Análise – Deliver Us The Moon

Uma viagem empolgante, ainda que pouco surpreendente, por um futuro onde o planeta Terra está à beira do fim.

Deliver Us the Moon
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Maio promete acalmar o panorama mundial, mas também o lançamento sucessivo de videojogos que se focam em futuros pós-apocalípticos ou em cenários de pandemia. Antes de regressarmos ao normal, no entanto, a KeokeN Interactive leva-nos numa última viagem por um planeta Terra à beira do fim, esgotado das suas reservas naturais, em Deliver Us The Moon, um jogo de ação e suspense que é tão cativante… como aborrecido.

Ao contrário do que temos visto nas últimas semanas, o futuro de Deliver Us The Moon não é assustador ou aterrorizante, mas sim melancólico. O planeta está a morrer, os recursos estão a desaparecer e a última tentativa de mudar o destino da raça humana parecia ter falhado. Algo aconteceu na estação lunar da WSA (World Space Agency), uma base fundada para a exploração energética da Lua, que resultou num estranho e inexplicável blackout. A ligação com a base foi cortada e ninguém sabe o que aconteceu com a equipa que estava encarregue de proceder com as investigações. Até agora. Com a missão de recuperar os dados e reativar a energia na base abandonada, que trará ao nosso planeta os recursos que tanto necessita, aqui intitulados de WPT, somos o último astronauta que se aventura sozinho pela lua em busca de respostas e de um futuro para o planeta Terra.

Não joguei COSMONAUT, da portuguesa Ground Control Games, ou outro jogo que se foque na exploração espacial, mas a KeokeN Interactive conseguiu criar uma experiência deliciosa. Como uma longa e árdua odisseia, Deliver Us The Moon representa todas os passos difíceis que o nosso astronauta, numa viagem sem regresso antecipado, precisa de dar, sozinho e a milhares de quilómetros de outro ser humano, para salvar o planeta desolado, agora atacado por tempestades de areia que ameaçam destruir tudo à sua passagem. A forma como retrata esta viagem, desde o lançamento do foguetão à viagem, em gravidade zero, pela estação espacial abandonada, tornam Deliver Us The Moon numa demanda emocionante repleta de pormenores que irão deliciar os amantes do género.

Esta aventura, que se divide por trechos na primeira e na terceira pessoa, acaba por ser uma mistura saudável entre exploração, resolução de puzzles e investigação que nos proporciona uma experiência tensa, melancólica, mas igualmente bela.

deliver us the moon review echo boomer 2

Deliver Us The Moon não é muito original e os seus puzzles podiam ser mais desafiantes, relegando-se, muitas vezes, à descoberta de um painel ou à combinação de peças importantes, juntamente com a já tradicional – e aborrecida – ferramenta de análise (que permite encontrar novas informações adicionais), mas o seu forte está no ambiente. Como um jogo de ficção científica, deleita-se nos pormenores, nas sequências de voo, de exploração espacial e numa aposta realista no design de estações e bases em gravidade zero. Apesar de sentir alguma linearidade, não fosse Deliver Us The Moon um título de aventura, vi-me a explorar e a descobrir ambientes vividos, misteriosos e carregados de uma beleza artificial que são exponenciados por uma estória que nos mantém na expetativa até ao último momento.

A solidão é um ponto forte, apesar da companhia de ASE, a IA que nos acompanha ao longo da aventura – e com a qual podemos contar para resolver quebra-cabeças específicos –, e há algo de mágico e intenso na ideia de explorarmos uma estação abandonada a tantos quilómetros do planeta Terra. Sem método de regresso e com uma missão tão importante, Deliver Us The Moon desenrola-se como um longo mistério de “quem o fez e qual o motivo que o levou a fazê-lo”, mantendo o seu foco nas personagens que protagonizaram o corte nas comunicações e no blackout.

Explorar os corredores vazios e frios da base, caminhar pelas planícies estáticas da Lua e sentir o peso da nossa missão são sentimentos que a KeokeN Interactive conseguiu captar perfeitamente ao longo da campanha, mas não foi capaz de evitar uma certa rotina que se instala cedo na campanha. Deliver Us The Moon tem o coração no sítio certo, mas tem uma estrutura pouco ou nada surpreendente que divide esta viagem à Lua por constantes paragens para a resolução de problemas. Sempre que descobrimos um novo espaço, somos levados a resolver um puzzle – muitas das vezes simples e pouco empolgante – que nos desbloqueia uma nova parte da base e assim sucessivamente.

Entre momentos de exploração, vamos encontrando notas e gravações, semelhantes a Tacoma, da Fullbright, que nos dão uma nova perspetiva sobre os acontecimentos na base, mas é impossível não sentir um certo cansaço na falta de criatividade do jogo. O mistério também podia ter sido mais espaçado e estruturado, mas funciona tal como está, ainda que possa desiludir alguns jogadores.

deliver us the moon review echo boomer 3

Para uma equipa pequena, Deliver Us The Moon é um marco. Desde sequências mais focadas na ação – como a explosão na estação espacial, que nos atira para o vazio do espaço – até ao jogo de luz eficaz na base lunar, existem momentos de pura beleza neste jogo independente. De perto, conseguimos ver alguns problemas, como texturas pouco competentes e dithering, mas seria de esperar. O que me retirou da experiência foram, no entanto, alguns bugs que encontrei e que me impossibilitaram de avançar, como ficar preso nos cenários ou bloquear o carro espacial numa das portas da base. De resto, o desempenho manteve-se sólido, registando, que valha a pena referenciar, as paragens forçadas sempre que o jogo gravava automaticamente.

Deliver Us The Moon é uma viagem perfeita para os fãs do género e um trabalho repleto de amor por uma equipa que ambicionou contar-nos uma estória de esperança face a todas as adversidades. Apesar dos seus problemas, Deliver Us The Moon vale pela soma dos seus momentos mais marcantes e pela banda sonora de Sander van Zanten, que serve de catalisador para toda a experiência. Que maio seja o início de algo novo e que os futuros apocalípticos possam finalmente descansar longe da nossa imaginação.

Nota: Bom

Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Este jogo (versão PlayStation 4) foi cedido para análise pela Heaven Media.

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