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Análise – Resident Evil 3 Remake

Resident Evil 3 Remake espelha o original de 1999 de forma refrescante e emocionante, num jogo mais coeso e orientado na ação que o seu antecessor, mas que serve também como um excelente complemento para assistir de perto à tragédia de Raccoon City.

Resident Evil 3 Remake

Não há nada mais irónico do que um novo Resident Evil ser lançando num mundo que está a passar uma pandemia global. Depois de uma espera de apenas um ano, a série está de volta com o remake do terceiro jogo da linha principal da série.

Resident Evil 3 Remake tem um lançamento que espelha o do original, chegando um ano depois do seu antecessor e com uma aventura que se passa em paralelo com o mesmo, tornando os dois títulos numa espécie de pacote completo.

Não quero com isto dizer que RE3R poderia ser uma expansão. Nada disso. O novo remake usa claramente muito material utilizado no jogo de 2019, estendendo-se a easter eggs e até a localizações já visitadas, mas com sentido e contexto, ou não se passassem as duas histórias na mesma noite em que Raccoon City se tornou o epicentro da tragédia levada a cabo pela Umbrella Corporation.

Em RE3R tomamos controlo de Jill Valentine que, ao tentar perceber o que se passa na sua cidade, é resgatada e recrutada para ajudar um de muitos militares que está a tentar levar o máximo de pessoas possíveis para fora de Raccoon City. Para quem jogou o original, saberão certamente qual é a sua missão e como a história, no geral, se desenvolve, com uma grande parte a passar-se nas ruas de Raccoon City, antes de afunilar numa aventura mais linear.

Tal como Resident Evil 2 Remake, a perspetiva troca os ângulos fixos pela câmara na terceira pessoa, adotando o aspeto cinemático e imersivo mais comum nestes jogos. É com este novo ângulo que visitamos a cidade, esgotos, a icónica esquadra do segundo jogo, laboratórios e muitos outros locais, sempre detalhados até ao pormenor. Desde o primeiro segundo que tudo é rico em detalhe e atmosfera, com todos os seus elementos – quer os estáticos, como luzes néon, barris, caixas, posters de filmes fictícios, entre outros -, aos próprios inimigos, posicionados e colocados no jogo de forma consciente e predeterminada.

RE3R é um deleite visual que volta a tirar partido do motor de jogo da Capcom, RE Engine (usado em RE7, RE2R e, mais recentemente, em Devil May Cry 5), para dar um aspeto fotorealista. Além do ambiente e atmosfera que permitem que qualquer jogador curioso possa fazer turismo virtual num verdadeiro apocalipse zombie, os visuais de RE3R fazem com que as personagens sejam extremamente realistas, com modelos de personagens que mexem, falam e parecem-se com pessoas que podiam muito bem existir na vida real.

Entre os trechos cinemáticos muito bem realizados e acompanhados por um desempenho impecável dos atores que dão vida a Jill, Carlos e o restante elenco secundário, temos o grosso do jogo. A jogabilidade mantem-se familiar aos jogadores do género e ainda mais para quem jogou RE2R. O sistema de gestão de itens continua semelhante ao jogo antecessor, assim como a forma como gravamos o jogo e exploramos o mapa.

Raccoon City serve de aquecimento para o jogo. Apesar de ter sido marketizado como uma área mais extensa e livre de explorar do que a esquadra de RE2R, funciona de forma muito parecida e é bem mais limitada do que se possa pensar. Há muitas áreas para explorar por itens, chaves e recursos, atalhos para desbloquear e outros tantos para revisitar depois de ter um item que lhes dá acesso, mas todas as voltas e percursos que fazemos pela zona parecem ser ditados e predeterminados de acordo com a história, tal e qual como o jogo anterior.

Este design, presente em todo o jogo, mais numas áreas do que noutras, não é tão prevalente, e Resident Evil 3 Remake aposta mais na linearidade e na ação e menos na exploração e resolução de puzzles, o que, por um lado, abre as portas a momentos mais emocionantes de segundo para segundo, como por outro também evoca uma urgência muito maior.

