Análise – Death Stranding (PC)

A visão de Hideo Kojima melhorada.

Parece que já passaram 10 anos, mas, na verdade, foram só nove meses desde que Death Stranding dividiu a crítica e a comunidade de jogadores quando chegou à PlayStation 4.

Olhar para o estado atual do mundo e para as temáticas que o mais recente jogo do visionário Hideo Kojima carrega é assustadoramente poético, pois nada previa, pelo menos publicamente, que na vida real também iríamos ser confrontados com uma “maré da morte” que nos obrigasse a isolar e a usar mais as redes sociais para comunicar e nos entretermos, bem como recorrer a serviços de estafetas até para nos entregarem à porta um simples pacote de pastilhas. É talvez por isso, por ser uma realidade tão absurda e assustadora, que Death Stranding não caiu nos encantos de todos, ainda que a experiência, quando bem consumida, possa ser quase transcendental.

Agora, chega a vez de os jogadores de PC poderem viver esta experiência fictícia, mas assustadoramente realista, onde tudo o que separa o jogo da realidade é o seu cenário futurista, as altas tecnologias, um elemento sobrenatural e o facto da humanidade continuar a lutar pela sobrevivência mais um dia, custe o que custar, coisa que parece não estar ainda presente na cabeça de muita boa gente.

Com lançamento na Steam e na Epic Games Store, Death Stranding, da Kojima Productions, chega ao PC com a ajuda da 505 Games, com uma conversão que promete apresentar o jogo a um novo público e novas oportunidades de o tornar mais imersivo, belo e divertido de se jogar.

Ao contrário da comunidade de jogadores de consola, que tem quase como garantido que 90% dos jogos prometidos correm nas suas máquinas com devidas otimizações, é raro o jogador de PC que não levante a típica questão de “será que o meu computador vai correr este jogo?” quando um projeto é anunciado para essa plataforma. E são ainda muitos aqueles que vão mais longe e se questionam se irá correr nas melhores condições.

Death Stranding

A minha posição privilegiada de crítico de jogos já me tinha dado a oportunidade de experimentar Death Stranding na sua capacidade total (na Playstation 4) e, aquando do anúncio da conversão para PC, foi com muito entusiasmo que esperei pela oportunidade de o rejogar com as suas devidas melhorias. Como tal, essas questões de “como é que corre?” assombraram-me nos últimos meses, ao mesmo tempo que a vontade e necessidade de fazer um upgrade à minha máquina de jogos eram inexistentes.

Felizmente, os requisitos mínimos são bastante modestos. Uma surpresa que, na realidade, não o deveria ser, pois não parece, mas Death Stranding, mesmo suportado pela versão mais recente do Decima Engine desenvolvido pela Guerrilla Games (Killzone, Horizon), foi desenhado para correr numa máquina com mais de meia década de idade, a PlayStation 4.

Assim, foi com muito entusiasmo que parti novamente para a aventura a penantes por uma América destruída pela fusão entre o mundo dos vivos e dos mortos, que depende de estafetas como Sam Porter Bridges para se manter a sociedade a funcionar. Com um modesto setup constituído por um processador Intel Core i5 de 8ª geração, uma GeForce GTX 1060 com 6GB VRAM, 16GB de memória RAM e suporte de um disco de armazenamento SSD, o regresso a Death Stranding foi tão espetacular como a primeira vez que corri o jogo na PlayStation 4, que se encontra agora no fim da sua vida.

Entre as várias melhorias prometidas para esta versão, aquela que se destacou imediatamente foi a fluidez do jogo, que saltou dos 30fps na versão de consola, para os 60, por vezes 90fps, na versão PC (isto quando o limite é aumentado até aos 240fps).

Tendo um monitor apenas capaz de 1080p e uma TV 4K, pude levar o jogo a novas alturas e os resultados foram tão estupendos como igualmente limitados. Por um lado, nas condições mais ideais possíveis, Death Stranding para PC, nos requisitos recomendados, oferece facilmente uma experiência imediatamente superior à da PlayStation 4. Sim, é possível ter 1080p a 60fps constantes com as definições todas no máximo. Por outro, em ecrãs com melhor resolução, o desempenho baixa e pode ficar aquém das expetativas do que é possível, por exemplo, na PlayStation 4 Pro.

Contudo, com computadores mais recentes, equipados com processadores mais poderosos e placas gráficas como a série RTX da NVIDIA, é fácil atingir uma espécie de “nirvana” do desempenho, especialmente agora com a confirmação de que o jogo irá suportar tecnologia DLSS 2.0, o que permite tirar partido da reconstrução visual da imagem em resoluções superiores com um custo de performance mais baixo. Dito isto, se tiverem em mente os requisitos propostos pela Kojima Productions para jogar Death Stranding, vão ter uma experiência espetacular.

Estas melhorias, especialmente a nível de fluidez, são fulcrais, pois melhoram a experiência de jogo de uma forma fenomenal. Não é só mais responsivo e fluido, como potencia uma imersão e um consumo da arte do jogo sem precedentes. Death Stranding é um jogo que aposta imenso no departamento artístico, com visuais futuristas, gadgets, sinaléticas, animações e outros tantos elementos dinâmicos que ganham uma nova vida com mais frames-por-segundo. Especialmente mais notórias durante cinemáticas, essas animações ajudam a tornar o mundo de Death Stranding mais rico e coeso e deixam-nos contemplar pormenores que podiam passar despercebidos na primeira experiência na PlayStation.

