Cathedral – A Catedral do “OK”

A Decemberborn Interactive traz-nos um metroidvania seguro e muito desafiante que peca ao não ser memorável.

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Depois da estreia no PC e na Nintendo Switch, Cathedral chegou finalmente à PlayStation, naquele que promete ser um ano recheado de homenagens a videojogos clássicos. Infernax já nos havia dado uma reinterpretação da estrutura popular dos títulos dos 8 bits, nomeadamente Castlevania e Ghosts ‘n Goblins, mas adaptando à tradicional aventura a uma estrutura mais assente na exploração, nas escolhas e na utilização de habilidades. Cathedral segue os mesmos moldes, no sentido em que aposta também num mundo interligado dependente de poderes para progredirmos – chamemos-lhe de metroidvania, como verdadeiros profissionais da área -, mas com um charme mais inocente que lhe dá algum destaque em relação aos seus contemporâneos.

Apesar de partilharem algumas influências, Cathedral afasta-se do tom e da premissa de Infernax, que servirá de comparação, ao combinar os seus elementos fantásticos com uma maior inocência, consciência e humor que procuram quebrar a Quarta Dimensão nesta longa aventura. De facto, Cathedral acaba por ser mais Monster Boy in Wonderland do que Castlevania, no sentido em que temos aldeias, lojas, missões secundárias, vários NPC para conhecermos e um foco num sistema monetário rígido que nos motiva a repetir zonas em busca de moedas, jóias e outros tesouros para melhorarmos o nosso cavaleiro.

Como um metroidvania, Cathedral constrói a sua campanha através de várias zonas distintas, apostando fortemente em habilidades que limitam a progressão e adicionam novas camadas ao simples sistema de ataque. Desde flechas até a desvios rápidos e ossos que podemos utilizar como plataformas, Cathedral é um jogo em constante evolução e sentimo-nos a dominar progressivamente o seu mundo nem sempre acessível. Existe um desafio interessante associado ao combate e aos momentos de plataformas, que nem sempre são justos, mas há um classicismo reconfortante no design dos níveis que utilizam sistemas que viram anteriormente em títulos como Mega Man e o já mencionado Castlevania.

É refrescante encontrar um foco tão acentuado no humor, especialmente quando a maioria dos metroidvania se leva tão a sério. Cathedral procura brincar com os clichés do género ao mesmo tempo que os utiliza de peito aberto. De facto, existem poucas novidades no título da Decemberborn Interactive e não seria de esperar o contrário, com a aventura a depender de armas, armaduras e de melhorias – que podem descobrir ou comprar nas lojas da aldeia – para equilibrar a sua dificuldade. O sistema monetário é tão importante que serve também de penalização para quando somos derrotados. No último coração do nosso cavaleiro, Cathedral não nos transporta apenas para o último ponto de gravação, mas retira-nos 10% do outro que amealhámos. Isto é um golpe acumulativo e que dói cada vez mais, especialmente se estivermos numa zona desafiante. Por isso, cuidado com o vosso próximo passo porque verão as vossas poupanças a desaparecer – que belo exemplo rebuscado do sistema capitalista.

Os meus problemas com Cathedral resumem-se à repetição dos combates, ao desequilíbrio de alguns inimigos – injustamente rápidos e em posições pouco interessantes, especialmente no que toca ao scroll vertical do ecrã – e à falta de direção em alguns momentos da campanha, que é agravada por um mapa que pura e simplesmente não consegui apreciar. É um mapa demasiado retangular, cuja informação limita-se a alguns ícones e a cores que diferenciam as zonas, dificultando a visibilidade no que toca às entradas e saídas das várias salas.

No entanto, Cathedral parece-me ser um daqueles casos onde eu não adorei o meu tempo com o jogo, mas vocês podem ter uma opinião completamente diferente, existindo muito espaço para a subjetividade toldar a diversão em jogo. Por isso, se procuram um metroidvania clássico, Cathedral talvez seja o que estão à procura – talvez.

Cópia para análise (versão PlayStation) cedida pela Plan of Attack.

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