Mas urgência não significa menos tensão. Antes pelo contrário. Os zombies, monstros e antagonistas continuam a ser as constantes que nos assombram, com zombies mais difíceis de deitar abaixo (é particularmente mais difícil de rebentar as suas cabeças), novas criaturas mais horripilantes e a presença de Nemesis, que vai aparecendo em momentos predeterminados que servem de compasso e de um acumular de ansiedade até aos vários confrontos com ele.

Nemesis pode ser aterrador, especialmente nas suas primeiras aparições. A dificuldade de entender para onde é o norte, se devemos de lutar ou não contra ele, ou se devemos usar qualquer ferramenta à nossa disposição, é de uma enorme adrenalina. Porém, esse é um sentimento que desaparece rapidamente, uma vez que, ao contrário de Mr. X, que nos perseguia constantemente, como o Xenomorph em Alien: Isolation, a presença de Nemesis é muito específica e é, por vezes, muito fácil de antever a sua aparição. Contudo, não deixa de ser emocionante e de causar alguma ansiedade quando começamos a perceber que o jogo nos dá certas ferramentas para um hipotético combate.

A jogabilidade conta ainda com algumas melhorias, ou diferenças, face ao jogo anterior, como uma faca que, desta vez, é indestrutível; com Jill a poder desviar-se de ataques dos inimigos e que, no momento certo, pode ativar um modo slow motion para apontar a arma e disparar; e com Carlos a poder ativar algo parecido, mas com recurso a um super murro.

Muito se tem falado da longevidade do jogo. Com críticos e fãs a apontarem que Resident Evil 3 Remake é um jogo pequeno, esse não foi, porém, o meu sentimento. Com o meu Clear Time a raspar as seis horas de jogo e com o Total Play Time nas 13 horas, este remake teve para mim, numa primeira aventura, a mesma longevidade que muitos jogos contemporâneos com foco na aventura.

Mesmo com a falta de outros modos, não faltam incentivos para voltar a jogar a aventura na pele de Jill e de Carlos, com tempos a bater, armas novas para usar, skins e modificadores que podem ser desbloqueados na loja do jogo.

Juntamente com RE3R,a Capcom lançou Resident Evil: Resistance, uma experiência multijogador que coloca quatro jogadores no papel de sobreviventes que têm que explorar vários níveis em busca de recursos e formas de escapar para a fase seguinte antes que o relógio chegue ao fim. Um quinto elemento, no papel de mastermind, vai largando armadilhas, zombies, monstros e outros obstáculos para abrandar os sobreviventes e atrapalhar o trabalho cooperativo dos mesmos. Não passei muito tempo com este modo, mas as minhas impressões com o mesmo foram mais negativas do que positivas. Dito isto, não o vou considerar para a minha avaliação de RE3R, até porque Resistance é, no fundo, um extra que, apesar de tudo, merece uma espreitadela.

Com a jogabilidade basicamente retirada dos jogos recentes, o twist do modo foca-se na cooperação com os jogadores a terem papéis ofensivos e defensivos de acordo com os objetivos e com as suas habilidades passivas e ativas, podendo limitar as ações do mastermind, curar a equipa, ter mais poder de ataque entre outras. Tudo poderia funcionar excecionalmente bem se o jogo não requeresse uma comunicação constante entre membros da equipa, obrigado ao uso de party chat, se os níveis não fossem tão claustrofóbicos e houvesse mais tempo de atuação. Tempo esse que aumenta e diminui de acordo com as nossas ações.

O resultado final é caótico, limitador e mais frustrante do que divertido, qualidades essas que provam que Resistance é apenas uma ideia/conceito realizado num pacote para que a Capcom possa monetizar o jogo através da compra de buffs e modificadores comprados com dinheiro real.

Colocando Resistance de parte, Resident Evil 3 Remake é, ainda assim, um pacote muito completo com muitos incentivos para ser jogado e rejogado. E não só funciona extremamente bem como um episódio isolado da série, não havendo uma obrigação de jogar qualquer outro para perceber a sua trama, como é um excelente complemente a RE2R, que, no fim, quase que pede uma sessão de jogo continuam entre os dois títulos.

Resident Evil 3 Remake já está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Nota: Muito Bom - Recomendado

Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela EcoPlay.

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