Análise – Samsung Galaxy S8+

Sendo eu um feliz possuidor do ainda excelente Samsung Galaxy S7, fiquei em êxtase ao saber que iria ter a oportunidade de testar o mais recente topo de gama da marca coreana, o Samsung Galaxy S8+. Após duas semanas nas mãos da equipa do Echo Boomer, podemos dizer que é, sem dúvida, um dispositivo fenomenal, mas não é livre de imperfeições.

Lançado em abril deste ano, o terminal chegou-nos às mãos para duas alguns dias de utilização diária, transformados, neste caso, em análise. A questão que salta logo é: como é que me senti ao saltar do S7 para o S8+? Bem, apesar dos terminais não serem assim tão diferentes – tirando o espetacular ecrã Infinito e um processador diferente da Qualcomm – a verdade é que, voltando ao S7, este parece um dispositivo muito datado. Estranho, não é?

Design, qualidade de construção e ecrã Infinito

Depois do fiasco com o Galaxy Note 7, a Samsung reuniu todos os esforços e criou um smartphone visualmente lindo, sexy e futurista, o mais diferenciador a nível estético até aos dias de hoje. O design incrível do terminal mostra que este foi pensado para que não se consiga distinguir o seu corpo metálico do vidro frontal Gorilla Glass 5. Ao pegar nele, sentimos que estamos perante uma peça de excelente qualidade de construção, afigurando-se como um brinquedo altamente tecnológico. É mesmo um smartphone inovador, que se distancia dos demais, e que foi pensado para fulminar a concorrência.

O S8+ é bastante leve e apresenta-se com um desenho bastante simétrico. No entanto, dado os materiais, e a não ser que se use alguma capa, é fácil marcar o equipamento com dedadas. Apesar das suas dimensões, é ainda bastante ergonómico e, curiosamente, não escorrega facilmente das mãos, algo que admitimos ter algum receio no início só de olhar para ele.

No painel frontal, estão presentes os sensores de luminosidade, proximidade e o leitor de íris. Já na parte traseira fica o leitor de impressões digitais… e este é o primeiro problema do S8+, e, por sinal, o mais grave. Colocar o sensor ao lado da câmara traseira foi uma má jogada, até porque, dado o tamanho do terminal, dei por mim várias vezes a sujar o sensor fotográfico. E eu nem tenho as mãos pequenas. Ou seja, se não havia possibilidade de colocar o leitor na parte frontal, faria muito mais sentido colocá-lo abaixo do sensor fotográfico traseiro.

Eventualmente lá se consegue apanhar o jeito e usar o sensor biométrico de modo devido, mas, ainda assim, é uma tarefa ingrata para algo que devia ser tão básico. Esperamos ver este ponto corrigido no Note 8.

Há, no entanto, que destacar um ponto positivo da aplicação da câmara: são tantas as vezes que se coloca lá o dedo que haverá sempre preocupação de limpar a lente com maior cuidado, sendo que a app avisa-te sempre que for necessário efetuar essa limpeza.

Mas o que não faltam são opções de desbloqueio deste dispositivo. A tecnologia de reconhecimento facial, apesar de funcionar, não é de todo recomendável, dado que basta uma simples fotografia do utilizador, colocada à frente do S8+, para este se desbloquear, perdendo todo o propósito protetivo do modo. Restam-nos os bloqueios tradicionais no ecrã (com pin ou padrão) e o leitor de íris. Neste último caso, raramente funciona à primeira tentativa, e quase nos obriga a fazer caretas ao esbugalhar os olhos para que funcione, o que pode levar a olhares incomodativos se estivermos num espaço público.

Na parte frontal do dispositivo, está ainda patente no topo um LED personalizável de notificações, a câmara de 8MP e o botão Home virtual. Ao início, a falta de um botão físico poderá fazer alguma confusão, mas, assim que nos habituamos ao botão Home Virtual, não há como voltar atrás, e o espaço de ecrã extra é sempre bem vindo.

Existem botões, claro, estão é nas laterais. No lado esquerdo os botões do volume e, logo abaixo, um botão de acesso direto à Bixby, já no lado direito está o botão de ligar/desligar, na parte inferior a porta USB Type-C  (uma estreia na linha Galaxy), o altifalante e o Jack de 3.5mm – sim, podes ligar os teus auriculares e auscultadores sem problema. Finalmente, na parte superior, a ranhura para cartão nano-SIM e cartão microSD.

Pesando 173 gramas e medindo 159.5 x 73.4 x 8.1mm, o S8+ salta à primeira vista pela sua ligeira curvatura “semi-edge” e o badalado ecrã Infinito, com um tamanho de 6,2 polegadas e 520 ppi. Não houve uma única pessoa a quem mostrámos o smartphone que não tivesse ficado surpreendida pelo seu ecrã, pela sua beleza… e tamanho. É, porém, perfeitamente utilizável e confortável de usar apenas com uma mão, existindo modos próprios para este tipo de utilização. E ler documentos, ver fotografias ou ir à Internet? É uma experiência encantadora.

Fica aqui dito: é o melhor ecrã que alguma vez experimentei. Dá todo um outro nível de imersão. Ocupando praticamente todo o painel frontal – quase não existe moldura -, tudo o que é apresentado na tela tem um brilho incrível e uma definição fantástica. Por defeito, o terminal vem com resolução Full-HD+, no entanto, é possível mudar para WQHD+ (2.960 x 1.440 pixéis), que é o que faz sentido. Afinal, se temos um terminal que suporta essa resolução, devemos querer usá-la para retirar o máximo partido do ecrã.

No YouTube, por exemplo, os vídeos não ocupam o ecrã todo, apresentando barras pretas no topo e na parte inferior. Porquê? Isto deve-se ao aspeto incomum do ecrã – 18.5:9 (tornando os modelos mais estreitos e altos), e nem todos os vídeos e aplicações suportam este formato na totalidade, apresentando, assim, as tais barras pretas. Há, porém, um atalho que podes utilizar para esticares o vídeo até ao tamanho real do ecrã. No entanto, esta opção recorta um pouco do vídeo, ficando com bordas arredondadas. Todavia, o ecrã esticado fez com que a gama S8 conseguisse mais 36% de espaço de visualização em relação ao S7, isto é, mais de 83% da parte frontal do S8+ é somente ecrã.

A gama S8 foi a primeira a ser certificada com Mobile HDR Premium. Ou seja, o fantástico ecrã Super AMOLED HD+ tem um espectro de cores bastante amplo, ângulos de visão excelentes e apresenta cores vibrantes e níveis de contraste como nunca antes visto num smartphone. De realçar ainda que, apesar da curvatura lateral do ecrã, é possível agarrar o dispositivo sem que ele registe toques indesejados. Já utilizando o smartphone na rua, é possível ver tudo no ecrã, mesmo com luz solar direta, mas é necessário utilizar o brilho no máximo.

O ecrã Infinito é mesmo o ponto essencial deste smartphone. O problema é que agora voltei ao meu S7 e parece-me um smartphone bastante banal.

Câmaras

É, muitas das vezes, um fator decisivo na aquisição de um novo equipamento móvel. No que toca ao hardware, a Samsung referiu não ter mexido na câmara traseira em relação ao S7 – portanto, nada de sensor duplo aqui -, mas sabe-se que foram introduzidos alguns “truques” no que toca ao processamento de imagem por software. Temos aqui uma das melhores câmaras fotográficas móveis do mercado. É o equipamento ideal para sacar do bolso e captar “aquele momento fantástico”. Se estão preocupados com questões de definição da imagem, reprodução de cores, contraste, exposição ou equilíbrio de brancos, asseguramos que podem ficar totalmente descansados nesta área. A qualidade é fenomenal e os disparos e o sistema de focagem são ultra-rápidos. Está tudo perfeitamente equilibrado neste smartphone. E se as fotos ficam fantásticas, vê-las no ecrã Infinito torna tudo ainda melhor.

