Shadow Man Remastered – Do passado para o futuro

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Depois do lançamento no PC, a remasterização de Shadow Man regressa às consolas com um port sólido.

20 anos depois do seu lançamento, Shadow Man insiste em fazer parte da minha vida. O que parecia ser um clássico perdido, para sempre enclausurado nas 32 bits e em versões não otimizadas, acaba de ganhar um destaque merecido devido ao seu design muito mais atual e desafiante do que a memória levava a crer. Depois da estreia no PC, Shadow Man Remastered chega finalmente às consolas, à sua primeira casa, numa versão novamente a cargo da Nightdive Studios e que traz consigo todas as melhorias da remasterização lançada no ano passado.

Um ano depois, a minha opinião sobre Shadow Man não mudou. O título da Acclaim, inspirado na banda desenhada de Jim Shooter, Steve Englehart e David Lapham, continua a ser uma surpresa nostálgica. Shadow Man é uma aventura na terceira pessoa, claramente inspirado pelos jogos de ação da época, onde é possível ver o design dos níveis de Tomb Raider e a exploração de Soul Reaver, criando um mundo vivo, repleto de caminhos alternativos e segredos para descobrirmos. Existe alguma profundidade na jogabilidade de Shadow Man, desde o seu armamento variado às habilidades que podemos desbloquear, tal como uma saudável aposta entre exploração, sequências de plataformas – que nem sempre são as melhores devido aos controlos – e ainda puzzles acessíveis para o mais saudosistas.

A passagem para a alta definição foi uma dádiva para Shadow Man, com os seus cenários negros e repletos de contraste a ganharem uma nova vida. A arte é enaltecida por um sistema de iluminação muito mais apurado, que traz toda uma nova ambiência a um videojogo que já jorrava tensão e mistério. O design dos níveis, especialmente de Deadside, o reino dos mortos, surpreende pela positiva, mas não existem dúvidas que o seu layout intricado poderá assustar os menos pacientes. Shadow Man requer alguma paciência no que toca à navegação das suas zonas, seja pelos controlos ou pela falta de direção. Com uma estrutura propensa à exploração, poderemos revisitar as zonas à medida que desbloqueamos novas habilidades para encontrar algumas das cobiçadas Dead Souls, mas isso também significa que somos forçados a passar pelos mesmos cenários e a lutar contra os mesmos inimigos – que fazem respawn quando saltamos entre zonas – sempre que tentamos descobrir qual o caminho a seguir.

O regresso às consolas não surpreende. Não existem novidades ou novas opções de otimização para além dos que já vimos no PC, mas registei, surpreendentemente, mais glitches. Algumas cutscenes demonstraram problemas nos modelos das personagens, tais como saltos inesperados em ecrã. Não me recordo de encontrar os mesmos erros na versão PC, o que me leva a pensar que poderá ser um problema de conversão para as consolas. No entanto, não são problemas graves ou capazes de estragar a experiência de Shadow Man.

Não é fácil recomendar Shadow Man. Apesar das suas mais valias, é um jogo complexo e muito negro que não tem quaisquer problemas em ser de nicho. É também um produto nostálgico, tanto para os fãs da franquia fora dos videojogos, como para os jogadores que acompanharam a sua estreia em 1999, mas que se posiciona como uma mera curiosidade para os restantes. Para mim, foi um tira teimas, demonstrando-me que é um jogo muito interessante e repleto de boas ideias, suplantando a má experiência que tive com Shadow Man na sua estreia.

É, acima de tudo, uma boa memória e um bom jogo de ação e aventura agora em alta definição. Que a Nightdive Studios continue a presentear-nos com estes relançamentos.

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela UberStrategist.

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