Cult of the Lamb

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Depois de Nobody Saves the World, Cult of the Lamb, também da Devolver Digital, traz-nos uma experiência imprescindível para os fãs de aventura, gestão e roguelikes.

Cult of the Lamb não devia funcionar. Aliás, sinto que é preciso um certo descaramento para lançar um videojogo com tantos sistemas e funcionalidades, onde tudo está tão limado e integrado na progressão da campanha ao ponto de tornar intuitivo o que devia ser confuso ou complicado. Cult of the Lamb não só faz isso, como consegue ser divertido, envolvente, cómico, assustador e desafiante em todas as suas vertentes. É preciso ter muita lata.

E sabem o que é ainda mais irritante? Cult of the Lamb divide-se em dois géneros distintos, que nem deviam coexistir desta forma. De um lado, temos um jogo de gestão e sobrevivência, onde, no papel de uma adorável ovelha – salva por um deus pagão para espalhar a sua palavra -, temos a oportunidade de gerir o nosso próprio culto. O grande segredo de Cult of the Lamb é a sua simplicidade, que nasce de uma enorme compreensão das suas mecânicas e sistemas, ao ponto de nos dar uma experiência intuitiva, onde todas as funcionalidades são percetíveis e fáceis de utilizar. Como líder do culto, temos de angariar seguidores, que encontramos ao longo das masmorras do jogo, convertê-los à nossa causa, atribuir-lhes tarefas, que procuram elevar o nosso culto ao próximo patamar, e gerir o seu bem-estar e dedicação à nossa fé.

Não seríamos um excelente líder de culto se não tivéssemos um punho de ferro e um certo apetite por sangue. Para garantirmos o funcionamento do culto, podemos ler a mente dos nossos seguidores, moldá-los à nossa vontade, até enganá-los com prendas e enviá-los em missões que poderão muito bem ser mortais – tudo por nós. Com a ajuda dos nossos seguidores, temos acesso a recursos imprescindíveis para a nossa evolução, seja através de pontos de fé, que ajudam a evoluir a nossa ovelha e o seu acampamento, ou de materiais que podemos transformar em novas opções de construção. Em pouco tempo, o nosso acampamento transforma-se numa máquina oleada e rica em materiais, com os nossos seguidores a serem capazes de construir fábricas, campos de cultivo, novos templos, entre outros. O posicionamento em campo não é tão importante como o número de seguidores que trabalham estes edifícios e fábricas, por isso, continuem a aumentar o vosso rebanho, mas cuidado com dissidentes – que poderão ser reconvertidos ao nosso culto ou eliminados para sempre.

O grande segredo de Cult of the Lamb é a sua simplicidade

O que acho mais interessante é a forma como a Massive Monster foi a fundo neste simulador de culto para sádicos. Podiam ter ficado pela gestão básica dos seguidores, pela atribuição de ordens e por toda a imagética em torno dos cultos de fé que reconhecemos em tantas outras obras, mas Cult of the Lamb não tem quaisquer problemas em adaptar a temática até ao tutano. Por exemplo, podemos fazer sermões diários, onde aumentamos a fé dos nossos crentes, mas também conseguimos realizar rituais – tal como sacrifícios quando são necessários – e até moldar as personalidades dos nossos seguidores e criar novos mandamentos para o nosso rebanho. Não existe uma variedade infinita de escolhas, mas é possível construir um culto à nossa maneira, seja através da atribuição de doutrinas que impulsionam os nossos seguidores a serem mais focados em bens materiais ou de leis que determinam alguns dos seus comportamentos. Para desbloquearmos estas opções, é necessário manter os seguidores contentes para que possam evoluir e oferecer partes de talismãs, que servem para desbloquearmos novas vestimentas, mas também ao explorar as masmorras do jogo.

