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Análise – Labyrinth of Refrain: Coven of Dusk

Depois da má experiência que tivemos com Touhou Genso Wanderer Reloaded, um jogo muito aquém do esperado, temíamos o que nos esperava no longo labirinto do novo título da Nippon Ichi Software. A ideia de explorar um mundo labiríntico, dividido por vários andares, e com uma forte aposta na dificuldade e na personalização dos nossos heróis, podia ser o material necessário para uma enorme desilusão, mas felizmente, Labyrinth of Refrain: Coven of Dusk surpreendeu-nos pela positiva.

Apesar de não ser um jogo perfeito, Coven of Dusk apresenta algumas ideias interessantes capazes de refrescar a fórmula tradicional dos dungeon crawlers. Neste RPG, onde exploramos um labirinto misterioso na primeira pessoa, temos a possibilidade de criar a nossa própria equipa desde a sua classe até ao seu equipamento, seguindo um modelo muito profundo, ainda que pouco intuitivo.

Ao contrário dos outros jogos do género, Coven of Dusk não nos dá uma equipa fechada de heróis ou de personagens que são importantes para a narrativa, mas sim um leque de lutadores descartáveis e que devemos, ao longo do jogo, substituir. Pensem em Darkest Dungeon, mas sem a morte permanente – e sem os níveis acérrimos de dificuldade, claro. Isto acontece porque cada personagem é, na verdade, uma boneca de madeira a que damos vida. Dronya, uma das personagens principais, é uma bruxa que quer explorar os mistérios do labirinto e recolher os seus tesouros preciosos, mas não o consegue fazer sozinha devido ao ar irrespirável da masmorra e dos monstros que a habitam. Desta forma, a nossa bruxa de serviço, aliada ao livro vivo, Tractatus de Monstrum, que nós controlamos, dá vida a bonecos capazes de se aventurarem pelos cenários inóspitos do labirinto.

Como a personalização fica inteiramente à nossa mercê, o jogo ganha toda uma nova profundidade que lhe dá também uma longevidade interessante. Para criarmos um soldado, temos de escolher a sua classe, no total de seis, definir os seus atributos e especializações e no final, o seu grupo. Coven of Dusk, tal como o nome indica, foca-se muito na criação de grupos e em classes específicas, onde podemos agrupar mais do que uma personagem. Estes grupos, que se podem focar no ataque físico ou em magias, atribuem habilidades especiais aos nossos lutadores que lhes são exclusivas, obrigando-nos a encontrar um equilíbrio entre as várias opções.

Esta aposta nos grupos é transportada também para o sistema de combate, que é, até certo ponto, muito tradicional. Continuamos a ter um enorme foco nos ataques e nas magias, como seria de esperar, mas Coven of Dusk não se fica por aí e apresenta um sistema de combos e de multiplicadores que vão aumentando o poder de ataques das personagens se conseguirmos manter uma ofensiva constante. Estas combinações são também influenciadas pelo tipo de ataques e dos seus atributos, que são determinados pelas armas de cada lutador, mas, se soubermos explorar este sistema, podemos ter todas as nossas personagens a aumentarem o multiplicador e, consequentemente, o poder dos seus ataques.

Coven of Dusk não é um jogo fácil e, como dungeon crawler, consegue ser um pouco injusto no que toca às suas armadilhas. Como seria de esperar, o labirinto está cheio de armadilhas que teremos de contornar, mas existem momentos onde encontramos poços em zonas completamente inesperadas que podem ditar a nossa derrota. Isto aconteceu-nos durante as primeiras horas do jogo, onde encontrámos um buraco que nos atirou do segundo andar para o quarto, matando quase todas as nossas personagens.

Felizmente, não existem grandes penalidades para a nossa derrota, já que não existe morte permanente, mas, como as personagens são, na verdade, bonecos, podem ficar com membros danificados que terão de ser trocados. Um lutador com danos nos braços não terá tanta força nos ataques, por exemplo, o que nos obriga a sair do labirinto para encontrar ajuda (caso não tenhamos os itens necessários). Este sistema de mutilação é mais uma das novidades interessantes deste RPG, dando-nos também a possibilidade de infligirmos um maior danos aos nossos inimigos.

Apesar da personalização e do desafio dos combates, Coven of Dusk pode ser um pouco aborrecido no que toca à exploração e à velocidade das batalhas mais intensas. Os mapas são extensos e apresentam vários atalhos, mas os cenários são demasiado repetitivos e as recompensas que encontramos, durante as primeiras horas, pouco aliciantes. É normal sentir que não há muito para ver, ainda que seja um RPG extenso, mas a falta de combates aleatórios ajuda a equilibrar este cansaço. Toda a movimentação é feita por turnos, o que significa que cada passo corresponde a um movimento dos nossos inimigos, uma escolha que procura dar alguma intensidade à exploração. Existe também um foco na furtividade, algo que nos surpreendeu, dando-nos a possibilidade de nos escondermos de um inimigo mais poderoso.

A história, ainda que pouco inovadora, apresenta alguns momentos de comédia e de pura crueldade, não se desviando de certos tópicos mais fortes, algo que nos ajuda a continuar em frente. No entanto, é um jogo que se foca muito mais nas suas mecânicas e na personalização, por isso, não se admirem se não ficarem muito envolvidos na sua história.

Labyrinth of Refrain: Coven of Dusk é um dungeon crawler interessante que, infelizmente, não consegue afastar a repetição e falta de imaginação que são muitas vezes associadas ao seu género. É um jogo com um grande foco na personalização e na exploração, existindo momentos intensos tanto na jogabilidade como na história. É uma boa escolha para os fãs deste subgénero, ainda que pudesse ser mais do que apenas um bom jogo.

Labyrinth of Refrain: Coven of Dusk está disponível para PlayStation 4, PlayStation Vita, Steam e Nintendo Switch

Labyrinth of Refrain: Coven of Dusk
Nota: 7/10

Este jogo foi cedido para análise pela NIS America.

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