mais destrutivo, que funciona como as tradicionais bombas noutros jogos. Já o ataque concentrado serve o propósito de atacar mais visceralmente os inimigos, mas também aumentar a pontuação e revelar itens secretos. Space Moth constrói-se em torno destas quatro mecânicas e cria uma enorme harmonia na jogabilidade, pois existe uma ligação lógica entre as quatro. Usamos o ataque rápido para aumentar o escudo e ferir os inimigos, passamos para o ataque concentrado quando encontramos inimigos mais poderosos pela frente e ativamos o ataque mais destrutivo quando não temos outra solução.

Esta harmonia talvez fosse impossível sem o design dos níveis e os padrões do inimigos, que aqui assumem um estilo muito próximo dos bullet-hell. Space Moth não é um jogo fácil, longe disso, e não tem quaisquer problemas em atirar tudo para cima de nós, mas ao contrário de outros jogos que analisei recentemente – como Gynoug -, existe um maior equilíbrio e fluidez na forma como os inimigos surgem nos ecrãs e são combinados com as hordas de projéteis que temos de evitar. O controlo da nossa traça espacial também é muito eficaz e intuitivo, e a sua hitbox está perfeitamente posicionada no centro, identificada por uma esfera amarela, que nos permite controlar melhor a sua movimentação através de espaços e caminhos mais microscópicos. E o melhor disto tudo é que nunca senti que Space Moth fosse injusto ou irritante, antes pelo contrário, fui-me deixando levar progressivamente pela sua simplicidade e foco exímios.

O vosso investimento irá sempre depender do que estão dispostos a investir na aprendizagem das mecânicas e dos padrões dos inimigos, mas Space Moth: Lunar Edition apresenta vários desafios para completarem (sob o formato de troféus), tal como um modo de treino e ainda a possibilidade de encontrarem todos os itens secretos. Com duas traças à disposição, que se comportam de maneira diferente, vários bosses – que podem fugir se não forem suficientemente rápidos –, e uma dificuldade equilibrada, arrisco-me a dizer que o título da 1CC Games irá deliciar os fãs do género. Mas estarei certo ou será apenas a sofrer de Síndrome de Estocolmo depois de perder horas com videojogos do género que tentaram fazer mais e falharam? Uma dúvida que irão resolver se aceitarem o desafio.

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Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Player Two PR.

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