Crítica – After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News

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Este documentário foca-se principalmente na realidade americana e nos efeitos que as notícias falsas têm na população e no país. Para tal, fala de vários casos e eventos que fomentam a propagação da desinformação de forma descontrolada. Alguns exemplos são o caso Pizzagate, a forma de estar de Mark Zuckerberg face ao Facebook, o psicótico Alex Jones com o seu programa InfoWars, as atitudes de Trump face à imprensa, entre muitos outros aspetos. No fundo, After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News, que nos chega através da HBO Portugal, mostra-nos a força das fake news e a falta de imunidade que a população e até as autoridades mais competentes têm face a este problema.

À medida que as várias dimensões das fake news são evidenciadas, percebemos que estas são impulsionadas por atores diferentes com motivações diversas. Por um lado, há quem queira enganar os outros e, por outro lado, há aqueles que querem ser enganados. E entre este dois grupos, existem os meios democráticos disponibilizados pela Internet: as redes sociais (Youtube, Facebook, Twitter,…), a Wikipédia e outras fontes semelhantes – que possibilitam a disseminação de qualquer informação. Contudo, isto não acaba aqui. A cereja em cima do bolo são os media tradicionais, os jornais e os canais de televisão, que muitas vezes tornam a irrealidade em verdade e, por vezes, até de forma involuntária.

A informação é uma arma e a ignorância tem um preço elevado. Quantas vezes já não fomos enganados pelo nosso mecânico porque não percebemos nada de mecânica? Quantos funcionários já não foram ludibriados pelos patrões porque nunca leram o código de trabalho? A informação ajuda-nos a tomar decisões. Assim sendo, a falta ou a manipulação desta pode-nos pôr numa situação muito delicada. Como é que podemos confiar nas nossas próprias decisões se nem sequer conseguimos distinguir a verdade da mentira?

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No entanto, outra questão impõe-se: Porque é que não sabemos a verdade? Uns não a sabem porque lhes mentiram, outros não a conhecem porque se recusaram a acreditar. Os fascinados por teorias de conspiração são o exemplo máximo deste último grupo. E se há uns anos este tipo de pessoas encontravam-se isoladas nas suas crenças, hoje em dia não é assim.

Uma publicação no Facebook, um vídeo no YouTube, uma publicação no Reddit é o que basta para que um bando de lunáticos se encontrem. “Se outras dez mil pessoas no mundo acreditam naquilo em que eu acredito, como é que pode ser falso? Não podemos estar todos errados.” E pior do que este sentimento de validação proporcionado pela pertença a uma comunidade, é a ideia de exclusividade e superioridade. “Nós somos os únicos que sabemos a verdade. Nós sabemos aquilo que quase ninguém sabe.”

Tendo este tipo de público à sua mercê, aqueles que querem vender ideias que lhes são convenientes aproveitam-se para criar uma nova realidade. Uma realidade que lhes permite ganhar eleições, justificar guerras e vender produtos. E aliados a estes, surgem outros que apenas querem reconhecimento, ainda que não tenham nada para dizer querem ser ouvidos e idolatrados.

Todavia, dentro deste espetro de fanáticos e manipuladores estão as pessoas normais. Os indivíduos que não se perdem dentro dos buracos negros da Internet e vão seguindo as notícias através dos jornais, da TV e das publicações dos amigos/família nas redes sociais. Acho que não preciso de explicar o quão problemático é confiar nas partilhas feitas nas redes sociais.

No entanto, de vez em quando, todos nós vamos caindo nesta esparrela e é por isso que a imprensa também não é exceção. O jornalismo é feito por pessoas que querem ser as primeiras a dar a notícia. Num mundo em que tudo é atualizado ao segundo, dedicar tempo à confirmação de fontes é um processo demorado e custoso. Para além disto, existe outro obstáculo: E se a informação que queremos verificar já foi aprovada por todos? Se toda a gente diz que é verdade é porque deve ser, certo?

A desinformação sempre foi uma arma e todos nós a usamos dentro do nosso círculo de influência. Embora nem sempre seja intencional, a maneira como reproduzimos informação e tratamos uma opinião como facto tem-se tornado preocupante. Especialmente porque a Internet nos tornou a todos oradores e audiência. After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News revela isto mesmo: nós todos somos o problema e todos fazemos parte da solução.

O documentário já está disponível na HBO Portugal.

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