As fotos nocturnas apresentam-se de modo espectacular, mas, ainda assim, um pouco inferiores aos resultados obtidos em pleno dia. Em relação ao S7, por exemplo, as diferenças não são muito significativas, porém, há melhorias, até porque as fotos no ecrã do S7 ficavam algo amareladas. No S8+ isso já não acontece e as cores são muito mais realistas. Contudo, acontece por vezes um excesso de exposição quando o S8+ deixa entrar demasiada luz.

Para quem está habituado aos dispositivos Galaxy, encontram ainda um modo manual, o Pro, bastante completo. O S8+ apresenta também algumas melhorias que ajudam a tirar as melhores fotos personalizadas, tornando, por vezes, a sua utilização bem mais prática do que uma DSLR.

A grande novidade, e aqui sim a diferença é abismal em relação ao S7, está na câmara frontal do S8+. O novo sensor de 8MP e com autofocus apresenta resultados francamente melhores em relação ao sensor do meu S7. Não há tanto grão, as imagens são bem nítidas e chegam a ser bastante melhores que aquelas captadas com os sensores fotográficos traseiros de smartphones de gamas médias. Ou seja, é a câmara ideal para selfies, afirmando-se como um dos melhores sensores frontais de smartphones atualmente no mercado.

Para gravação de vídeo,s estão disponíveis várias opções: slowmotion, modo HD, modo Full HD e modo UHD/4K. O resultado final é ótimo, tanto para a imagem como para o som.

Gravar vídeos em 4K pode até mesmo ser uma mais valia para quem ainda consome conteúdos a resoluções de 1080p, uma vez que o zoom digital até 2X nunca perde qualquer tipo de qualidade. De realçar ainda o muito prático estabilizador ótico, super eficaz na eliminação de vibrações no momento de filmar e, até, de captar fotos.

Performance, Bixby e autonomia

Contando com um octacore Exynos 8895, fabricado com tecnologia de 10nm, e 4GB de RAM, o S8+ corre o Android Nougat e tem aplicada no SO a interface Samsung Experience, bastante fácil de utilizar. No caso do software, a Samsung preocupou-se em arranjar ícones mais bonitos e mais minimalistas e a otimizar o sistema para ser mais fácil de usar. Sem botão físico na parte frontal, toda a navegação é feita com os botões virtuais situados na parte inferior frontal do S8+. Para aceder à gaveta de apps, basta deslizar o dedo para cima. Já o movimento contrário abre, como é óbvio, a janela de notificações.

Neste caso, a Samsung Experience é bem mais leve, apelativa e fluída que qualquer versão do TouchWiz. Por exemplo, assim que liguei o smartphone, dos 64GB de memória interna, 50GB estavam livres. Contrariando os maus exemplos de anos anteriores, a Samsung resolveu deixar poucas aplicações pré-instaladas no dispositivo, o que também melhorou a performance e libertou o armazenamento interno. No entanto, notei que, ao passar de app para app, existiam algumas quebras de rendimento no dispositivo, levando a que, durante alguns segundos, a app em questão não respondesse. Algo estranho, tanto que não me recordo disto acontecer no meu S7.

Quanto à Bixby, pode-se ativar com o botão dedicado na parte esquerda lateral do S8+. É a inteligência artificial da Samsung, que ajudará o utilizador a interagir com o smartphone. Para isto existe uma janela no ecrã principal esquerdo, onde nos são indicadas as apps mais utilizadas, os contactos mais frequentes, etc. Não obstante, é necessário dar autorização para aceder a todos os dados, o que, em termos de privacidade, pode não agradar aos utilizadores.

Apesar de limitada nos comandos de voz (esquece o português), esta inteligência artificial da marca foi adicionada à câmara fotográfica, para que, por exemplo, consiga reconhecer e traduzir textos. Neste caso, é especialmente útil para quem se encontra em viagem e não perceba à primeira o que vê diante dos seus olhos.

