Análise – Alien, The Roleplaying Game (Starter Set & Destroyer of Worlds)

A saga Alien de Ridley Scott transformou-se num jogo de tabuleiro role-playing game (RPG), podendo muito bem tornar-se um rival à altura do universo Dungeons & Dragons.

Alien, The Roleplaying Game
- Publicidade -

A Free League Publishing (Fria Ligan) é uma empresa sueca de criação e desenvolvimento de jogos de tabuleiro RPG que já conta com 10 opções muito distintas, o que vem demonstrar que criatividade é algo que não falta. Alien pode ser considerada a jóia da coroa, visto que a Free League tem os direitos para usar tudo o que precisar relativo à saga da 20th Century Fox.

Para esta análise foi-me disponibilizado o Starter Set e o Destroyer of Worlds. À primeira vista parece uma simples extensão, mas, na verdade, é uma aventura à parte, que, com add-ons, serve para o mesmo efeito que o Starter Set. De forma a ser mais fácil explicar o jogo, vou oferecer algum contexto, falar do conteúdo em cada set e, depois, explicar como funciona.

STARTER SET

Conteúdo:
-Rulebook (livro de regras resumido com 104 páginas);
-Chariot of the Gods (livro de aventura cinemática com 48 páginas);
-Base Dice Set (10 dados D6 normais);
-Stress Dice Set (10 dados D6 de stress);
-Cinco fichas de personagens pré-criadas;
-Mapa A1 dupla face colorido (com a disposição do espaço no ano 2183 de um lado e as plantas da nave USCSS Cronus do outro);
-56 cartas de jogo (Personal Agenda, Personagens, Armas e Iniciativa);
-Cartão com 84 ícones redondos (personagens, monstros, armas e ações).

O custo do Starter Set está fixado em 45,12€, o que, em comparação com o Starter Set de Dungeons & Dragons, é 20€ mais caro. Contudo, face ao conteúdo e qualidade do mesmo, considero o Starter Set de D&D um roubo, especialmente sabendo que 70% da caixa é composta por ar, literalmente.

A qualidade do conteúdo é fantástica e a experiência começa ainda antes de abrir a caixa com um artwork impressionante. No interior, todo o material é de extrema qualidade e o grafismo do mesmo é brutal, fazendo justiça ao quão aterradora e intensa é a saga de Ridley Scott.

Alien, The Roleplaying Game

Após abrirem a caixa e dar uma vista de olhos ao conteúdo, o meu primeiro conselho é mesmo começarem por ler o Rulebook na íntegra com o material de apoio por perto. Vai ajudar a perceber a dinâmica deste RPG que, apesar de complexo, está muito bem organizado e estruturado. Em comparação com Dungeons & Dragons, parece-me ser um jogo mais metódico e menos de divagação, se bem que quase tudo está tabelado e bem descrito.

Mesmo que tenham experiência anterior a mestrar RPG’s (se comprarem este jogo, assumo que sejam vocês a mestrar*) e conheçam bem o universo cinemático de Alien, aconselho a começarem por explorar e jogar a aventura cinemática contida no set: Chariot of the Gods.

*”Mestrar” significa liderar o jogo. É quase um papel de narrador com muita componente prática. Os RPG’s funcionam muito nesta base, em que, para além dos jogadores que assumem uma personagem, há um jogador específico, que estuda bem a história, as regras, as personagens e os cenários e monta a aventura para os restantes jogadores a desfrutarem (por norma entre três e cinco).

A aventura consiste numa resposta a uma chamada de urgência vinda de uma nave desaparecida há 80 anos, cujo mistério da sua missão é tão grande como o que a deixou à deriva, perdida no espaço. Coisa boa não é, posso até adiantar que é algo alienista, mas como o dinheiro fala mais alto, é inevitável dar uma espreitadela.

A história em si é uma excelente introdução ao universo Alien e considero está muito bem concebida, fazendo-me sentir como se estivesse a vivê-la, apesar de só a ter estudado a partir de tópicos. Este livro é para os olhos do Game Mother (GM) apenas e contém as plantas pormenorizadas da nave inteira, bem como uma descrição precisas dos compartimentos da mesma. Tem também informações sobre todas as personagens envolvidas e os acontecimentos possíveis divididos em três atos.

Convém haver um estudo do livro à priori por parte do GM (que é quem o vai narrar aos jogadores), em vez de começar a jogar sem preparação – vão estar a desperdiçar o jogo se o fizerem.

A duração da aventura vai depender muito da imaginação do GM e da densidade que este lhe der. Concretamente, pode durar entre seis e nove horas, sendo aconselhável fazer sessões de 2-3 horas de cada vez. Isto também permite que o GM estude uma parte da história de cada vez, de modo a que não existam momentos mortos ou confusos.

Alien, The Roleplaying Game

DESTROYER OF WORLDS

Conteúdo:
-Destroyer of Worlds (livro de aventura cinemática com 88 páginas);
-Sete fichas de personagem pré-criadas;
-Mapa A1 dupla face (mapa de Ariarcus e Fort Nebraska de um lado, plantas pormenorizadas dos pisos do Fort Nebraska no outro);
-Dois Mapas A3 dupla face (com plantas de edifícios chave);
-44 cartas de jogo (Personal Agenda, personagens, cartas história, veículos e armamento pesado);

À semelhança do tamanho da caixa, o conteúdo também é mais reduzido, face ao Starter Set, com o preço a estar fixado nos 28€. No entanto, caso queiram comprar o Destroyer of Worlds sem adquirir antes o Starter Set, vai acabar por sair mais caro e vai ser mais difícil “arrancar”, visto que precisam de comprar o Core Rulebook (que é o livro de regras completo, com 392 páginas), cujo preço é o mesmo do Starter Set, e precisam também de comprar dois sets de dados (17,93€ cada), a não ser que tenham 10 D6 à mão. À semelhança do Starter Set, é preciso um jogador destacado com GM para mestrar o jogo e vários jogadores para encarar as personagens.

