Análise – Aliens: Fireteam Elite (PlayStation 5)

O lançamento de Aliens: Fireteam Elite só veio confirmar o que já suspeitava após ver os gameplays: mais facilmente o jogo tira proveito do franchise para o sucesso comercial, do que o franchise tira do jogo.

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Aliens: Fireteam Elite é um RPG cooperativo de tiros e sobrevivência na terceira pessoa, que se desenrola em 2202 (23 anos depois dos acontecimentos do terceiro filme da importante saga Sci-Fi criada por Ridley Scott). O objetivo passa por, juntamente com uma equipa veterana de Marines Coloniais, conter a ameaça crescente que são os Xenomorphs. Apesar de ter uma premissa atrativa para quem gosta de jogos focados na ação que vão diretos ao assunto, a execução falha em alguns aspetos importantes.

O jogo em si é simples e prático. Iniciando-o, a única opção existente (após a criação da nossa personagem) é avançar para a base, onde existem alguns NPC’s que providenciam informações úteis e nos enquadram com o que se passa. Destes NPC’s, destaca-se o dono da loja, onde se pode comprar todo o equipamento de combate. Fora isto, que por si só é bastante limitado, é saltar para as missões da campanha e começar a distribuir chumbo em Xenomorphs.

Olhando para a estrutura de progressão no jogo, é muito básica, dado que é única e exclusivamente feita por “níveis”, onde após passar o atual, desbloqueamos o próximo e não foge disto. Os únicos modos de jogo são o de campanha em Co-Op e o Horde mode, que funciona como um survival. Contudo, o modo Horde só fica disponível após completar a campanha.

As limitações dos modos de jogo são, de facto, um grande turn off. Foi logo a primeira coisa que me deixou de pé atrás, esta falta de opção. Não sei o que os programadores têm reservado para o futuro, com possíveis novos updates, mas este arranque fica um pouco aquém das expectativas.

Algo que também não me agradou muito foi terem optado que o jogo se desenrolasse na terceira pessoa em vez de ser na primeira. Apesar de ter o seu encanto a nível visual nas ações de combate, quando se joga com bots (difíceis de coordenar) em locais mais apertados, é uma confusão desgraçada. Sei que esta questão entre jogar na primeira ou terceira pessoa depende do gosto de cada um, mas para este jogo que exige reação instantânea, ser na terceira pessoa não só não é prático, como não traz valor acrescentado nenhum à mecânica do jogo.

aliens fireteam elite review echo boomer 2

Os gráficos, apesar de não serem ultra-realistas (longe do potencial das consolas da nova geração), estão bastante detalhados e fiéis à saga no que toca a cores e texturas. Isto confere densidade ao ambiente célebre patente nos filmes, isto é, carregado de suspense. No entanto, quero ser mais específico, por isso vou decompor ambiente em partes e abordar três aspetos gráficos (arquitetura, dinâmicas do meio circundante e o comportamento dos Xenomorphs) e um não gráfico (os efeitos sonoros).

Quando falo de arquitetura, refiro-me a como os locais de exploração e combate estão montados e caracterizados, sendo que em muitos deles é fácil perceber a gravidade da situação que ocorreu antes de sermos chamados a intervir. Analisando as dinâmicas do meio circundante, saltam à vista os fumos que conferem mistério, gases sob pressão que rompem o silêncio e toldam a visão e tampas de condutas caem sem aviso prévio e nos deixam na dúvida se caíram por acaso ou não. O último elemento que dá uso aos gráficos é o que mais merece destaque: os Xenomorphs.

Tanto o design como as animações dos Xenomorph foram bem desenvolvidas, mas não posso falar deste aspeto gráfico sem referir os efeitos sonoros, que estão no ponto. Contextualizando de forma teatral: O que começa com um aviso de alarme no rádio, rapidamente se reflete nos sons das criaturas que se vão ouvindo em crescendo, oriundos de zonas opostas, antes da aparição. O radar de deteção de movimento enche-se de pontos, que se movem em direção a nós. Quando as criaturas entram finalmente no nosso campo de visão, são sempre mais do que os que conseguimos contar e galgam terreno a um ritmo alarmante, mexendo-se de forma ameaçadora, alternando entre o chão, paredes e teto até se aproximarem o suficiente para o golpe final. O resultado, caso as reações não sejam rápidas o suficiente, só depende do tipo de Xenomorph (existem 11 distintos). Se os conseguimos destruir, os efeitos são explosivos, com a repulsa associada necessária. Nota positiva para toda a caracterização do jogo e dinâmica dos Xenomorphs.

