Análise – MediEvil

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Em vésperas de Halloween, a PlayStation 4 recebe do além um novo jogo em forma de remake, pretendendo ressuscitar uma das séries mais icónicas da marca nipónica: MediEvil.

Mais de vinte anos depois da sua estreia na PlayStation 1, Sir Daniel Fortesque está de volta pelas mãos da Other Ocean Emeryville, que dá um tratamento de rejuvenescimento a MediEvil, originalmente produzido pela SCE Cambridge Studio.

Em 1998, o meu acesso a videojogos não era tão facilitado como agora. Entre sessões de jogos na PlayStation do meu vizinho, MediEvil nunca chegou a estar dentro da sua consola. Desde então, mesmo com uma passagem na PSP em 2005, nunca tive oportunidade de conhecer Sir Dan pelas terras de Gallowmere.

Por razões como esta, vejo os remakes e reboots como oportunidades ótimas para entrar em séries aclamadas e de culto com uma nova perspetiva e de forma bem mais acessível. Olhar para eles como jogos novos, mas com os elementos fundamentais da sua origem em primeiro lugar.

Por este prisma, a minha viagem por Gallowmere foi, de alguma forma, uma viagem no tempo, mas com as moletas que as tecnologias atuais permitem: novos visuais e um áudio melhorado e adaptados aos controlos contemporâneos.

Mesmo conhecendo o jogo original, mas apenas por vídeos de arquivo e outros tantos walkthroughs disponíveis na Internet, posso dizer com muita certeza que, para quem procura um jogo para matar saudades e alimentar a nostalgia, MediEvil é o remédio perfeito.

Com novos visuais que não só atualizam o jogo antigo, mas que lhe redefinem a estética e a arte do original, com texturas mais realistas, um sistema de iluminação melhorado, níveis mais atmosféricos, densos e sombrios, animações mais fluidas e uma banda sonora de orquestra regravada, MediEvil guarda toda a sua nostalgia no desafio, na progressão pelos níveis e na sua jogabilidade. Pequenos elementos “invisíveis”, mas que revelam o ADN e as filosofias de design de um jogo criado noutra geração.

Em vídeos de bastidores de produção, a equipa da Other Ocean partilhava que pretendia fazer o jogo que todos se lembravam, mas fazendo justiça à ambição da equipa original, que estava limitada pelas capacidades da consola de 32 bit. De alguma forma, foi isso que fizeram, mas, ao longo da minha jornada por esta nova Gallowmere, senti que esse plano se ficou apenas pelos visuais. Quem jogou e conhece o original como a palma da sua mão vai adorar esta experiência, mas se for a primeira vez que o forem jogar, as coisas complicam-se.

MediEvil conta com uma jogabilidade simples. É um jogo de ação e plataformas com dois botões de ataque, um de salto e onde temos apenas de gerir as nossas armas e bater ou fugir dos inimigos e bosses sem que nos matem. Já o design dos níveis, a sua progressão e a dificuldade do jogo são altamente complexos e requerem alguma destreza, exploração e conhecimento para poder facilitar os confrontos nos próximos níveis.

Algo pelo qual não estava nada preparado era para o quão imperdoável MediEvil é e aparenta ter sido no passado. Com uma barra de vida e outra de escudo, que baixam com alguma facilidade ao toque dos inimigos, é bastante rápido de perder durante um nível. Existem, obviamente, vários itens de energia que ajudam a recuperar, mas nem sempre são os mais indicados para fugir à morte iminente durante as batalhas com bosses.

Talvez as minhas maiores críticas ao jogo sejam mesmo o facto de ser difícil e de parecer que pouco adiciona para tornar a experiência mais suave. Entendo que, por um lado, preserve a essência do jogo original e as expectativas dos jogadores antigos, mas um modo um pouco mais casual ou a simples adição de pontos de checkpoints durante alguns níveis seriam novidades muito bem-vindas para os jogadores mais contemporâneos e habituados a outro tipo de experiências.

Há várias formas de contornar a dificuldade, que, de uma forma inteligente, aumentam o tempo de jogo ao obrigar-nos a conhecer todos os cantos e segredos de um nível, desbloqueando o acesso ao Salão dos Heróis para desbloquear novas armas, que, por norma, se tornam bastante eficazes para combater os bosses seguintes.

Esta exploração é feita através de revisitações a níveis ou pequenas resoluções de puzzles e ordens entre caminhos e salas secretas. Contudo, estes segredos são um pouco vagos demais, e acontece ficarmos presos numa área ou num boss simplesmente porque não conseguimos ultrapassar os obstáculos com aquela ajuda necessária.

MediEvil é, sem dúvida, um jogo cheio de charme, que se apresenta de cara lavada e que pode muito bem fazer a delícia de todos os jogadores com vontade e confiança daquele desafio extra que normalmente encontram em jogos mais sérios e sombrios. Porém, sinto que este remake foi desenhado a pensar apenas nesses jogadores oldschool com tolerância à dificuldade que os esperava e à sua jogabilidade mais arcaica deste pedaço de história tão importante para a PlayStation.

Echo Boomer Review Bom

MediEvil

Plataforma: PlayStation 4
Este jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

MediEvil ressuscita de boa saúde para os fãs do original com sede por nostalgia. Já quem se for aventurar à estreia e está à espera de um jogo simples e divertido, é bom que afiem a espada e agarrem bem no escudo.

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