A Bixby consegue, ainda, com o sistema Bixby Vision, reconhecer objetos e dar informação extra sobre o que estamos a ver ou até informações relacionadas sobre algo a que apontemos a câmara. Um dos testes feitos ao S8+ foi durante um festival onde tínhamos um pequeno bar por perto. Ao apontar a câmara, a Bixby reconheceu que, no bar, havia vinhos, cerveja e pessoas, etc, um pouco à semelhança do que encontramos numa aplicação como a Google Goggles. Apesar de não termos usado muito a Bixby, será, no futuro, bastante útil para determinadas situações. Tem um longo percurso de evolução pela frente, especialmente no reconhecimento de objetos e no suporte de vários idiomas.

Em termos de autonomia, a bateria de 3500mAh não desilude, mas também não espanta. Se a utilização do S8+ for mais ou menos discreta – neste caso nem se justifica ter este modelo – é possível atingir, com facilidade, dois dias de autonomia. No nosso caso, com uma utilização intensiva, isto é, dados móveis sempre ligados, brilho no máximo, resolução no máximo, várias apps em background, e saindo de casa por volta das 8h e chegando por volta das 18h/19h, o smartphone rondava os 25/30% de bateria, nunca mais que isso.

Reparámos também que o S8+ aquece um pouco mais do que gostaríamos, especialmente depois do fiasco do Note 7, mas a verdade é que apanhámos dias de bastante calor. Ainda assim, fomos confrontados com uma experiência um pouco desconfortável, acabando por, em alguns momentos, recorrer ao nosso smarphone secundário.

O carregamento do dispositivo é super rápido e é possível ter uma boa carga de bateria ao tê-lo ligado por meros 30 minutos à corrente. No nosso teste, precisei de 1h20 para ir dos 0 aos 100% de bateria. Muito bom.

Ainda no que toca à autonomia, chamamos a atenção para o Always On Display. Apesar de bonito e de apresentar informações personalizadas, como as horas, chamadas perdidas, ícones de apps com notificações e uma excelente animação de notificação na parte superior, este modo gasta muita energia.

Som, conectividade e Navegação

Neste departamento, o S8+ não apresenta nada de inovador ou verdadeiramente surpreendente. Como tem a coluna na parte de baixo, junto à entrada micro-USB Type C, é muito fácil abafar o som quando estamos a jogar ou a ver um vídeo. Quando não o fazemos, a qualidade sonora também não é incrível. Apesar das chamadas telefónicas terem bastante qualidade e detalhe, chegaram a dizer que me ouviam pior com este smartphone do que com o meu S7. Será isto consequência de equipamentos cada vez mais finos e sem espaço para muitos componentes?

No entanto, a experiência é amplamente melhorada se usares o S8+ para ouvir música, por exemplo, sendo a qualidade assegurada pelos auriculares AKG, incluídos na caixa.

Quanto à conectividade, estão incluídas as tecnologias 4G LTE, Wi-Fi 802.11 ac, Wi-Fi Direct, NFC e ainda Bluetooth 5.0, o que permite emparelhar, por exemplo, duas colunas ou dois auscultadores ao mesmo tempo.

Nota positiva ainda para a certificação IP68, que permite que o dispositivo seja resistente ao pó e à água até um máximo de 1,5 metros de profundidade durante meia hora. Sim, resistência à água, não recomendamos é que despejes um refrigerante ou bebida alcoólica para cima do S8+.

Resta referir a velocidade Wi-Fi, mais rápida que no meu S7, e a navegação por GPS, sendo também mais rápido a detetar os satélites. Tanto uma experiência como a outra decorreram sem problemas.

Considerações finais

O Samsung Galaxy S8+ é um portento da tecnologia. Um ecrã estonteante, uma câmara soberba e uma performance incrível. Foram duas semanas fantásticas com este smartphone e “custa” voltar ao Galaxy S7, porque parece uma peça de tecnologia datada.

Portanto, recomendamos? Se fores um utilizador casual, não é, de todo, o smartphone para ti. Mas se fores um utilizador intensivo, então sim, irás tirar todo o proveito da máquina, sendo que o ecrã Infinito justifica quase todo o investimento.

No entanto, com o Note 8 prestes a chegar ao mercado (apresentado a dia 23 de agosto), terás de pensar duas vezes se vale a pena (ainda) apostar no S8+.

nota 45

O equipamento foi cedido para análise pela Samsung Portugal.

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