A história, ao contrário do Starter Set, passa-se em terra firme, numa caça ao homem durante um conflito colonial. Claro que tudo isto envolve interesses económicos e, pois claro, a estirpe alienista. Esta aventura funciona bem quando explorada depois da do Starter Set, sendo mais densa, com mais cenários, mais intervenientes e o mistério (ainda que presente) dá um bocado de espaço à ação, dada a quantidade de acontecimentos em simultâneo de tantas frentes diferentes.

Pessoalmente, como já devem ter percebido pelo meu discurso, não aconselho a começarem pelo Destroyer of Worlds, porque dado o conteúdo, funciona melhor como seguimento do que introdução a este universo. Para além disso, a história é mais complexa e vai-vos sair mais caro começar pela extensão, devido aos extras que precisam de comprar. Mais caro do que se comprarem o Starter Set e o Destroyer of Worlds juntos.

Alien, The Roleplaying Game

CONCLUSÕES

Em suma, como fã ávido de Dungeons & Dragons (do qual possuo cinco boardgames, starter set, vários sets de dados, inúmeros livros, entre outras coisas), já estava familiarizado com o conceito de jogo. Graças a isso, foi mais fácil interpretar e perceber este Alien – The Roleplaying Game mesmo sem o jogar. Até porque as circunstâncias o exigiram, muito por culpa destes tempos conturbados. Basicamente, é difícil arranjar malta para jogar pessoalmente em segurança… e ainda mais difícil é explicar as regras por chamada.

Quanto aos dois sets, trazem ambos conteúdo de excelente qualidade. São dotados de um ótimo trabalho de escrita, captando fielmente a essência do universo Alien, e são relativamente acessíveis, facilitando a compreensão da mecânica do jogo.

Quem já está acostumado a jogar RPG’s tem a vida facilitada para se adaptar a este que, sinceramente, é uma lufada de ar fresco dentro deste tipo de jogos. Se forem novos neste mundo, é normal que sintam mais dificuldades em compreender como o jogo se joga, visto que não é só chegar e jogar. É preciso definir quem é o GM, sendo que essa pessoa tem de estudar o jogo, e os outros jogadores têm, também, de estudar bem as regras e as personagens que vão personificar.

De qualquer das formas, se gostam do universo de Ridley Scott, têm com estes dois sets uma oportunidade única de conseguir uma abordagem e experiência mais intensa na primeira pessoa, obrigando-vos a tomar decisões de vida ou morte sob pressão, que vão definir, moldar ou mudar o jogo. Não é um jogo simpático, na medida em que tudo o que vos rodeia quer prejudicar-vos, iludir ou matar, e o mais difícil é mesmo sobreviver, ainda para mais se não levarem a vossa personagem e o ambiente que vos rodeia a sério.

Alien, The Roleplaying Game

Se não conhecerem o universo, pode ser útil ver os filmes da saga, pois para além de contexto histórico, também consegue dar-vos uma ideia do ambiente em que estão prestes a entrar. Torna o trabalho de quem vai mestrar e jogar por personagens muito mais simples, a partir de ideias, formas de ser e estar das personagens dos filmes. No entanto, se não conhecerem a obra muito a fundo, não é um entrave. Pode ser maior entrave o jogo estar em inglês na íntegra (melhor que sueco).

Muitos consideram que o timing para investir num jogo de tabuleiro não é o melhor, pois é complicado juntar um grupo de amigos para usufruir da experiência. Eu discordo, acho que é a altura ideal para investir em jogos de tabuleiro mais densos, pois caso os queiram mestrar, dá tempo para interiorizar todas as regras e dominá-las (tornando mais fácil depois explicar aos restantes jogadores) e para estudar a história a um ponto em que a consigam mestrar de forma fluída, complexa, intrigante e densa.

Este é o primeiro passo para, depois, serem capazes de criar as vossas próprias histórias, num universo que tem tanto para oferecer. Fica o desejo de que, num futuro próximo, a Free League desenvolva miniaturas da saga para dinamizar e dar mais poder visual ao jogo.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

12,784FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
656SeguidoresSeguir

Relacionados

Há um novo jogo de tabuleiro onde o prémio é… chocolate!

Uma ideia da marca nacional de chocolate artesanal Pedaços de Cacau e dos youtubers do canal Cara Coroa.

Joker, da RTP, vira jogo de tabuleiro

Sim, falamos do programa apresentado por Vasco Palmeirim na estação pública.

Alien: Isolation invade a Nintendo Switch ainda este ano

Enquanto Alien: Isolation não recebe uma verdadeira sequela, chega uma nova versão do jogo para a Nintendo Switch. Originalmente desenvolvido...

“Alien” celebra 40 anos com meia dúzia de curtas de horror

Nós sabemos que o que era bom era mais um filme, mas um filme dos bons, do universo Alien,...
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Crítica – Palmer

Palmer habilita-se a ser um sério candidato a um dos meus filmes favoritos do ano e ainda estamos em janeiro…

Biomutant prepara-se para chegar, finalmente, ao PC e consolas em março

Após meses de silêncio, Biomutant mostra sinais de vida, com boas notícias.

Princípio Meio e Fim. É este o nome do novo programa de Bruno Nogueira na SIC

E já se conhece o conceito, o número de episódios e os convidados.