Análise – The Princess Guide

por Echo Boomer

Com a recente popularidade dos RPGs no ocidente, após uma geração que marcou um afastamento claro às produções orientais, temos recebido progressivamente mais títulos de nicho no PC e consolas. The Princess Guide é um desses jogos, um RPG de ação tão estranho quanto intrigante que procura conquistar os fãs do género com um estilo visual muito próprio e uma estrutura rápida, mas um pouco complexa, que busca a atenção dos veteranos do género e dos jogadores mais casuais.

Em The Princess Guide assumimos o papel de instrutor de guerra, um antigo comandante reconhecido pelas suas proezas em combate, que tem como missão treinar e auxiliar quatro princesas na luta contra as forças do mal. Para tal, terá de as acompanhar em combate, ensinar-lhes novas técnicas e aconselhá-las nas missões que terão pela frente.

É uma história com um tom mais leve, muito próximo da comédia, com cada princesa a apresentar uma personalidade irreverente e muitas vezes dissonante quando comparadas ao seu desenho. Não é surpreendente e torna-se muitas vezes cansativa, especialmente quando precisamos de completar o jogo com as quatro princesas para termos acesso ao verdadeiro final. É uma história sem ruído, muito direta e que irá, certamente, entreter alguns fãs.

Como um RPG de ação, The Princess Guide assume a estrutura de um jogo por missões, disponibilizando um tabuleiro, semelhante ao que vimos em Grand Kingdom, onde podemos movimentar as nossas tropas e aceder a missões secundárias. A maioria das missões tem um tempo limite, juntamente com a energia limitada dos nossos comandantes – que obrigam ao repouso das tropas e ao consequente final de turno –, e focam-se maioritariamente no combate contra hordas de inimigos.

Os cenários são muito coloridos e existe muita personalidade no desenho das personagens, mas os níveis são construídos através de salas e de corredores repetitivos, funcionando mais como arenas. Não há, assim, muita liberdade, e a exploração é reduzida ao máximo, com o jogo a focar-se mais no combate e na personalização das nossas princesas e dos seus comandantes.

A ação é, no entanto, frenética, e existem várias técnicas e ataques para dominar. As princesas, cada uma com a sua própria campanha, são acompanhadas por soldados, que podem ser substituídos quando quisermos, e é possível lutar em conjunto com o nosso exército ou deixar que lutem sozinhos – deixando-nos, no entanto, mais desprotegidos. O combate está próximo de um hack-and-slash, ainda que sem uma variedade de ataques tão acentuada, onde temos ainda a possibilidade de conquistar e de utilizar armadilhas e outros utensílios espalhados pelos níveis.

Não é um sistema muito profundo, mas é condicionado por um tutorial demasiado rápido e pouco eficaz no que toca à perceção das táticas mais avançadas e da sua utilização em combate. Apesar dos seus problemas, sublinhamos a aposta na estratégia e na gestão das equipas, como a contratação de novos soldados e o lado mais caótico das missões, nomeadamente contra inimigos mais poderosos.

Já na personalização, The Princess Guide dá-nos a liberdade de evoluir as princesas à nossa vontade, oferecendo um leque interessante de opções que determinam tanto o seu poder de ataque, como a variedade das suas habilidades, e, até, as suas personalidades. Como um instrutor, devemos zelar pelo seu crescimento e temos a oportunidade de elogiar ou de repreender quando acharmos necessário, algo que determina também a sua evolução dentro e fora dos combates.

Há um foco nesta personalização e no crescimento das princesas enquanto líderes, mas também como lutadoras que complementa a história e a missão do nosso protagonista. A variedade é um elemento positivo, mas é possível sentir alguma fadiga na repetição das missões, no desbloqueio de habilidades e na própria personalização das princesas.

The Princess Guide não é um excelente RPG de ação. Apresenta alguns problemas nas suas mecânicas e na repetição do seu combate aos quais não conseguimos ficar indiferentes, mas há algo de genuíno no seu humor e na sua aposta na estratégia.

A divisão por missões acaba por aligeirar alguma da repetição, com os níveis a serem curtos, mas muito simples, e existem várias habilidades para dominar e utilizar em combate. O seu formato parece ser ideal para a Nintendo Switch e, no que toca a lançamentos recentes, é dos mais competentes que analisámos este ano.

Este jogo (versão para Playstation 4) foi cedido para análise pela NIS America.

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