Análise – Battle Axe (PlayStation 4)

Um beat’em up inspirado nos clássicos do género, e com arte de Henk Nieborg, que não consegue fazer jus às suas influências.

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Esqueçamos o realismo e as altas produções por momentos e viajemos até ao passado, à era dos sprites, da pixel art e das campanhas focadas numa experiência mais arcada. Esta viagem não nasce apenas de saudosismo, mas sim do lançamento de Battle Axe, o novo título da Bitmap Bureau, que parece ter saltado diretamente dos anos 90 e do catálogo da Capcom – onde as inspirações a Dungeons & Dragons: Shadow over Mystara são evidentes. Com a possibilidade de jogarem com um amigo e um modo adicional à disposição, Battle Axe é um jogo de ação, visto de cima, perfeito para uma tarde de memórias e convívio. Mas não mais do que isso.

A Bitmap Bureau foi despretensiosa na concetualização de Battle Axe e focou-se nos elementos infalíveis do género arcada. Com três personagens à nossa disposição, cada uma delas com as suas vantagens e desvantagens, temos um leque de níveis com um design focado em áreas de combate, quase sempre com torres ou geradores que precisamos de destruir, tal como a possibilidade de salvarmos aldeões em perigo. A ação resume-se a ataques à distância, golpes próximos e um botão de desvio, mas também a magias, bombas e outros acessórios temporários que servem para limpar o ecrã das hordas de inimigos. Ao longo dos níveis, que são muito coloridos e cujo destaque vai para os modelos cheios de carisma das personagens, encontramos um desafio acentuado que tenta ser equilibrado dentro do seu desequilíbrio. Passo a explicar.

Battle Axe

Seria de esperar que Battle Axe fosse um jogo difícil, mas alguma coisa falhou na adaptação deste género cada vez mais incomum. Ao contrário de outros clássicos da época, ou de outros géneros – como os shumps, como analisámos recentemente em R-Type Final 2 –, não temos acesso a um sistema de continues. Isto significa que somos obrigados a regressar ao início da campanha sempre que perdemos as duas vidas disponíveis, até mesmo quando jogamos no modo mais acessível. Não consigo compreender esta decisão. Talvez exista uma forma de adquirir continues entre níveis, mas a sua ausência desde o início da campanha injeta alguma frustração à jogabilidade de Battle Axe, que, aliado ao posicionamento injusto de alguns inimigos – que surgem fora de campo e sem aviso prévio –, estraga a experiência como um todo.

Podemos desbloquear e comprar novas vidas, mas a falta de um sistema de continues é demasiado negativa. Não pedia uma campanha mais fácil ou simplificada, mas sim a possibilidade de conhecer os níveis mais avançados para continuar a aprender os seus padrões. Os jogadores mais experientes irão certamente vencer a campanha sem quaisquer problemas, mas fica a questão: porque não adicionar um sistema que faz parte da génese do género? Até mesmo nas arcadas, onde a dificuldade ainda era mais proeminente, tínhamos a possibilidade de colocar mais moedas para continuarmos a campanha.

Mas em Battle Axe não há essa opção. Talvez esteja escondida no modo Infinite, que, como o nome indica, pede-nos para repetir vários níveis em sucessão até sermos derrotados, mas o seu layout foi tão desinteressante que rapidamente desisti. Não há uma desculpa suficientemente válida para justificar esta clara falta de compreensão pelo género que a Bitmap Bureau adaptou.

Battle Axe

Também senti que as personagens são muito desequilibradas, mas era espectável, assim é o género, onde existem sempre opções para todos os tipos de jogador. No entanto, nenhuma personagem foi verdadeiramente satisfatória. Battle Axe precisava de um esquema de controlo twin-stick, com o analógico direito a controlar a mira, mas percebo a decisão da equipa e a verdade é que a jogabilidade é, de longe, a menor das minhas preocupações. A ausência de um número mais justo de frames de invencibilidade era uma revisão muito mais importante.

Para além do modo infinito, Battle Axe apresenta o modo New Game Plus, onde poderão repetir a campanha com os itens já adquiridos, e a possibilidade de jogarem com um amigo. Se quiserem. No final de cada etapa têm acesso à vossa pontuação, que se desdobra num sistema de ranking muito básico, e a possibilidade de comprarem pontos de vida, magias e outras vantagens. Se já jogaram Golden Axe de certeza que reconhecem esta pequena paragem entre níveis. São pequenos incentivos para continuarem a jogar um título que é tão divertido, como frustrante.

Nota: Satisfatorio

Disponível para: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch 
Jogado na PlayStation 4 
Cópia para análise cedida pela Numskull.

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