Análise – Project Warlock

Um jogo perfeito para os fãs de jogos de ação na primeira pessoa e para os mais saudosistas, recuperando a estrutura e jogabilidade que popularizou títulos como Wolfenstein 3D e Rise of the Triad.

project warlock review echo boomer 3

É bom ser-se fã de FPS clássicos em 2020. Depois de Doom Eternal e Ion Fury, estamos uma vez mais de regresso à fórmula vencedora do género com Project Warlock, um jogo que utiliza a sua simplicidade e foco na ação para nos dar uma experiência intemporal. Ao contrário de Dusk e Amid Evil, que procuram emular o design de Quake e Doom, a Buckshot Software foi um passo atrás e olhou diretamente para as origens do género, inspirando-se em Wolfenstein 3D e Rise of the Triad e nos seus níveis labirínticos.

Como seria de esperar, Project Warlock não está interessado em contar uma estória capaz de moldar para sempre o género, e depois de The Last of Us Part II, é refrescante atirar-nos de cabeça para uma campanha que é totalmente focada na ação e na destreza. Uma coisa é clara: somos um feiticeiro sem nome que procura eliminar todo o mal do mundo, embarcando numa viagem pelo tempo à medida que luta contra monstros, cavaleiros possuídos e demónios de todos os tamanhos e feitios. Assim é Project Warlock.

Apesar das suas inspirações em Wolfenstein 3D, especialmente no design labiríntico dos seus 60 níveis – divididos por cinco zonas, todas elas com um boss no final –, a Buckshot Software não fechou os olhos às tendências mais atuais e traz-nos um misto de mecânicas que dão a Project Warlock uma identidade estranha, mas saborosa.

O foco continua na ação, com o jogo a apresentar um impressionante leque de armas – como espingardas, metralhadoras, magias e cajados mágicos –, mas existe uma aposta na evolução da personagem através de elementos RPG. Não só o nosso feiticeiro ganha níveis, cuja experiência pode ser conquistada através dos inimigos e do ouro que encontramos pelos cenários, como temos a possibilidade de melhorar os seus atributos (força, energia, magia e número de balas) e evoluir cada uma das armas, transformando-as, através de duas vertentes – com as suas próprias vantagens –, à medida que avançamos.

Project Warlock nunca perde o seu classicismo, mas é interessante perceber como esta adição motiva o jogador a jogar de forma mais inteligente e a procurar todos os segredos do jogo. À medida que exploramos os níveis, que são maioritariamente curtos, temos acesso a pontos de habilidade e a novas magias, armas e algumas surpresas que melhoram exponencialmente a experiência do jogo. É também importante gerir as vidas do nosso feiticeiro, uma vez que podem significar o nosso fim.

Esta mecânica, que é absolutamente clássica e um reflexo das inspirações da produtora – basta olharmos para Rise of the Triad –, é influenciada pelo nível de dificuldade que escolhemos, determinando o número de vidas que temos inicialmente, mas podemos descobrir mais à medida que encontramos todos os segredos. Sem vidas, perdemos todo o progresso e voltamos ao início da campanha.

Nada disto seria possível sem um trabalho meticuloso no design dos níveis. Mesmo com alguma repetição inerente, especialmente pelo estilo visual que tenta emular os títulos DOS – repleto de sprites muito bem animados, em pixel art, mas cujas cores cansam ao longo das horas de jogo –, a leitura das zonas é intuitiva e nunca nos sentimos perdidos. Isto é importante para um jogo que adora prender o jogador a corredores repletos de inimigos e de segredos.

A aposta em temas variados para cada zona, desde locais gelados até a castelos medievais, quebram alguma da monotonia, mas a jogabilidade é tão rápida, acessível e frenética que muito provavelmente não terão tempo para respirar. A Buckshot Software fez a escolha acertada ao desenhar os níveis do jogo e ao deixar-nos sempre com aquela sensação de “só mais um”, sempre que voltamos à base do nosso feiticeiro.

Com um total de 38 armas, Project Warlock é imparável. A variedade é inegável e existe uma opção para qualquer confronto, seja corpo a corpo, com a faca e o machado do feiticeiro, ou à distância, com a besta ou o cajado mágico. O posicionamento dos inimigos tenta criar uma sensação de horda, de grandes grupos de monstros que colaboram entre si para nos eliminarem, mas a sua presença em campo não é tão eficaz.

A IA também não é desafiante, com a maioria dos monstros a correrem diretamente para nós, mas os vários tipos de criaturas acabam por se conciliar ao longo dos níveis, mesmo que o seu posicionamento seja pouco ou nada surpreendente. A dificuldade do jogo está nos seus números, no caos e na confusão de monstros, projeteis, armadilhas e explosões, mas no final do dia, não é injusto ou demasiado difícil; é até bastante acessível.

Se são fãs do género, Project Warlock é uma escolha perfeita, mas fica o aviso: existem alguns problemas nesta versão para consolas. Apesar dos seus gráficos simples, encontrei vários bugs visuais, como chaves presas nos cenários, e alguns erros que me impossibilitaram de continuar em frente. Por exemplo, num dos primeiros níveis, temos a possibilidade de ativar um elevador, mas se não o utilizarmos à primeira, ele sobe e perdemos a possibilidade de reativar. Isto é absolutamente irritante. Outro problema que agravou a minha experiência foi a impossibilidade em escolher as armas que queria. Não consegui compreender o que causava este bug, mas o menu radial deixou ocasionalmente de funcionar, deixando-me escolher apenas um punhado de armas.

São problemas reais, mas que podem, espero, ser corrigidos com um patch. O mesmo não posso dizer da banda sonora que, à exceção dos sons das armas, é muito ineficaz ao longo da campanha.

Mesmo com alguma repetição, Project Warlock é ideal para os fãs de DOOM, Wolfenstein 3D e de apostas mais recentes como Nightmare Reaper e Dusk. Apesar da sua simplicidade, é uma campanha divertida do princípio ao fim, utilizando a sua aposta na ação e em níveis mais curtos para criar uma experiência frenética e viciante. Se estão à procura de um novo FPS nas consolas, experimentem Project Warlock.

Nota: Bom

Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Gaming Company.

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