Análise – Shing!

Parem as hordas de demónios neste jogo de ação mediano.

Shing!
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Com Streets of Rage 4 e Battletoads, o género brawler parece estar a ressuscitar e a ganhar uma segunda vida. Não só duas das maiores franquias do género estão de regresso com dois capítulos que convenceram os fãs e críticos, como temos visto uma aposta crescente por parte de estúdios independentes que tentam reviver as memórias do passado com os seus próprios projetos. Shing!, da Mass Creation, é uma dessas apostas, um jogo que nos transporta para um Japão fantástico onde um grupo de quatro ninjas tem de combater as hordas de Yokai ao longo de sete níveis. É pena é ser tão mediano.

Desculpem estar a revelar a nota tão cedo, mas Shing! é dos jogos mais banais e pouco surpreendentes da reta para o final do ano. Não há nada que faça mal e não sofre de um desempenho pobre, apesar de ter encontrado dois bugs que não me permitiram avançar, ou de falta de conteúdos – não fosse este género, em si, algo limitado nesse campo –, mas falta-lhe alma, consistência e algo que nos motive a continuar a jogar. Não existiu um único momento em que me sentisse investido na sua estória ou no sistema de combate, mas, ao mesmo tempo, não me senti cansado ou irritado com o que experienciei ao longo das duas três/quatro horas. Como disse: mediano.

Shing! quer criar um universo fantástico e ultraviolento na sua campanha, mas o seu estilo visual não convence. Os modelos são desinteressantes, as animações pouco fluídas e os cenários, apesar de dinâmicos, nunca surpreendem ao longo dos sete níveis. É um jogo que não é ambicioso a nível visual. No entanto, Shing! tenta compensar através da violência, onde podemos cortar os Yokai aos pedaços, e do humor, algo que não me convenceu a 100%. Na verdade, o humor fez-me revirar várias vezes os olhos por ser tão infantil. Uma oportunidade perdida.

Shing!

No entanto, um brawler não vive dos seus gráficos ou do humor, mas sim do seu sistema de combate. Infelizmente, este foi um dos maiores problemas que tive com o jogo, não por ser problemático, mas por não ser fluído o suficiente para mim. Quero sublinhar que isto é um problema pessoal e que vocês poderão ter uma experiência diferente da minha, mas não gosto quando estes jogos utilizam o analógico direito para atacar. Em Shing!, todos os ataques e combinações – que são muito limitadas – fazem-se exclusivamente pelo analógico, relegando o desvio e defesa para os botões tradicionais. Há algo de errado mecanicamente? Não, mas existe uma falta de controlo. Os ataques parecem ser mais aleatórios e há uma falta de controlo.

Diria que a ideia é dar mais liberdade ao jogador e existe um fator positivo neste esquema de controlos: a direção dos ataques. Com o analógico, podemos definir se atacamos em cima, no meio ou em baixo, que é ideal para os Yokai mais pequenos, dando assim mais opções de combate aos jogadores. Existem, por exemplo, inimigos que usam armaduras nas várias partes do corpo e é necessário saber onde atacar para disferirmos golpes mais destrutivos. Isto é muito interessante e tenta complementar a aposta em vários tipos de inimigos e nas hordas constantes que enchem o ecrã, mas, no meio da confusão, perdemos a noção e controlo sobre o analógico e torna-se mais difícil de realizar atempadamente as combinações.

Os combates são rápidos e existe um leque variado de inimigos que nos obrigam a mudar constantemente de estratégia. Alguns Yokai têm escudos, por exemplo, e outros atacam apenas de longe, o que significa que temos de nos manter em movimento para sobreviver. As classes de inimigos estão equilibradas e funcionam muito bem em conjunto, nunca se tornando irritantes ou desniveladas. Para ajudar, os nossos ninjas podem eliminar Yokai e roubar os seus poderes, permitindo-lhe utilizar habilidades especiais, como ataques de raios, bombas e escudos. Não são inovadores, mas a sua presença dá outro ritmo aos combates e possibilita, por exemplo, os ataques à distância e a possibilidade de explorar as fraquezas de certos demónios (por exemplo, as plantas são fracas aos ataques de fogo). No entanto, há um efeito negativo destas habilidades especiais: o caos. Com os poderes, as hordas de inimigos e os ataques rápidos, Shing! torna-se confuso e pouco divertido.

Shing!

Shing! é melhor com amigos e podem jogar até quatro jogadores em simultâneo. Esse é o cenário ideal. No entanto, é possível jogar a solo e controlar as quatro personagens na campanha, alternando entre elas através dos botões direcionais. É semelhante ao sistema de Battletoads e, se uma personagem for derrotada, passamos automaticamente para a próxima. Não é uma mecânica empolgante, esta da troca de personagens, mas dá aos jogadores a possibilidade de experimentarem todos os ninjas à sua vontade. É uma pena que as personagens não sejam mais diversas e com ataques mais empolgantes entre elas. Fora a perda de um ninja, não existem grandes motivos para alterarem o vosso herói principal.

A Mass Creation não elevou a fasquia, mas também não me deixou insatisfeito com a campanha de Shing!. Como disse, é um sentimento muito pessoal, especialmente pela qualidade da direção de arte e das escolhas no sistema de combate, mas Shing! nunca é tão fluído e interessante como os seus rivais. No entanto, fica a nota que o jogo conta com níveis de desafio que poderão aliciar os jogadores que adoram troféus e achievements.

Uma pequena adição: da minha parte, Shing! é perfeito para uma promoção ou para os fãs do género que já tenham terminado Battletoads.

Nota: Satisfatorio

Plataforma: PC e PlayStation 4
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Sandbox Strategies.

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