Análise – DiRT Rally 2.0

por David Fialho

Enquanto que Colin McRae vive espiritualmente na série de jogos de rally da Codemasters, DiRT, a produtora britânica iniciou um spin-off para os fãs mais dedicados da modalidade com DiRT Rally, com a promessa de um jogo que aposta mais na simulação.

Depois do primeiro DiRT Rally ter feito um test-drive ao género, a série marcou presença o ano passado com o mais acessível e arcade DiRT 4. Para 2019, voltamos com Rally à séria em DiRT Rally 2.0.

DiRT Rally 2.0 apresenta-se logo com um título curioso, em parte em homenagem ao segundo jogo da série original Colin McRae Rally 2.0, e também porque este jogo entra num registo de jogo enquanto serviço (GaaS), com uma ligação constante à Internet onde os jogadores podem partilhar todos os seus tempos, participar em torneiros e eventos especiais e, até, cumprir objetivos que mudam todas as semanas.

Mas o foco especial de DiRT Rally 2.0 está no seu conceito mais primal, a oferta de uma experiência autentica, visceral, com a sensação de perigo constante a cada curva e sem “rodinhas.”

DiRT Rally 2.0 não é um jogo acessível e, em parte, isto é um ponto bem positivo. O jogo foi desenhado para os entusiastas da modalidade que procuram um desafio extra. De fora estão vídeos explicativos como vimos em DiRT Rally 1, ou os tutoriais da academia de DiRT 4. DiRT Rally 2.0 atira-nos para a ação, independentemente do modo que escolhermos, e obriga-nos a testar todos os parâmetros possíveis, quer sejam dos carros, ou dos tipos de pista e diferentes condições das super especiais.

Entrar numa curva e sair dela de lado como em The Fast and the Furious: Tokyo Drift, é para esquecer. A menos que se tenha muito treino e se queira arriscar a um grande acidente que nos pode tirar da prova. A relação risco/recompensa está sempre presente e DiRT Rally 2.0 ganha pontos pelo equilíbrio que demonstra.

Ser difícil ou pouco acessível não significa que não haja maneira de aliviar o stress e a ansiedade das provas. O jogo conta com uma extensa seleção de parâmetros de dificuldade, que se prendem, sobretudo, com ajudas e assistências de condução, para além de um pequeno slider de dificuldade da inteligência artificial.

Neste ponto, apesar de podermos incrementar a dificuldade através de percentagens, a Inteligência Artificial parece não ser muito consistente, dividindo-se em dois tipos – muito fácil, onde é possível ganhar campeonatos com muito erros cometidos, e muito difícil, que, por muito perfeitos que queiramos ser, vamos estar sempre a segundos de distância dos nossos oponentes.

As diferenças de dificuldade do jogo também se fazem sentir nas condições da pista e nos seus tipos de piso, que são muito fáceis de distinguir, ainda que as suas diferenças sejam algo subtis.

Ao longo da carreira, e mesmo em modos mais livres, é importante escolher bem o tipo de pneus e extras para os nossos carros, até porque esta falha pode significar a perda de tempo sem sequer darmos por ela, ou pode dar aso a acidentes simplesmente por falta de aderência ao terreno.

Variedade é o que não falta em DiRT Rally 2.0. Temos uma lista de veículos bastante compreensiva, contando com carros clássicos, modernos, lendas e toda a liga licenciada do Mundial de Rallycross.

Todos os veículos comportam-se de forma diferente, ao ponto de, ao fim de alguns testes, ser possível começar a criar um elo entre piloto e máquina, como acontece com jogos de luta ou de tiros, onde os jogadores apenas se dedicam ao uso de uma determinada personagem.

O seu comportamento varia de forma realista, com carros mais antigos e potentes a comportarem-se como animais selvagens e os mais recentes mais preparados para todos os obstáculos.

A variedade de locais e de pistas também é grande, mas menos do que encontramos em DiRT 4, ainda que por boas razões. De fora ficou o sistema de produção de pistas automático, o que dava para termos milhares de pistas aleatórias geradas pelo próprio jogo. Aqui foram todas produzidas à mão e, por isso, parecem mais trabalhadas e refinadas. Ainda que seja um número mais limitado e que, por vezes, pareçam repetidas devido às suas variantes, DiRT Rally 2.0 conta com algumas das pistas mais realistas e bonitas da série, que mudam consoante a altura do dia e as suas condições atmosféricas.

Esta limitação também permite um melhor controlo das listas de tempo com outros jogadores, sendo mais fácil de seguir as leaderboards e de participar em campeonatos, onde a nossa carreira a solo serve como treino que conta para futuros eventos.

Seja na terra batida, ou no asfalto do Rallycross, DiRT Rally 2.0 é um jogo como pouco se vê. O objetivo é claro, deixar-nos imersos com o medo de sair fora e perder segundos. DiRT Rally 2.0 não tem rodinhas, mas deixa-nos voar como o lendário “escocês voador.”

Seja com um comando ou com um setup com volante, DiRT Rally 2.0 é um jogo a não perder para os fãs e que encontra muito espaço para melhorias com o suporte da Codemasters para os próximos tempos.

DiRT Rally 2.0 está disponivel para PC, Xbox One e PlayStation 4.

Este jogo foi cedido para análise pela Ecoplay.

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