Análise – Devil May Cry 5

por David Fialho

Não parece, mas já passaram 11 anos desde o lançamento de Devil May Cry 4, o jogo anterior à nova aposta da Capcom.

Ignorando a tentativa de reboot da Team Ninja com DmC em 2012, Devil May Cry 5 é a sequela que os fãs mais acérrimos da série esperavam. E agora que está a chegar ao PC e às consolas, é bom que se preparem, porque Nero, Dante e companhia estão aqui para partir a loiça toda.

Quando a Capcom anunciou Devil May Cry 5 e prometeu que queria desenvolver um dos melhores títulos de ação da geração, parecia estar a falar a sério. Com uma campanha que dura cerca de 15 horas, Devil May Cry 5 é frenético, explosivo e sexy.

Devil May Cry 5 continua os eventos da série principal alguns anos depois de Devil May Cry 4. Com uma história contada de forma não linear, com vários episódios espalhados como peças de um puzzle, começamos o jogo sem grandes segredos e com a apresentação das personagens principais.

Nero é a primeira personagem que controlamos, fazendo-se acompanhar por Nico, uma jovem inventora que o usa como cobaia para as suas experiências ao criar braços mecânicos depois do nosso jovem herói perder um braço misteriosamente.

Dante está de volta com o seu perfil de sabichão e somos ainda introduzidos a V, um misterioso jovem, também controlável, mas com uma jogabilidade bastante única.

A história de Devil May Cry 5 é centrada nas personagens e nas suas relações, enquanto lutamos contra hordas de demónios e tentamos parar uma nova grande ameaça que está a colocar em risco o mundo dos mortais. É simples, ainda que se deixe complicar apenas por pontas soltas de episódios anteriores.

Quem nunca jogou Devil May Cry não se vai sentir propriamente perdido. Para além de podermos ver inicialmente um resumo dos jogos anteriores com o que aconteceu anteriormente no mundo da série, vamos sendo atualizados através de um diário in-game que vai ficando preenchido à medida que a história avança.

A acessibilidade deste jogo faz-se sentir também na espetacular, surpreendente e viciante jogabilidade que muda e se transforma constantemente ao longo do jogo.

Nas sequências com Nero, temos um conjunto de movimentos limitados aos Devil Breaker, os braços mecânicos que contam com diferentes habilidades da sua espada e pistola. O seu controlo é simples e funciona como uma excelente introdução do jogo, com elementos básicos e familiares para os jogadores do género.

Quando passamos para V, temos o nosso primeiro “choque”, com uma jogabilidade única e diferente, onde não temos o habitual combate hack-and-slash, mas sim uma espécie de combate por controlo à distância. Controlamos três criaturas com diferentes sets de ataques, com V a dar o último golpe com a sua bengala.

Por fim, temos Dante, que inicialmente se controla de forma muito semelhante a Nero, com uma espada e pistolas, e que é, fundamentalmente, a alma original da série, contando com novas armas e os seus quatros modos de ataques – que podemos alternar mais que uma vez em combate.

Com todas estas personagens, vamos sucessivamente evoluindo as habilidades e tipos de ataques disponíveis, alé, de muitas e novas armas, o que torna o jogo sempre fresco e dinâmico, com novidades prontas a testar.

Devil May Cry 5 conta ainda com um modo de treino, The Void, que nos permite testar as novas habilidades antes de gastar as orbs que vamos apanhando durante a exploração dos níveis. Como seria de esperar, continuamos a ser avaliados no final de cada missão, com a pontuação a determinar o número de orbs que recebemos.

O ritmo de combate é, em todas as personagens, rápido e frenético, sempre com um pequeno espaço para respirar e trocar de estilo de combate ao último segundo.

A parte mais incrível na jogabilidade é a sua profundidade e a forma como se torna complexa e satisfatória, missão após missão, graças ao nosso progresso. Devil May Cry 5 conta com elementos de acessibilidade, como uma dificuldade mais baixa e um interruptor de combos automáticos, mas a satisfação de ver as personagens em ação, com movimentos fluidos e orgânicos, assim como o sistema de rating que nos obriga a fazer os melhores “bailados”, puxam pelo jogador e incentivam-no a desligar qualquer ajuda e a puxar pela dificuldade. E para melhorar tudo, mas isto só para os mais corajosos, há ainda novas dificuldades desbloqueáveis no final do jogo.

Devil May Cry 5 pode ser um jogo desafiante e, por vezes, muito difícil, mas nunca deixa de ser divertido e satisfatório.

Entre níveis mais fechados e outros mais abertos, Devil May Cry 5 pode, por vezes, cair na repetição, mas a expetativa pela próxima “sala” com inimigos ou pela próxima batalha de boss inesperada são elementos que se sobrepõem facilmente a esse sentimento.

Com recurso ao RE Engine, utilizado em Resident Evil 7 e no recente Resident Evil 2 Remake, Devil May Cry 5 já é um dos jogos mais bonitos desta geração. Com um aspeto hiper-realista, contamos com animações faciais extremamente fenomenais, roupas e materiais com texturas que parece que lhes podemos tocar, uma apresentação de cenários bem atmosféricos e uma variedade de inimigos gigante – desde os mais grotescos e experimentais a cavaleiros com escudos e lanças – que tornam o início de todos os confrontos tão excitantes como intimidantes.

Esta aparência mais realista foi uma das prioridades da produtora, que, ao utilizar as mais recentes técnicas e tecnologias, conseguiu pegar no material original de jogos anteriores e tratá-lo aqui com seriedade, apesar de todas as loucuras que a série nos habituou.

Com um tom com os pés mais assentes na terra, é comum sermos apanhados de surpresa com situações e segmentos absurdos que são eficazes muito por causa da aparência do jogo e da forma como a câmara se move durante as cinemáticas, sempre com peso e realismo.

Juntamente com os visuais, temos a excelente banda sonora, com cada personagem a receber um tema musical que reflete a sua personalidade. Neste departamento, os temas de combate raramente caiem na repetição. São bem medidos na sua utilização, muito graças às dezenas de batalhas de bosses que também contam com as suas próprias músicas dinâmicas e que se ajustam aos momentos de batalha mais épicos.

Devil May Cry 5 é um jogo difícil de explicar sem entrar em detalhes que possam estragar a experiência. Não só a nível narrativo, que nem é o seu forte, mas pelas sucessivas surpresas em termos de mecânicas que o jogo nos apresenta. Seja pela jogabilidade, pelas missões secretas que apresenta, pelas cinemáticas absolutamente ridículas e hilariantes ou pela forma como o jogo evolui nas nossas mãos.

A cereja no topo do bolo é a oportunidade de repetir o título com diferentes desafios e dificuldades, ou, até, jogar versões alternativas de alguns níveis para apanhar mais orbs e desbloquear novas e mais poderosas habilidades.

Devil May Cry 5 é um videojogo seguro do que é e difícil de se traduzir noutro meio. É também um pouco de tudo o que se espera num jogo cheio de referências deliciosas e com um estilo único.

Com uma apresentação fantástica e uma jogabilidade ainda melhor, Devil May Cry 5 é mais um homerun para a Capcom, que abriu este ano com o excelente Resident Evil 2.

Agora é esperar pelo que vem a seguir enquanto puxamos pelo gatilho com Nero e Dante.

Devil May Cry 5 chega ao PC, PlayStation 4 e Xbox One esta semana, a 8 de março, e tem uma demonstração disponível para Xbox One e PlayStation 4 que deixa jogar uma missão inicial completa.

Este jogo (versão para PC) foi cedido para análise pela Ecoplay.

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