A jogabilidade é satisfatória. A sensação de disparo das diferentes armas é agradável. Os efeitos dos disparos nos Xenomorphs são evidentes, há friendly fire, que até é friendly demais, dado que as balas atravessam os nossos aliados e acertam a contar no que estiver atrás. A movimentação do nosso personagem podia ter mais mecânicas disponíveis tais como saltar, esquivar, agachar ou deitar. A que tem, que se prende com rebolar (um esquivar manhoso, demorado e dramático), só funciona numa direção.

Avançando para as opções na hora de preparar a personagem para combate, existem cinco classes disponíveis, com mais de 30 armas por onde escolher e habilidades distintas. Dentro dessas classes temos Gunner, Demolisher, Technician, Doc e Recon. No caso de jogarem a solo, escolham a que mais vos agradar, no caso de jogarem com amigos, tentem complementar-se.

aliens fireteam elite review echo boomer 3

Nota para o armamento, que funciona com uma sistema de “caixas”. Com este sistema só podemos equipar o que couber dentro dessas caixas. À medida que progredimos no jogo, vamos desbloqueando novas caixas para anexar armas. Nunca tinha jogado um jogo com este sistema, mas pelo que li não é 100% novidade, pois um dos Resident Evil já deu uso a um sistema semelhante. Apesar de não achar este sistema muito ortodoxo, tem a sua ciência e a sua piada.

Já em tom de conclusão, mas ainda com algumas coisas para dizer, este jogo peca por ser simples demais. É claramente um jogo de baixo orçamento para entreter. É certo que há uma narrativa ao longo da campanha, mas não é nada de extraordinário. Ainda que tenha bons jumpscares, muito suspense e uma simbiose muito boa entre sons e visuais, o facto dos NPC’s não terem animações enquanto estão em diálogo connosco deixa um bocado a desejar. Então não existirem quaisquer momentos cinemáticos ainda pior… Aliens: Fireteam Elite é um jogo bastante solitário com uma temática algo pesada. Posto isto, caso decidam comprar o jogo, o meu conselho para tirarem o máximo proveito e divertirem-se a sério é jogarem com amigos.

Como já devem ter percebido pela minha descrição algo bipolar, gosto muito de determinados fatores do jogo, mas no geral estou desapontado. Isto deve-se principalmente ao facto desta ser uma saga pela qual tenho um carinho especial. Logo a seguir a O Pesadelo em Elm Street” (1984), Aliens (1986) foi dos primeiros filmes de terror que assisti na minha infância – yep, foi mesmo marcante.

Soma-se a isso o reacendimento da chama no ano passado, após ter recebido os jogos de tabuleiro de roleplay da saga (Starter Set e o Destroyer of Worlds), dos quais fiz análise. Este ano, a esses jogos de tabuleiro somou-se o livro de apoio Colonial Marines Operations Manual. Uma semana depois do livro chegou Fireteam Elite e a coisa ficou séria. Tão séria que, com o meu entusiasmo com este jogo, mandei vir a saga completa (coleção dos seis filmes em bluray) para os rever e juntá-los à minha coleção de DVD’s.

É o que é, uma felicidade amarga. Antes de fechar esta análise, acho essencial referir o último ponto positivo que salva este jogo, desculpa parte da falta de conteúdo e o eleva ao patamar de “bom”: o preço. Pois é, houve o bom senso de colocar o preço base deste jogo ao nível do mesmo, estando este fixado em 34,49€. A isto anexo a informação de que não há micro-transações dentro do jogo, tudo pode ser obtido através de fuzilamento de Xenomorphs.

Se acho que deves investir neste jogo? Bem, se um dia acordares e escolheres violência, tiveres dois amigos na mesma situação e Fireteam Elite estiver em promoção: vai-te a ele!

Nota: Bom

Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5,
Xbox One e Xbox Series X|S
Jogado na PlayStation 5
Cópia para análise cedida pela Tara Bruno PR

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