Ghostwire Tokyo – Estes fantasmas não metem medo

A nova aposta da Tango Gameworks prometia “sustos”, mas trouxe apenas aborrecimento.

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Apadrinhado pelo célebre produtor Shinji Mikami, criador de Resident Evil, chega-nos o mais recente título da Tango Gameworks, Tokyo Ghostwire.

Depois de nos trazer dois capítulos da saga The Evil Within, que foi considerado por muitos como um “Inception de survival horror” pelos seus níveis criativos, mas familiares aos fãs do género, a Tango Gameworks volta a apostar no horror, mas desta vez na primeira pessoa e com uma pitada na fantasia e no sci-fi com a sua versão do “Arrebatamento”, o conceito cristão designado para o Fim dos Tempos, onde subitamente os vivos são levados para o Céu, como já vimos também na série The Leftovers ou no Universo Cinemático da Marvel com Avengers: Infinity War.

Focado na cidade de Tokyo e adaptado à mitologia sobrenatural japonesa, um misterioso evento faz com que o mundo dos demónios e o mundo real colapsem, com todos os habitantes a desaparecerem subitamente, à exceção de um Akito que, por razões aparentemente inexplicáveis, é possuído por KK, um detetive espiritual que lhe confere poderes para combater os Yokai que agora dominam a cidade. Rapidamente percebemos que este não é apenas um evento sobrenatural e que há alguma “ciência” por detrás disso, com um grupo de humanos com máscaras Hannya aparentemente por detrás de tudo o que se passa.

É um excelente setup e introdução para um jogo que podia ser divertido, diverso e, acima de tudo, aliciante. No entanto, as suas ambições são tão elevadas que a Tango Gameworks não teve aparentemente mãos para fazer algo único, jogando pelo seguro e apresentando um jogo aborrecido, repetitivo e sem força, sustos ou suspense para nos agarrar para lá das primeiras horas.

Ghostwire Tokyo foi um jogo que me fez pensar várias vezes no que é um “mau jogo” e a resposta parece ser sempre a mesma: é um jogo medíocre. Um jogo sem interesse, seguro, e que por um lado não parece fazer grande coisa de mal ou ofensiva, mas que não é divertido de se jogar ou de falar dele. No fim do dia, até um jogo mau é potencialmente divertido ou sujeito a conversas e discussões, por outras palavras, um ótimo alvo de críticas, piadas e, por vezes, de análise do pouco de bom que podem ter feito.

Depois de uma introdução porreira, como um bom episódio piloto de uma série ou anime acabado de estrear, Ghostwire Tokyo perde por completo o foco, com as suas ideias, conceitos e mecânicas a quererem aparecer todas de uma vez através de tutoriais, pedaços de lore e introdução de mecânicas a uma velocidade fugaz sem espaço ou abertura de experimentação ou libertação.

A Tango Gameworks parece que quer que o jogador perceba logo tudo o que tem que fazer e como fazer no primeiro momento, tornando alguns dos objetivos e ações confusas e criando algum FOMO no jogador se algo não for apresentado de forma clara.

Misturado com isto temos um sistema de jogo muito tradicional para um jogo de ação/RPG, com uma árvore de atributos, códex com informação extensa de personagens e situações, um mapa que se vai enchendo de pontos e um acumular de objetivos e missões secundárias que vão preenchendo o log no HUD de jogo. Segurança a mais numa execução gasta e objetivamente aborrecida.

Aborrecimento é a palavra chave para a minha experiência com Tokyo Ghostwire. Apesar de contarmos com momentos mais criativos que avançam a história, normalmente sequências scripted, tipo montanha russa num parque de diversões, estes momentos estão espalhados e à distância de uma mão cheia de viagens e objetivos repetitivos pelas ruas de uma cidade de Tóquio vazia.

Há uma tentativa de imersão com uma aposta atmosférica e tensa, havendo uma seleção reduzida de monstros e yokai a passear pelas ruas, mas após algum tempo no jogo, todos os cantos, ruas, lojas e topos de edifícios parecem semelhantes e pouco diversos. Ao mesmo tempo, também temos uma reduzida quantidade de habilidades e armas que tornam a jogabilidade pouco divertida, passando a maioria das vezes a ver as mãos de Akito a gesticular de forma satisfatória no ecrã para caçar espíritos.

A jogabilidade de Ghostwire Tokyo também não é marcante. Sente-se pesada e com pouco feedback de impacto, o que é pena porque, apesar das ótimas animações, os poderes de Akito podiam ser mais satisfatórios ao rebentar com os Yokai ou arremessando projéteis, mas tal não acontece. E dado que a lista de habilidades principais ofensivas é também reduzida, a sensação de repetição é entediante.

Ghostwire Tokyo é um jogo de nova geração, com lançamento no PC e na PlayStation 5, mas pode dizer-se até que é um exclusivo de consola na PlayStation 5. A nível técnico, tira partido de tempos de carregamento rápidos, o que é ótimo dado que é constante sermos confrontados com fades quando entramos e saímos de algumas áreas; temos as capacidades hápticas do DualSense para tornar a experiência mais imersiva, com destaque para o som que sai do comando, o uso do trackpad para mudar de habilidades e o uso dos gatilhos com pressão; e temos também três principais modos de jogo, onde se destaca o de Qualidade, com Ray-Tracing que torna a imagem bem rica, com reflexos em janelas, superfícies espelhadas e poças de água nas ruas de Tóquio.

Contudo, é um jogo de sacrifícios, onde cada um dos modos tem as suas vantagens e contrapartidas. Mesmo o de Performance RT, com Ray-Tracing ligado e 60FPS, desilude com uma qualidade de imagem drasticamente inferior ao de Qualidade e um forte efeito de screen-tearing durante o jogo. Ao mesmo tempo, todas as opções não anulam a sensação de peso e de lag constante durante o movimento de câmara no jogo.

Também interessante é olhar para o aspeto geral do jogo e constar que, apesar das suas capacidades de nova geração, Tokyo Ghostwire passa bem por um jogo da geração passada, sem momentos ou cenários que gritem “isto é next-gen”.

Posso dizer com franqueza que não terminei Tokyo Ghostwire. E honestamente, não tenciono fazê-lo. Não que seja um mau jogo – é seguro do que quer fazer, abraçando com regularidade o lado lúdico com mecânicas e situações de videojogo clássico (como a forma como apanhamos dinheiro e energia no mundo do jogo) -, mas por baixo do seu aparato cool e radical, é tão insonso e pouco interessante que dificilmente me convenceu a querer descobrir os segredos que levaram ao desaparecimento dos habitantes de Tóquio, ou a preocupar-me o suficiente para os salvar.

Ghostwire Tokyo está disponível para PC e para PlayStation 5 como um exclusivo de consola temporário.

Cópia para análise (PlayStation 5) cedida pela Ecoplay

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