Por falar em masmorras, relembro que Cult of the Lamb continua a ter o descaramento de combinar dois géneros num só e o segundo é o roguelike. Entre visitas ao nosso acampamento ou a uma das outras localizações deste mundo de cultos, onde encontramos novas personagens e missões – tal como acedemos a lojas onde podemos comprar novos itens –, a nossa aventura passa-se maioritariamente numa das cinco masmorras do jogo. Tal como qualquer outro roguelike, Cult of the Lamb segue a fórmula à risca, com designs procedurais, recomeço quando somos derrotados e uma forte aposta na aleatoriedade. Nunca sabemos o que nos espera, apenas que no final de cada masmorra encontra-se um dos deuses que temos de eliminar para libertar The One Who Waits, a entidade que nos deu uma segunda oportunidade.

As masmorras dividem-se por níveis que, por sua vez, dividem-se por várias salas onde encontramos inimigos, recursos e baús repletos de recompensas. Para acedermos aos níveis, temos à nossa disposição um mapa que apresenta vários caminhos possíveis para chegarmos ao fim de cada fase. Estes caminhos determinam a nossa sorte e a dificuldade de cada masmorra, e se encontraremos níveis focados no combate, se teremos a oportunidade de salvar um novo seguidor ou até mesmo se teremos acesso a lojas ou a fontes naturais que nos permitem recolher números avultados de recursos. As opções perdem a sua novidade ao longo da campanha, como seria de esperar, mas existem variações que procuram tornar a experiência o mais inesperada possível, como níveis onde o ouro é substituído por pontos de vida ou recursos, entre outras opções.

No início de cada tentativa, temos acesso a uma arma e a um poder para a nossa ovelha, que formam a base de todos os confrontos do jogo. Os poderes e magias apresentam alguma variedade, desde tentáculos que saem do chão até a espadas gigantescas que projetam os inimigos, mas as armas físicas, como os machados e espadas curtas, já não surpreendem tanto. Os combates em Cult of the Lamb focam-se quase sempre em arenas fechadas, repletas de obstáculos e armadilhas, onde temos de controlar as hordas de inimigos. Podemos enfrentar sapos saltitantes como assassinos munidos de arco e flecha ou então verdadeiras monstruosidades, mas os grupos procuram encontrar este equilíbrio entre adversários que atacam à distância e aqueles que lutam corpo a corpo para nos manter em alerta. As armas são funcionais e não requerem nenhuma aprendizagem a priori, mas pecam na variedade. Se são espadas, os ataques são mais rápidos e se são machados, pronto, são ataques mais lentos e pouco mais. Existem outros parâmetros que influenciam a utilidade das armas, como habilidades que nos permitem envenenar os inimigos, e temos a possibilidade de encontrar aleatoriamente outras opções de ataque, mas Cult of the Lamb podia ser mais diversificado em combate.

Encontramos maior profundidade no sistema de cartas, que podemos comprar e desbloquear ao longo da campanha. Estas cartas servem como habilidades adicionais, mas também como um método de ganharmos novos pontos de vida e melhorias passivas. Através deste sistemas, podemos melhorar o rácio de ataque da nossa ovelha, o seu poder, mas também a oportunidade de encontrarmos itens raros e lançar projeteis entre ataques. Não é a opção mais profunda que poderíamos encontrar num jogo deste género, mas funciona em prol da simplicidade e acessibilidade de Cult of the Lamb, dando aos jogadores alguma personalização no que toca à abordagem nas masmorras. Estas cartas podem ser ativadas em vendedores ou quando servem como recompensa num dos baús que abrimos, por isso, tentem desbloquear o maior número de opções possíveis.

Cult of the Lamb não é o roguelike mais variado e profundo que alguma vez jogarão, mas é uma combinação interessante entre a gestão de recursos e a exploração de masmorras aleatórias. Os combates podiam ter maior variedade mecânica, mas o foco de Cult of the Lamb está na experiência de gerirem um culto contra os deuses e nem tanto em masmorras desenhadas à mão e em combates contra inimigos repletos de padrões impossíveis de decorarmos. É acessível, é divertido e é desafiante quando precisa de ser, especialmente na gestão dos nossos seguidores, e é isso que o torna tão empolgante quando comparado a outros títulos do género.

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Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Cosmocover

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