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Análise – Smartphone Kodak Ektra: Um Frankenstein de bolso

Pode-se dizer que, hoje em dia, poucas pessoas procuram câmaras fotográficas de levar no bolso. A razão é óbvia. Desde que os smartphones começaram a ter a funcionalidade de tirar fotografias, este segmento evoluiu de tal maneira que alguns dispositivos topo de gama quase tiram o lugar a câmaras dedicadas ao vídeo e fotografia.

Com esta invasão no mercado, em que algumas marcas de máquinas fotográficas perderam espaço, a Kodak pensou naquilo que seria uma ideia genial há uns anos: uma câmara que é também um smartphone.

O Kodak Ektra, apesar da marca que lhe dá o nome, é fabricado pela britânica Bullitt, que é também responsável pelos smartphones da Cat. E o seu conceito é, no mínimo, interessante, pois oferece todas as capacidades que podemos encontrar numa câmara fotográfica dedicada. É, aliás, um equipamento desenhado para fotógrafos.

Esqueçam os ecrãs infinitos, os corpos ultrafinos e designs minimalistas. O corpo da Ektra quer mesmo emular o de uma câmara de bolso. É um dispositivo espesso, tem uma traseira de material plástico que simula pele e a lente traseira é enorme e com uma saliência arredondada, tendo a intenção de tornar o Ektra mais ergonómico. Também de destacar é o, muito importante, botão dedicado para a fotografia.

Não vamos mentir, o Kodak Ektra impressiona a nível de design, muito em parte pela sua estranheza. É um equipamento muito singular e que levanta a questão: É um smartphone que faz de câmara ou uma câmara que faz de smartphone?

Infelizmente, é apenas um estranho smartphone, complicado e que não cumpre a promessa.

Estamos perante um smartphone de média gama com Android 6.0. O seu processador é um MediaTek MT6797 Helio X20 com uns insólitos 10 núcleos, tem 3GB de memória RAM, 32GB de memória interna com suporte até 128GB via microSD, o ecrã é de cinco polegadas com resolução FullHD e tem ainda uma bateria de 3000mAh.

No fundo, é um equipamento modesto e atual, com um desempenho ajustado. Com o Ektra vamos fazer tudo o que podemos fazer num smartphone normal, sem dificuldades ou  problemas. Fazer telefonemas, mandar mensagens, ir ao email, ver vídeos no Youtube, etc…

Com a sua bateria de 3000mAh, enquanto smartphone, estamos bem equipados. No entanto, com o uso mais intensivo dos modos fotografia, já começamos a ficar mais limitados, com um tempo de utilização que não chega a um dia.

Depois temos as capacidades fotográficas deste equipamento, que, atendendo ao seu conceito, deveria, no mínimo, limpar com a concorrência de smartphones topo de gama. Infelizmente, também não é o caso.

Na traseira, a grande lente de 26.5mm tem um sensor Sony IMX230 de 21MP com focagem super-rápida e abertura f/2.0, sendo também capaz de filmar em 4K. Na frente, o Ektra recorre a um sensor de apenas 13MP, semelhante a muitos outros smartphones.

Kodak Ektra

Mesmo antes de começarmos a usar o Ektra para fotografia, todo o design e características influenciam severamente a ergonomia do equipamento. É interessante que do lado direito/base a saliência arredondada sirva de pega, mas seria preferível esta não existir, pois é notória a falta de corpo necessário para segurar o equipamento. Também a saliência e o tamanho da câmara traseira influenciam a utilização, acabando por ser fácil colocar os dedos por cima da lente.

Segurar o Ektra como um smartphone banal também requer alguma habituação, já que a traseira do equipamento basicamente nunca entra em contacto com a palma da mão, tornando-se desconfortável e correndo o risco de danificar a objetiva traseira.

A nível de fotografia, o Ektra é competente, apesar de tudo, não lhe faltando funções manuais e automáticas. A aplicação pré-definida até inclui uma interface que simula a roda de opções das SLR.

Os utilizadores mais experientes vão ficar satisfeitos com a quantidade de opções disponíveis. Já com os resultados é outra história, especialmente se considerarmos que estamos num mundo onde o Samsung Galaxy S8/Note 8, o Huawei 10 Mate Pro e o iPhone 8/X existem.

O desempenho da câmara não é, de facto, o expectável. O auto-foco falha com frequência, os balanços de brancos tendem sempre para tons mais quentes e o ruído de imagem é muito visível quando as condições não são as ideais.

Outro exemplo de como o design e ergonomia podem ter implicações no uso desta “câmara” é o recurso ao botão físico. Enquanto que noutros equipamentos pode ser muito útil, neste caso em específico o clique vai causar muitas frustrações, mesmo com o disparo configurado para ser o mais rápido possível. Ir tradicionalmente ao botão virtual do ecrã acabou por resultar sempre em melhores fotografias.

Mas este negativismo não se reflete num mau equipamento. Simplesmente fica muito aquém das expectativas da sua promessa. Ainda assim, pode ser uma solução para quem viaja muito e quer ter uma “polaroid digital” consigo.

O seu valor também nos parece exagerado para os 399,99€, preço original ainda praticado por algumas lojas, o que, muito honestamente, nos faz virar para equipamentos menos “fotográficos”. No entanto, o Ektra tem sofrido alterações drásticas no preço, sendo até possível encontrá-lo por menos de 200€, o que pode ser um valor muito simpático para o equipamento em si.

O equipamento foi cedido para análise pela Kodak.


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