Análise – Beasts of Maravilla Island (Nintendo Switch)

A ilha de Maravilla é tudo menos um destino paradisíaco – pelo menos na Nintendo Switch.

- Publicidade -

É difícil admitir que fomos obrigados a atirar a toalha para o meio do ringue e a desistir. Este processo de desistência, de perda e de derrota, é ainda mais cruel e doloroso quando partimos de um ponto de vista analítico, onde é necessário analisar ao pormenor todos os aspetos e caraterísticas de um objeto artístico, mas com Beasts of Maravilla Island fui ao tapete. Um KO técnico, sem possibilidade de me levantar e ripostar perante o gancho inesperado que me apanhou no meu queixo hipotético de crítico. Uma derrota com todas as letras em bold.

Em Beasts of Maravilla Island de certeza que irão encontrar elementos positivos sobre esta viagem pessoal numa ilha verdejante perdida no tempo e no espaço. Esta viagem de autodescoberta é o ponto de partida ideal para uma campanha emocional, cómica e divertida que se expande ao longo desta ilha repleta de fauna e flora surreal, com animais em forma de frutas e plantas que se abrem com o flash da nossa câmara.

O mundo é colorido, a banda sonora é envolvente, ainda que um pouco genérica, e o foco na fotografia traz-nos um olhar diferente sobre esta ideia de captar uma realidade nova e única através de um videojogo. E num ano em que tivemos o regresso de Pokémon Snap, a estreia de Umurangi Generation na Nintendo Switch e Alba: A Wildlife Adventure, é impressionante como Beasts of Maravilla Island se destaca pela sua simplicidade mecânica que une uma neta ao seu avô através do amor pela fotografia e pela vida selvagem.

E depois vem a repetição. A lânguida, matreira e maldosa repetição que mune a jogabilidade e a estrutura de Beasts of Maravilla Island, desvirtuando o ambiente e a inocência de uma estória pessoal que nunca atinge um ponto satisfatório. O título da Banana Bird Studios não só se recusa a evoluir e a dar novos desafios aos jogadores, como reduz a sua campanha a caminhadas aborrecidas pelas várias zonas da ilha, movendo-se numa linha reta capaz de confundir os jogadores devido à má leitura dos cenários e dos objetivos que devem concluir. É a simplicidade ruidosa, o caos controlado e a aposta sucessiva em tarefas que não exigissem grande destreza ou inventividade por parte dos jogadores, não exigindo, por exemplo, um cuidado na captura das fotografias, ainda que apresente alguns puzzles básicos que estão associados a ações únicas dos animais.

E depois da repetição, vem o péssimo desempenho na Nintendo Switch, tanto em docked, como no modo portátil. Beasts of Maravilla Island recusa-se a correr de forma consistente na consola híbrida da Nintendo e não há milagre capaz de suavizar as quedas constantes de framerate, as texturas que demoram a carregar, os bugs visuais e a lentidão geral que transformam a viagem pela selva numa autêntica dor de cabeça. Existem momentos ocasionais de beleza, como os raios de luz a passarem pelo meio das árvores gigantescas da ilha, mas o desempenho quebra por completo a imersão num mundo que devia ser envolvente desde a primeira vez que capturamos um animal com a nossa câmara: e tal não acontece nesta versão para consolas. Não tenho conhecimento do desempenho na versão PC, mas espero que seja muito mais sólido e consistente.

Não vou esconder ou evitar o elefante na sala, pois acredito que conseguem depreender que não terminei Beasts of Maravilla Island. Se quiserem, devolvo o crachá de crítico, mas sinto que o nosso tempo é reduzido e que não deve ser desperdiçado com experiências que não são para nós.

Para muitos jogadores pode não ser um mau jogo, mas está repleto de problemas de ritmo, de criatividade e de desempenho que não consegui ignorar. Afasto-me derrotado, admito, mas de consciência tranquila.

Nota: Mau

Disponível para: PC, Xbox One e Nintendo Switch
Jogado na Nintendo Switch
Cópia para análise cedida pela Indie Bros.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Parceiros

Relacionados

The Lightbringer – Uma aventura poética

Um jogo de plataformas interessante com algumas escolhas de design que o tornam num produto bizarro.

Gleylancer – Da Mega Drive, com Amor

O título da Masaya Games chega finalmente ao ocidente, 29 anos depois da sua estreia.

Blade of Darkness – À lei da espada

Um regresso ao passado competente que merecia algumas melhorias na jogabilidade.

Shadows of Kurgansk – Fujam desta Zona de Exclusão

Mais um jogo de sobrevivência que faz o mínimo para se destacar.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes