Análise – Lapis X Labyrinth

por Echo Boomer

A Nippon Ichi Software continua imparável no que toca ao lançamento de RPGs no PC e consolas, mantendo a sua aposta em títulos peculiares e que tentam subvertem o género e as suas mecânicas. A nova aposta da produtora japonesa é Lapis X Labyrinth, que chega às lojas no dia 29, um RPG de ação que parece estar mais próximo dos brawlers clássicos, como Streets of Rage, do que de qualquer outro jogo do género.

Lapis X Labyrinth é um título peculiar, mas cheio de charme. O RPG de ação mantém a irreverência da NIS desde o seu estilo anime, aqui com um tom também próximo de um livro infantil, até às mecânicas um pouco confusas, mas igualmente detalhadas, do seu sistema de combate. Ao contrário das suas outras produções, estamos perante um jogo que se foca maioritariamente no combate e na descoberta de tesouros e de novos equipamentos, tudo isto misturado num constante frenesim de cores e inimigos.

A história é muito leve e, por vezes, descartável, mas consegue dar-vos um ponto de partida interessante o suficiente para dar vida à campanha e à sua estrutura. Em Lapis X Labyrinth, são aventureiros e exploradores contratados para enfrentar o titular labirinto, que se encontra dividido por várias zonas e níveis – de acordo com a sua dificuldade –, para eliminar todos os monstros que continuam a atacar a aldeia que devem proteger. Em troca, são-vos prometidas riqueza e fama, desde que consigam garantir que a popularidade da aldeia continue a crescer e mais visitantes abram os seus próprios negócios.

Como um RPG de ação, Lapis X Labyrinth é muito simples. No que toca à jogabilidade, podem saltar, atacar e realizar vários ataques especiais, juntamente com golpes cooperativos e um poder destrutivo capaz de eliminar todos os inimigos à vossa volta. Esta simplicidade é traduzida nos níveis do labirinto, onde o objetivo se resume à descoberta da saída e à procura de tesouros pelo caminho, com o design a resumir-se a plataformas e a áreas mais abertas para os confrontos contra grupos de inimigos. Com a exploração, irão descobrir novos equipamentos e melhorar as personagens, à medida que recolhem ouro suficiente para comprar habilidades permanentes, como a expansão dos limites de equipamento (que cada peça de armadura e arma têm).

Personagens bem variadas

Mas Lapis X Labyrinth não se banha somente no tradicionalismo e implementa algumas alterações interessantes à fórmula. Uma delas é, sem dúvidas, o número de personagens jogáveis, num total de oito, que dão aos jogadores um leque variado de habilidades diferentes e novas abordagens para cada nível. Estas personagens não surpreendem no seu design, mas expandem-se por várias classes, desde bruxas que usam ceifas, até a pistoleiros ou guerreiros mais poderosos, e por um armamento bastante variado.

A esta variedade junta-se a possibilidade de construírem uma equipa de até quatro lutadores, com a escolha a ser livre. As personagens podem ser alternadas em combate e cada uma é acompanhada pela sua barra de energia e ataques especiais, o que significa que o jogo concentra as tradicionais equipas de RPG numa só torre destrutiva, com os lutadores a ficarem por cima uns dos outros – como vimos em World of Final Fantasy.

Esta aposta dá um toque mais frenético ao sistema de combate que já é, por si, extremamente confuso e barulhento. A evolução das personagens acontece durante os níveis, mas não é permanente, algo que poderá ser estranho quando começarem a jogar. Só a vossa guilda irá evoluir de zona para zona, o que significa que os equipamentos são essenciais para manterem a equipa preparada para cada desafio.

Outro destaque vai para o foco nos combos e na recolha de tesouros, nomeadamente para a descoberta de novas armas e recursos. Esta aposta é composta por um medidor de pontuação que influencia não só o volume de ouro que ganham no final de cada nível, mas também as probabilidades de receberem tesouros raros.

A esta constante procura por ouro e tesouros junta-se a mecânica Fever Mode, ativada regularmente em combate, que vos dá a possibilidade de transformar tudo em ouro e em joias à medida que lutam contra os inimigos. Com o Fever Mode, o ecrã fica repleto de moedas e é difícil de ver o que se passa à vossa volta, mas é igualmente entusiasmante quando conseguem ativar esta mecânica e ganhar vantagem sobre os inimigos.

O problema de Lapis X Labyrinth? A jogabilidade repetitiva

Ao apresentar uma jogabilidade simples, Lapis X Labyrinth torna-se repetitivo à medida que avançam pela campanha e descobrem níveis cada vez mais extensos e difíceis. Como a exploração é, por vezes, limitada, LxL está constantemente a colocar-vos em níveis de design muito semelhante onde os combates são mais confusos do que entusiasmantes, algo que se agrava com a crescente dificuldade dos inimigos e dos bosses. A longevidade não é muito acentuada, mas é difícil não se sentirem cansados ao fim de umas horas.

Mesmo vítima da repetição e de um design, por vezes, desinteressante, Lapis x Labyrinth é uma das melhores apostas da NIS para 2019 e perfeito para sessões curtas de jogo. Apesar da crescente complexidade dos seus níveis, é um jogo com um sistema de combate frenético que apela à repetição das zonas em busca de novas pontuações e melhor armamento, mantendo assim a sua alma clássica e bastante arcada.

Este jogo (versão para PlayStation 4) foi cedido para análise pela NIS America.

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