Análise – My Friend Pedro: Blood. Bullets. Bananas.

por David Fialho

De tempos a tempos surge um jogo de ação que muda tudo. Inspirados em filmes que marcaram gerações, como Max Payne, que introduziu o Bullet Time revolucionário de The Matrix, ou Hotline Miami, que ajudou a ressuscitar a estética retrowave de Drive, estes são dois exemplos que saltam logo à memória com My Friend Pedro, uma amálgama de referências a filmes e jogos de ação que resulta numa experiência explosiva sem igual.

Desenvolvido pela Deadtoast Entertainment, constituída por um elemento, My Friend Pedro é um jogo reminescente das animações em flash com stick figures, encontradas em algumas páginas durante a década de 2000, onde, numa apresentação 2D, uma personagem entrava a matar numa sala e usava todos as suas habilidades para derrubar todos os inimigos da forma mais espetacular possível.

My Friend Pedro é exatamente isso. É um espetáculo de habilidades onde a nossa personagem sobe paredes, dá piruetas, dispara para dois e três alvos ao mesmo tempo com o auxílio de outros objetos, cai de pé, ou rebola, e avança para o próximo alvo.

Tal como muitos jogos arcade e independentes, a jogabilidade de My Friend Pedro é muito simples de entender, com movimentos familiares que são amplificados pelas oportunidades de jogo que a jornada nos propõe. Navegar pelos níveis faz-se através de saltos, piruetas e cambalhotas entre confrontos onde podemos dar uso a habilidades especiais, como o slow motion ou a possibilidade de apontar para vários alvos ao mesmo tempo.

Entre ruas, esgotos, arranha-céus, auto-estradas e outros sítios fantásticos, todos os níveis e confrontos são únicos e bem desenhados, com oportunidades sempre diferentes e inesperadas. Cada nível apresenta quase sempre algo de novo, seja pela forma como os inimigos aparecem ou pelos inesperados e cerebrais puzzles, que ajudam a manter o ritmo e a estender o tempo de jogo de forma satisfatória.

Entre os níveis mais tradicionais, My Friend Pedro também não se poupa em momentos de ação lineares reminescentes de outros jogos de alto calibre, com sequências curtas e que deixam muita água na boca, como por exemplo uma perseguição de mota ou uma queda livre de um arranha-céus, cheia de tiros e explosões.

A ação contínua do jogo é igualmente espetacular e muito satisfatória. Os jogos propõem-nos que entremos em cena e que possamos limpar uma sala com o mínimo de movimentos possíveis, numa dança que lembra filmes como John Wick ou Equilibirum. Em algumas ocasiões, também podemos ser mais táticos e usar o ambiente à nossa volta, escondendo-nos entre degraus e objetos e esperar pela oportunidade certa para o headshot perfeito.

Toda a ação é acompanhada por uma brilhante banda sonora eletrónica industrial, séria e forte, que ajuda a manter o passo e o ritmo dos confrontos, dando a devida identidade ao jogo.

Pelo meio há uma história, que serve apenas como fio contador da jornada das duas personagens de My Friend Pedro, o jovem mascarado que surge sem memória, mas com um conjunto de habilidades únicas, e a banana titular flutuante, que nos vai dando dicas e razões para derrubar os oponentes.

Com uma jornada que dura uma bela tarde de tiros (sensivelmente três horas), My Friend Pedro é um jogo pequeno, mas denso, com níveis curtos e satisfatórios. No entanto, uma vez terminada a história, poucas razões existem para repetir o jogo, pois todas as armas apanhadas não podem ser usadas em níveis anteriores, ficando apenas a oportunidade de repetir os níveis para uma melhor pontuação na tabela.

Curto, frenético e explosivo. O que não faltam são adjetivos para qualificar o quão divertido é My Friend Pedro, um jogo que está disponível para o PC (Steam) e para a Nintendo Switch.

Este jogo (versão para PC) foi cedido para análise pela Devolver Digital.

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