Igualmente, as resoluções mais elevadas ajudam a tornar a imagem mais clara e acentuam também os elementos dinâmicos do jogo original, como por exemplo os movimentos do BB na sua cápsula, que são agora mais legíveis e notórios graças a estas melhorias.

Enquanto tudo parece ótimo, esta conversão tem algumas limitações e constrangimentos. Algumas delas diria que podem estar relacionadas com a versão experimental do jogo a que tive acesso para a análise; já outras deixaram-me um bocadinho desiludido, mas em nada afetam a excelência do jogo ou distorcem a minha opinião inicial sobre o mesmo.

As opções de configuração de Death Stranding para PC são poucas e temo que possam estar quebradas. Nas definições do jogo, a escolha de resolução do jogo está limitada aos limites das capacidades suportadas pelo ecrã em uso. Desta forma, no meu modesto monitor, apenas podia escolher 1080p ou 720p, ou seja, não encontrei opções de usar resoluções personalizadas nem dinâmicas, impedindo-me de usar resoluções como 1440p através de downsample.

Uma das grandes novidades desta versão para PC é o suporte de ultra-widescreen, a pensar nos jogadores com monitores/ecrãs 21:9, uma definição que devia existir sempre que possível. A implementação aqui é quase perfeita. Por um lado, é uma delícia ver o jogo a correr na sua totalidade neste formato, que inclui as fantásticas cinemáticas. Num ecrã 21:9, o ecrã é totalmente preenchido por informação periférica extra, já num ecrã 16:9 o jogo apresenta as barras fílmicas, mas também com mais informação extra.

Neste segundo caso, é uma escolha que o jogador pode ter, ao decidir jogar Death Stranding num formato ainda mais cinematográfico, se assim o desejar. Porém, foi com alguma tristeza que concluí que, uma vez que o título não suporta resoluções personalizadas, fiquei limitado a uma resolução muito inferior a 1080p e mais perto da experiência quase desfocada dos 720p.

Com outras opções como a possibilidade de adicionar mais efeitos de Screen Space Reflections, ativar e desativar o Depth of Field e Motion Blur, o jogo corre na perfeição com todos estes efeitos ligados. O que fica aquém das expetativas é o uso de anti-aliasing, um vez que, a 1080p, o FXAA apresenta uma imagem bem mais suave do que o TSAA que, quando ativado, mostra um excesso de serrilhamento na imagem que não costuma ser expectável. FXAA e TSAA são infelizmente as únicas opções disponíveis e, mesmo assim, não apresentam a imagem clara no ponto que gostaria. Ainda assim, é uma experiência visual equivalente ao que temos na PlayStation 4 base.

O suporte de Teclado e Rato está também presente e muito bem implementado. Sem tutoriais ou dicas, é bastante intuitivo começar a jogar Death Stranding no PC e a fluidez extra dos 60fps (ou mais) casa na perfeição com os movimentos de rato. Mas, para quem preferir, o suporte de comando também está presente, com compatibilidade com uma extensa seleção de periféricos onde dou destaque ao fantástico comando da Xbox One, que parece perfeito para a experiência, ainda que seja extremamente estranho fazê-lo, dado que este é um jogo muito “PlayStation”.

Dentro das melhorias, Death Stranding para PC inclui praticamente todas as correções lançadas até à data na PlayStation 4, tornando a experiência melhor de formas quase invisíveis. Algumas “chatices” do jogo no seu lançamento original foram corrigidas, o balanço na dificuldade também – que aqui vê a inclusão de um modo Muito Difícil – e temos ajustes tão simples como a remoção de alertas de BT’s que tanto irritava os jogadores na versão original.

É também de destacar a presença do modo de fotografia, inicialmente revelado como uma função dedicada para o PC, mas cuja resposta da comunidade “obrigou” a Kojima Productions em lançar este modo também na consola da Sony. Este modo no PC mantém-se intacto e extremamente completo e é um pequeno e bem-vindo complemento à nossa jornada, onde podemos fazer um registo das nossas aventuras neste mundo perigoso.

Por fim, temos os itens mais meta, como os óculos de Gordon Freeman, as luvas de Alyx e o chapéu em forma de Headcrab do universo de Half-Life, que são exclusivos desta versão e desbloqueados através de missões únicas. E numa nota extra, graças ao trabalho de localização feito pela PlayStation Portugal, esta versão encontra-se também totalmente traduzida e dobrada em português de Portugal.

A minha opinião mais romantizada do que é Death Stranding pode ser lida na análise original do jogo lançado para a PlayStation 4, onde, na minha primeira viagem por esta aposta de Hideo Kojima, admito que fiquei encantado. Se por ventura ficaram longe da receção do jogo original, não há como não recomendar Death Stranding a novos jogadores no PC.

Se já jogaram o original, esta recomendação torna-se perigosa. Para mim é incrível poder reviver esta aventura com melhor qualidade, mas, após 200 horas na versão PlayStation 4, recomeçar Death Stranding de novo pode ser uma tarefa colossal, com alguns desafios e sentimentos inerentes à narrativa a perderem a força que nos é transmitida numa primeira impressão. Ainda assim, se são fãs e estão à altura do desafio, Death Stranding para PC é imperdível.

Death Stranding para PC, chega à Steam e à Epic Games Store no dia 14 de julho.

Nota: Excelente - Recomendado

Plataforma: PC e PlayStation 4
Este jogo (versão PC) foi cedido para análise pela 505 Games.

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