Análise – Blasphemous

Depois de Bloodstained: Ritual of the Night, que marcou o regresso de Koji Igarashi à produção de videojogos, ter surpreendido os fãs e suplantado quaisquer expetativas, chega-nos agora Blasphemous, um jogo de ação e plataformas com fortes influências pelo género metroidvania, que procura dar-nos uma experiência muito mais assente no desafio e no macabro. E para um projeto independente, desenvolvido pelos espanhóis The Game Kitchen, é um triunfo do género, conseguindo equilibrar a sua jogabilidade com uma história misteriosa e um mundo altamente marcante para explorar.

- Publicidade -

É impossível não ficarmos surpreendidos com o cuidado visual e a criatividade de Blasphemous. Com fortes inspirações católicas e europeias, que se refletem na sua história e no design, o jogo aposta num estilo em pixel-art que consegue não só dar-nos a sensação de que estamos perante um título clássico, da era dos 16 bits, como cria um ambiente mais opressivo, surreal e macabro, onde o real se mistura com a fantasia.

As animações são detalhadas e muito fluídas, algo que se sente na própria jogabilidade e no controlo da nossa personagem, mas é nos cenários que o jogo encontra a sua alma, existindo não só uma vontade em surpreender, mas também em chocar, apresentando imagens e ideias que poderão ser demasiado fortes para alguns jogadores.

Blasphemous

Mas Blasphemous não surpreende apenas a nível visual, demonstrando que a simplicidade e o foco suplantam quaisquer tentativas em injetar o maior número de mecânicas para justificar a dificuldade ou variedade da sua jogabilidade.

No seu cerne, Blasphemous é um jogo de ação e aventura. Não é um soulslike ou um metroidvania puro e duro, mas sim um meio termo entre os dois sub-géneros, onde o foco se mantém na exploração e na ação. As influências são claras, como o número limitado de itens de cura ou a necessidade de recuperarmos algo sempre que morremos, mas o jogo vai mais além e afinca os dentes no seu classicismo, oferecendo uma campanha muito mais condensada e focada.

O mundo do jogo está dividido por zonas, todas elas distintas, e existe uma grande aposta em dar aos jogadores uma maior liberdade para explorarem. A missão é simples e muito clara, que nos leva a recolher três itens para continuar a campanha, mas o jogo apresenta uma estrutura suficientemente aberta para nos deixar escolher o caminho que devemos seguir. Claro que existem zonas mais acessíveis do que outras, como eu acabei por descobrir, mas a escolha está sempre presente.

A jogabilidade é muito fluida e foca-se maioritariamente no combate e na navegação por plataformas. Apesar de podermos desbloquear novas habilidades que têm mais impacto no combate, o jogo nunca deixa de perder este foco na navegação, colocando-nos em salas repletas de inimigos e armadilhas. Para chegarmos ao fim, é preciso dominar o salto, o deslize e as combinações rápidas da personagem, todos eles muito fáceis de utilizar e dominar.

Blasphemous 3

A dificuldade do jogo está também muito equilibrada e sentimos a progressão deste desafio a cada zona que descobrimos, não sentindo, pelo menos na experiência que tive, que estava seguro ou livre de perigos. É uma campanha tensa, muito difícil e recompensadora para todos os fãs do género.

A exploração tem as suas vantagens e Blasphemous tem muitos segredos para descobrirmos. Para além de colecionáveis, em forma de relíquias, temos ainda itens para melhorar os atributos da nossa personagem e acessórios para a sua espada. Estes itens estão, muitas das vezes, localizados em partes difíceis de alcançar ou em salas secretas, escondidas por detrás de paredes, o que nos obriga a estarmos sempre atentos aos cenários e ao layout dos níveis.

Com uma jogabilidade tão apurada e fluída, nunca senti cansaço a voltar atrás e a revisitar algumas das zonas iniciais em busca de segredos, com o sistema de fast travel a ajudar na deslocação.

Blasphemous

Blasphemous não é um jogo para todos. É difícil, muito sangrento e grotesco, e incrivelmente clássico no que toca à sua jogabilidade, mas é um jogo tão limado, tão bem construído e realizado que é impossível ficar-lhe indiferente. Não pensem, no entanto, que vão encontrar o novo Dark Souls em 2D ou o melhor metroidvania do mercado. Não foi isso que a The Game Kitchen nos quis trazer.

Blasphemous é um olhar para o passado com a sensibilidade de géneros mais atuais, mas é, acima de tudo, um excelente jogo de ação e plataformas que vos promete desafiar do princípio ao fim, seja através do design cruel dos seus níveis ou dos bosses gigantescos que encontramos pelo caminho.

Blasphemous já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e Steam.

Blasphemous
Nota: 9/10

Este jogo (versão Nintendo Switch) foi cedido para análise pela Team 17.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,471FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
656SeguidoresSeguir

Relacionados

Análise – No More Heroes 1 & 2

Enquanto esperamos pela sequela, está na hora de revisitarmos Santa Destroy em todo o seu esplendor.

Análise – Angry Video Game Nerd 1&2 Deluxe

Está na hora de regressarmos ao passado para jogarmos dois jogos que pensávamos estarem perdidos no tempo!

Análise – FIFA 21

FIFA 21 vem com muitas novidades e algumas melhorias face ao capítulo anterior, mas falha onde não pode: dificuldade da AI da consola em jogo offline.

Digimon Survive foi adiado para 2021

E não é a primeira vez que o futuro RPG é adiado.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

OPPO Find X será das primeiras séries de smartphones 5G com o novo processador Snapdragon 888

Os novos dispositivos deverão chegar ao mercado no primeiro trimestre de 2021.

Samsung pode estar em vias de acabar com a linha Galaxy Note

As quebras no segmento e pandemia de COVID-19 são as razões apontadas para este possível fim.

Corsair iCue 4000X RGB – Forma, função e estilo

Seja num cenário profissional de produtividade, lazer ou entretenimento, a caixa é, por vezes, deixada para último plano quando se monta um PC. Mas não deveria de ser o caso.